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Você sabe o que é síndrome metabólica?

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Fernanda Machado (estagiária)*

 

Quando utilizamos o termo “síndrome”, nos referimos a um conjunto de sinais e sintomas. Por assim ser, a Síndrome Metabólica (SM) é um conjunto de fatores de risco no qual a base fisiopatológica é a resistência à ação do hormônio insulina e o aumento de risco cardiovascular. A SM pode ser silenciosa e a mortalidade, por todas as suas causas, é muito alta.

De acordo com a Dra. Priscila Gil, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), uma pesquisa chamada Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil), realizada em seis cidades do Brasil, em mais de 14 mil pessoas, com média de idade de 51 anos, mostrou a presença de síndrome metabólica em 34,6% dos indivíduos.

– Quando avaliado de acordo com o IMC, observa-se 13% de SM em pessoas de peso considerado normal, 43% com sobrepeso e 60% em obesos. No mundo, há estudos mostrando prevalência de 12,4 a 28,5% (homens) e 10,7 a 40,5% (mulheres) com síndrome metabólica – declarou a especialista.

Se observarmos os números de obesidade e sobrepeso, segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), de 2018, as cidades com maior presença de casos de sobrepeso são: Rio de Janeiro, Manaus, São Paulo e Cuiabá, para mulheres, e Porto Alegre, Rio Branco e Cuiabá, para homens. Quando se trata de obesidade, ganham o Rio de Janeiro no gênero feminino e Manaus no masculino. Os principais fatores de risco para a síndrome metabólica são: herança genética de obesidade, grande quantidade de gordura abdominal (gordura visceral), diabetes, sedentarismo, hábitos alimentares não saudáveis, depressão e ter sido obeso na infância.

O diagnóstico pode ser feito com base nos critérios do IFD (International Diabetes Federation) ou da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para o IFD, a obesidade central/visceral (mulheres com cintura maior que 80 cm e homens maior que 94 cm) é um parâmetro. Além disso, é necessário apresentar: glicemia de jejum maior que 100mg/dl, triglicerídeo maior que 150mg/dl, baixo HDL (menor que 40 para homens e menor que 50 para mulheres ou  hipertensão arterial). Já segundo a OMS, a resistência insulínica é o grande pilar, devendo haver, necessariamente, glicemia de jejum alterada, além dos fatores descritos acima.

Para ambas as instituições, há necessidade de estarem presentes: quadros de hipertensão, aumento de triglicerídeo e baixo HDL. Essas condições estão unidas por um elo comum, chamado resistência insulínica. Nas diretrizes brasileiras, existindo três de cinco desses fatores, pode ser considerado SM presente.

Quanto à possibilidade de a síndrome metabólica atingir um indivíduo de peso normal, se considerarmos os critérios da IFD, de acordo com dados apresentados pela Dra. Priscila Gil, a obesidade central/visceral é obrigatória. Por outro lado, se considerado os critérios da OMS, a resistência insulínica é a grande referência, podendo o paciente com IMC normal ter uma distribuição de gordura centralizada na cintura (gordura visceral), determinando-o como sendo “magro metabolicamente obeso”. A especialista explicou que a única forma de prevenir e tratar a SM é através da perda de peso e prática regular de atividade física.

– É importante levar uma vida saudável, evitando o sedentarismo através de estratégias como, por exemplo, saltar antes do ponto de ônibus para fazer uma caminhada, subir escadas em substituição ao uso escadas rolantes, levantar a cada uma hora de trabalho sentado, enfim, movimentar-se. A alimentação saudável também é essencial, resgatando antigos hábitos de família, como comer juntos à mesa, sem distrações, como TV ou qualquer outro eletrônico, com a atenção voltada para a quantidade de comida, percebendo a saciedade e verificando se o grau de fome está de acordo com sua estrutura corporal. É importante escolher melhor os alimentos, evitando os industrializados e multiprocessados, retirando o sal e açúcar do acesso fácil. Esses hábitos devem ser buscados desde a primeira infância – ressaltou.

 No caso de evolução para obesidade, a busca do tratamento precoce é fundamental para um melhor resultado. O acompanhamento com uma equipe multiprofissional, com endocrinologista, cardiologista, nutricionista, psiquiatra e psicólogo, é fundamental.

A síndrome metabólica pode ser revertida e amenizada mas, uma vez diagnosticada, deve haver atenção para qualquer sinal de recidiva de um ou mais fatores, para a busca imediata pelo tratamento precoce e redução do risco cardiovascular. 

 

Sob a supervisão de Juliana Temporal

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