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Vitiligo: o desafio da autoestima e do combate ao preconceito

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Por: Equipe da Redação 
redacaoobservatorio@gmail.com

A pele é caracterizada como o maior órgão do corpo humano, correspondendo a 16% do peso corporal. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esse órgão constitui-se em 3 camadas: epiderme, derme e hipoderme. Sem a composição da pele, a sobrevivência seria impossível, pois ela age na proteção das estruturas internas do corpo, na defesa imunológica através de células imunes, na regulação da temperatura corporal, na sensibilidade cutânea e na proteção contra os raios ultravioleta.

Devido ao auto índice de pessoas afetadas com a perda da coloração da pele, hoje (25) é marcado pelo Dia Mundial do Vitiligo -doença não contagiosa que provoca despigmentação da pele, gerando manchas pelo corpo-. A data visa conscientizar a população e minimizar o preconceito sobre a patologia que acomete 0,5% da população mundial.

O vitiligo é uma doença crônica estigmatizante, já́ conhecida há milênios, caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, manchas brancas na pele com uma distribuição característica. Essa patologia afeta principalmente os melanócitos da camada mais superficial da pele, podendo manifestar diferentes tamanhos das manchas. As lesões normalmente são identificadas pela presença de uma cor mais clara que o tom de pele original da pessoa, classificadas por Hipocrômica (pouca pigmentação) e Acrômica (ausência total de pigmentação).

Há diversas teorias que tentam explicar a causa deste fenômeno, entretanto, as hipóteses mais estudadas são herança genética e autoimune. A teoria relacionada ao fator genético é a mais aceita, já esta última defende que os melanócitos – células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele- são destruídos por meio do sistema imunológico do corpo – responsável pela defesa do organismo- que por algum motivo, passa a atingir essas células. Segundo a Dermatologista e  Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Caroline Ahmed, as alterações ou os traumas emocionais são fatores que podem agravar a doença.

 “O Vitiligo não está relacionado com as emoções do paciente, contudo, o emocional dele pode afetar as lesões. A parte psicossocial não é a causa, mas ela prejudica bastante no tratamento e na aderência do paciente ao tratamento”, Explica.

Além do surgimento de manchas brancas na pele, os paciente de vitiligo também costumam relatar sentir sensibilidade e dor na área afetada. A grande preocupação dos médicos são os sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver em decorrência da doença. As estatísticas revelam que mais de 75% desses pacientes possuem uma autoimagem depreciativas e que seu impacto emocional geralmente é negligenciado pelo cuidador, influenciando negativamente o prognóstico.

“Na minha prática profissional pude perceber que o perfil do paciente com Vitiligo é totalmente diferente dos que apresentam outros tipos de doenças. Dependendo da área da lesão, se ela for exposta (no rosto, no braço, na perna e ou no pescoço) gera um transtorno psicossocial muito maior do que se for em uma área protegida de roupa. Nesse caso, as pessoas tornam-se mais depressivas, envergonhadas, não querem amostrar muito o corpo e têm medo de serem rejeitadas pela sociedade”, completa Dr. Caroline Ahmed.

A patologia pode aparecer em pessoas de qualquer idade e de ambos os sexos. Contudo, é mais comum entre adultos jovens, com faixa etária de 20 e 25 anos. Embora não haja incidência em grupos de risco, observa-se a tendência genética de novos casos em famílias que já apresentaram a doença no decorrer das gerações.

A classificação do Vitiligo, de acordo com a SBD, pode ser de 2 formas clínicas: segmentar e não-segmentar. O primeiro é definido pelo surgimento de manchas brancas de apenas um lado do corpo. Já o segundo é o tipo mais recorrente, podendo ser de forma generalizada, afetando qualquer área do corpo; acrofacial, acomete face, mãos e/ou pés; universal, afeta grande extensão do tegumento (80-90% da superfície corporal) e mucosas, podendo afetar as mucosas oral e genital.

O fato de identificar mancha branca pelo corpo, não quer dizer que o indivíduo seja portador de vitiligo. Algumas delas podem ser provocadas pelo sol ou micose. Em caso de dúvida, os especialistas recomendam procurar um dermatologista ao menor sinal de mancha ou lesão na pele. Através do diagnóstico clínico, o médico terá condições de examinar as lesões e determinar se o paciente é portador de vitiligo ou, então, se existem outras doenças associadas.

Tratamento

Apesar de não existir cura, atualmente, existem várias opções de tratamento que variam de resultado entre uma pessoa e outra. Tais procedimentos têm a finalidade de cessar o aumento das lesões e promover a repigmentação da pele.

O tratamento do vitiligo é individualizado e deve ser discutido com um dermatologista, conforme as características de cada paciente. Por isso, somente um profissional qualificado pode indicar a melhor alternativa.

Cuidados básicos

Para evitar problemas futuros na região da pele, é necessário que o paciente coloque em prática algumas medidas recomendadas pelos especialistas, como: evitar fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes, como usar roupas apertadas, ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele; diminuir a exposição solar e controlar o estresse.

As lesões provocadas pela doença impactam significativamente na qualidade de vida e na autoestima. Nesse aspecto, é indispensável que o portador faça um acompanhamento psicológico, e dessa forma, ajude a ter efeitos positivos nos resultados do tratamento.  

 

Fontes:

http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/vitiligo/21/

http://rafaelasalvato.com.br/dermatologia/tratamento-vitiligo-santa-catarina-florianopolis/

http://www.clinicadevitiligo.com.br/pele-e-o-vitiligo.php

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