Notícias

Uma visão mais abrangente para a Covid-19

20200928105138
*Dr. Marcio Meirelles, Diretor Executivo do Observatório da Saúde

Em artigo recente, Richard Horton, editor da conceituada revista científica The Lancet, propõe uma nova perspectiva para o tratamento da Covid-19. Segundo ele, a abordagem do novo coronavírus até aqui utilizada tem dado prioridade aos aspectos infecciosos da doença e à sua acentuada capacidade de transmissão. A questão, entretanto, seria muito mais ampla, pois a severa infecção respiratória causada pelo vírus é quase sempre acompanhada por doenças não transmissíveis, tais como hipertensão, obesidade, diabetes, doença cardiovascular, doença respiratória crônica e câncer. E é a associação dessas doenças à infecção pelo vírus que agrava o problema e já causou a morte de mais de um milhão de pessoas. O tratamento dessas doenças associadas é, por isso, fundamental para se superar essa pandemia terrível.

Seguindo Horton, o que talvez não se tenha valorizado adequadamente é que: 1) as doenças crônicas não se distribuem igualmente pelos diversos extratos sociais e 2) os seus efeitos são mais severos em pacientes carentes.

Neste grupo de pacientes, as condições de nutrição, moradia, higiene e cuidados gerais com a saúde costumam ser precárias e é compreensível, portanto, que, se infectados pelo novo coronavírus, tenham seu prognóstico agravado. Por isso, é necessário que se tenha sempre em conta os aspectos sociais da população ao se planejar o tratamento da Covid-19 numa comunidade.

Richard Horton conclui seu artigo afirmando com veemência: “Independentemente da efetividade de qualquer tratamento ou vacina, uma solução puramente biomédica para a Covid-19 irá fracassar. A menos que os governos desenvolvam programas destinados a reverter disparidades profundas, nossas sociedades nunca estarão verdadeiramente seguras em relação à Covid-19”.

 Aqui no Brasil, temos podido constatar os efeitos benéficos das políticas de apoio social – ainda que modestas – adotadas recentemente. Seus efeitos sobre a economia logo apareceram. Milhões de brasileiros até então “invisíveis” tornaram-se cidadãos. E agora discute-se intensamente no Congresso Nacional como dar sequência a esses programas. Fala-se, até mesmo, na adoção de um programa permanente de renda mínima.

Tudo isso demonstra o quão atual e oportuno é esse artigo do Lancet.

Vale a pena ler o artigo original no link: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32000-6/fulltext

E o informe da BBC News Mundo em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54493785.amp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *