Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Tendências Hospitalares na 4ª Revolução Industrial

Giselle Felix
Fisioterapeuta

É mais saudável para um paciente em recuperação se manter em ambiente doméstico,longe de possiveis infecções, do que em uma internação no hospital. Por isso, a tendência “bedless” dos hospitais acompanha o aumento dos serviços e tecnologias de atendimento ao paciente fora dos hospitais, de forma remota, através de ferramentas para atendimento domiciliar e via mobile, por exemplo, através do uso de um tablet, poupando o paciente dos riscos de internação, procedimento que passa a acontecer em casos mais complexos.

Os benefícios aparentes do monitoramento remoto alcançam também os ganhos financeiros. As pesquisas prevêem que serão poupados U$ 36 bi globalmente nos próximos 5 anos devido ao uso de monitoramento remoto de pacientes com doenças cardíacas e crônicas, sendo as maiores tendências em gadgets de monitoramento remoto, as opções de wireless debaixo do colchão, robôs na telemedicina, adesivos para monitoramento cardíaco, sensores antiqueda para idosos.

Novos processos, funções e habilidades serão necessárias para que os hospitais tradicionais se adaptem às tendências hospitalares na era da 4a Revolução Industrial. Os hospitais que já aderiram a essa “nova era”, começam a oferecer diagnósticos cognitivos de cuidados com a saúde e aplicativos móveis de treinamento para uso remoto dos pacientes, otimizando a presença física do mesmo, no hospital. A lógica acontece da seguinte forma: enquanto os consumidores adotarem dispositivos de monitoramento remoto, os provedores de serviços hospitalares irão se reorganizar para prover novos serviços de cuidados e soluções médicas de maneira virtual.

Exemplos da aplicação dessa tendência nos dias de hoje são o Hospital Mercy Virtual, pioneiro em oferecer toda sua estrutura para serviços remotos aos pacientes, funcionando através de chamadas de vídeo real-time, estabelecendo ganha-ganha para ambos os lados, em termos de economia de tempo e dinheiro, com experiência de aplicação mesmo em casos mais complexos como para condições de doenças crônicas. Pensando em mais benefícios dos serviços digitais, os mesmos podem servir para beneficiar cidadãos que vivem fora de centros urbanos, ou mesmo em tribos distantes de hospitais, ou onde a oferta de médicos é escassa. Esse formato de solução é capaz de melhorar a qualidade de vida de pacientes crônicos por causa da possibilidade de monitoramento à distância.

Ainda sobre pioneirismo hospitalar para uso de novas tecnologias, podemos citar o Massachusetts General Hospital, pioneiro no uso de deep learning, onde através do uso das suas mais de 10 bilhões de imagens, é capaz de comparar os sintomas dos pacientes pelo mundo, melhorando o estudo de doenças, com o objetivo de ajudar os médicos na assertividade de resultados de tratamentos.

No Brasil, é possível que a telemedicina tenha iniciado no Hospital Isaraelita Albert Einstein, iniciativa que começou em 2012 e passou a ser comercializada em 2014. Neste ano de 2018, a expectativa do Hospital é de fazer 100 mil atendimentos à distância. Em 2017, foram 40 mil e no ano anterior, 7 mil, com uma sorte de 15 produtos nesse formato, como tele diabetes e tele UTI, atendendo desde escolas e empresas até hospitais e plataformas de petróleo. É considerada pelo Hospital uma transformação digital incrível, com grande impacto social na saúde, prevendo que nos locais mais remotos, médicos e estudantes de medicina têm acesso aos melhores profissionais do Einstein, em tempo real por um custo acessível, porque ganham com a escala.

No caso do SUS, tele consultorias têm sido usadas como forma de aumentar a efetividade da atenção primária e reduzir as longas filas de espera por especialistas no SUS. Em cinco anos, foram feitas mais de 90 mil consultorias por telefones de médicos de todo país, com índice de resolução de até 62%, o que indica que 6 em cada 10 casos clínicos atendidos no programa são resolvidos no posto de saúde, sem necessidade de encaminhamento a especialistas. O serviço pioneiro foi iniciado em um programa da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), e a previsão é de que no final deste mês de julho seja replicado em cinco capitais: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Manaus, Maceió e Brasília.

(http://www.mercyvirtual.net/)
(https://www.massgeneral.org/)
(https://economia.estadao.com.br/blogs/sua-oportunidade/tecnologia-na-saude-aprimora-diagnosticos/)
(https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/06/medicina-a-distancia-reduz-fila-de-espera-por-especialista-no-sus.shtml)

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