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Sons e ruídos altos podem causar perda auditiva irreversível, independente da idade

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

Os avanços tecnológicos nas últimas décadas têm permitido o surgimento cada vez maior de aparelhos eletrônicos. Atualmente, é comum ver pessoas andando nas ruas, trabalhando e se locomovendo nos transportes públicos ou em veículos próprios usando fones de ouvido. No entanto, o som em um volume alto pode causar sérios e irreparáveis danos à audição.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 466 milhões de indivíduos têm uma perda auditiva incapacitante, isto é, que compromete a qualidade de vida e bem-estar do indivíduo. No Brasil, esse número gira em torno de 60 milhões de pessoas.

O Dr. Edson Ibrahim Mitre, Presidente da Sociedade Brasileira de Otologia, afirmou que a perda auditiva mais comum é a presbiacusia (degeneração natural da audição, com o passar dos anos). Porém, vem sendo observado o crescente número de pessoas com perda auditiva irreversível decorrente da exposição a sons ou ruídos altos, como trabalhadores de indústrias, por exemplo, e adolescentes e jovens adultos, decorrente do uso de fones de ouvido com alto volume.

Doenças metabólicas e hormonais, ototoxicidade por agentes químicos, alguns medicamentos, uso de drogas ilícitas, traumas de crânio e de ouvido e tumores, também podem acarretar graves prejuízos auditivos.

— Além disso, temos visto casos de bebês e crianças que nascem ou desenvolvem problemas de audição precocemente devido a infecções como meningite, sarampo e rubéola congênita. Existem ainda os casos de otosclerose (calcificação do estribo, o osso mais interno da orelha média) e perfurações da membrana timpânica, casos em que o tratamento cirúrgico pode restabelecer a audição. Infelizmente, vemos também muitos pacientes com infecções crônicas do ouvido, sem tratamento, levando ao comprometimento da audição — informou o especialista.

A perda auditiva pode variar de leve (discreta), passando por moderada, severa, profunda e chegando à anacusia (perda total da audição), com a possibilidade ser uni ou bilaterais. Quanto aos tipos, ela pode ser condutiva, sensório-neural ou mista. A primeira é decorrente de problemas entre a orelha externa e a cóclea (conduto auditivo, membrana do tímpano, ossículos). A sensório-neural é decorrente de problemas na cóclea ou nas vias nervosas da audição até o cérebro e a mista contempla problemas em ambos os casos anteriores.

Para prevenir esses problemas, a primeira recomendação é jamais introduzir qualquer objeto nos ouvidos (incluindo hastes flexíveis com algodão). É importante também evitar a exposição a sons de alta intensidade, quaisquer que sejam. Sobre o uso de fones de ouvido, Dr. Edson Ibrahim fez uma sugestão.

— Uma regra prática para usar fones de ouvido: se a pessoa ao seu lado escuta o som do seu fone, está alto demais; se alguém te chama enquanto você usa os fones e você não consegue ouvir o chamado, está alto demais — explicou.

Sintomas como a desatenção, especialmente em crianças e adolescentes em idade escolar, podem ser indícios do início da perda auditiva. Da mesma forma, trocas de letras na fala e na escrita devem ser motivo de atenção. Em adultos, irritabilidade, cefaleia e insônia são sintomas extra-auditivos desse comprometimento.

Nos idosos, o isolamento ou o desinteresse por atividades sociais podem ser indícios de perda auditiva (a pessoa evita o contato social por não compreender o que lhe é dito, por exemplo). O zumbido, especialmente unilateral e de início súbito, também pode ser um indício de alguma lesão auditiva, incluindo tumores do nervo vestíbulo-coclear.

Existem muitas opções para a reabilitação auditiva, que vão desde o uso de próteses (aparelho de amplificação sonora individual ou aparelho auditivo) na maioria dos casos, passando por cirurgias do tímpano ou dos ossículos da orelha média, próteses auditivas implantáveis, até o implante coclear para aqueles que perderam a maior parte da audição e não se beneficiam dos aparelhos auditivos convencionais ou para pacientes com surdez total.

É fundamental sempre conversar com seu médico sobre as alternativas de tratamento para as diferentes doenças, que não envolvam riscos para a audição. A qualquer sintoma nos ouvidos, por mais leve que seja, deve-se procurar imediatamente o médico otorrinolaringologista, pois o tratamento precoce pode reverter a perda auditiva em alguns casos e evitar a progressão na maioria das vezes. Jamais se automedique para doenças ou sintomas dos ouvidos.

Muitas pessoas têm resistência ao uso de aparelhos auditivos, principalmente por vergonha de usá-los. Segundo Dr. Edson Ibrahim, é essencial vencer esse preconceito, pois a perda auditiva ou a dificuldade em ouvir, causa muito mais constrangimento do que o uso desses aparelhos.

— Infelizmente, existe um preconceito antigo quanto aos aparelhos auditivos, que no passado eram muito grandes e sem qualidade sonora. Hoje em dia, eles são muito sofisticados, praticamente um microcomputador que processa o som e dá uma qualidade de audição excelente para a maioria dos pacientes. Muitos modelos são muito pequenos e discretos, praticamente imperceptíveis. Qual é a diferença entre um aparelho auditivo e os óculos? Quando uma pessoa tem alguma alteração da visão, por mais discreta que seja, os óculos ajudam a enxergar melhor. Costumo dizer que os aparelhos auditivos são os óculos para os ouvidos. A diferença é que os óculos podem ter “grifes”, marcas famosas, e os aparelhos auditivos ainda não têm — ressaltou.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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