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Sociedade Brasileira de Imunizações lança campanha de incentivo à vacinação de gestantes

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O Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Infectologia apoiam o projeto, amadrinhado pela atriz Juliana Didone.

Por: Equipe da Redação
redacaoobservatorio@gmail.com

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou, nesta quinta-feira, 8 de março, a campanha “Calendário de vacinação da gestante: Um sucesso de proteção para mãe e filho”, idealizada com o objetivo de melhorar a cobertura vacinal entre as futuras mães, bastante insatisfatória no Brasil. Dados inéditos divulgados no evento pela coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, indicam que a adesão à tríplice bacteriana acelular (difteria, tétano e coqueluche) chegou a apenas 38,48% em 2017. Outras coberturas: dupla bacteriana, contra difteria e tétano  (59,06%, em mulheres em idade fértil, de 2013 a 2017); hepatite B (56,4%, de 1994 a 2017); e influenza (79,31%, em 2017).

A iniciativa inclui a distribuição nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país de 2 milhões de folhetos, 180 mil cartazes, material para apoiar os médicos no momento da consulta, além de inserções em relógios de vias públicas. No mundo virtual, foi criado um site (www.vacinasparagravidas.com.br) e uma página no Facebook (www.facebook.com/VacinasParaGravidas) para divulgar conteúdo informativo. Os internautas terão acesso a um e-book especial. A estimativa é a de que as ações na internet atinjam cerca de 19 milhões de exibições.        

As vacinas indicadas para todas as grávidas são a influenza (gripe), a hepatite B, a dupla bacteriana do tipo adulto (dT), contra a difteria e tétano, e a tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa), contra a difteria, tétano e coqueluche. Todas são elaboradas a partir de vírus inativados e estão disponíveis nas redes pública e privada. “Enquanto não terminam o próprio esquema contra a coqueluche, ou seja, por volta dos seis meses, as crianças são mais suscetíveis à morte pela doença, em geral assintomática em adultos. A vacinação de gestantes e dos contactantes é estratégia mundial para prevenir a infecção em bebês”, explica a presidente da SBIm, Isabella Ballalai.          

Febre amarela           

Em determinadas situações epidemiológicas, vacinas de vírus vivos atenuados podem ser prescritas. É o caso da febre amarela, indicada para as gestantes das cidades dos estados do Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Espírito Santo onde já foram registrados casos em humanos ou macacos. “Apesar de existir a possibilidade teórica de infecção ao feto, diversos levantamentos com mulheres que receberam a dose contra a febre amarela sem saber que estavam grávidas concluíram que a vacinação não aumentou a incidência de eventos adversos nas mães ou causou danos ao feto”, afirma.        

Da mãe para filho

Além de zelar pela própria saúde, a gestante transfere os anticorpos obtidos com a vacinação — primeiramente por meio da placenta e, depois, pelo leite materno. Tal proteção, de curta duração, é fundamental no início da vida, enquanto o sistema imunológico da criança ainda “aprende” a lidar com as ameaças externas. “Vale destacar que aproximadamente 11% dos nascidos no Brasil são prematuros, grupo extremamente suscetível a infecções, em especial às respiratórias. Vacinar a gestante aumenta o peso do bebê, reduz a prematuridade e os riscos para os que nascem antes de completar 40 semanas”, explica o vice-presidente da SBIm, Renato Kfouri.

Fala-se sobre tudo, exceto vacina

A atriz Juliana Didone, madrinha da campanha, conta que só ficou sabendo que as gestantes deveriam se vacinar quando foi à obstetra. “Há muita informação sobre a restrição para pintar os cabelos e consumir bebidas alcoólicas, por exemplo, mas a vacinação ainda é pouco divulgada”, relata. ”Coincidentemente, fui convidada para participar da campanha pouco tempo depois de receber a orientação médica. Fico muito feliz em poder colaborar e espero que cada vez mais mamães se vacinem para evitar que seus filhos adoeçam”, relata.

Infecções de especial risco   para a gestante e o feto      

  • Gestantes, puérperas (45 dias após o parto) e crianças com até cinco anos responderam por 11,4% dos óbitos por influenza entre pessoas com fatores de risco no Brasil em 2017.       
  • Ainda com relação à influenza, a fase mais crítica para o bebê é nos seis primeiros meses de vida, ou seja, antes da primeira dose da vacina. Estudos apontam que as chances de internação em UTI nesse período são 40% maiores se comparadas às de crianças entre seis meses e 12 meses.       
  • Dos 2.955 casos de coqueluche registrados no Brasil em 2015, 1.850 (62,6%) aconteceram em menores de 1 ano. Das 35 mortes, 30 foram em menores de 3 meses.
  • Aproximadamente 11,1% dos casos de hepatite B verificados no Brasil entre 1999 e 2015 ocorreram entre gestantes. A transmissão vertical (mãe-filho), com 6,2% do total, é fonte de infecção importante.       
  • Cerca de 90% dos recém-nascidos que contraem hepatite Ba durante o parto desenvolvem a forma crônica. Em adultos, o índice é de 10%.    
  • O tétano neonatal matava 6,7 a cada 1.000 nascidos vivos no fim da década de 1980, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Graças às políticas de vacinação, apenas 15 países ainda não conseguiram eliminar a doença. A região das Américas alcançou essa conquista em setembro de 2017.

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