Isis Breves

Saúde Coletiva

Por Isis Breves

Situação das Arboviroses no Brasil é alarmante

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O Portal Pragas & Eventos apresenta a situação das Arboviroses baseadas em evidências publicadas em estudos e pesquisas recentes. Dengue, Chikungunya e Zika são doenças de notificação compulsória e estão presentes na Lista Nacional de Notificação compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, unificada pela Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de setembro de 2017, do Ministério da Saúde (MS).  Segundo dados do Boletim Epidemiológico do MS atualizado e publicado em abril de 2019, o primeiro trimestre do ano de 2019 foram registrados 290.899 casos prováveis de dengue, ckikungunya e zika. Em 2018, no mesmo período foram registrados 100.858 casos prováveis das doenças. O que representa um aumento na incidência das arboviroses no país.

Dados preocupantes, que analisados por cada enfermidade e a dengue registrou 273.193 casos prováveis nesse período, com uma incidência de 131casos/100 mil habitantes. A região Sudeste apresentou maior número de casos prováveis da doença, com 65,7% dos casos em relação ao total do país, seguida das regiões Centro-Oeste com 17,6%, Nordeste com 7,5% , Norte com 6,1% e Sul com 3%.

Já a Chikungunya no país o registro foi de 15.352 casos prováveis com incidência de 7,4 casos/100 mil habitantes. A região Sudeste apresentou o maior número de casos prováveis com 10.213 casos, representando 66,5% dos casos no país. Em seguida as regiões Norte com 15,9%, Nordeste com 14%, Centro-Oeste com 2,2% e Sul com 1,4%.

A Zika teve 2.344 casos prováveis da doença registrados, com incidência de 1,1 caso/100 mil habitantes. A região Norte apresentou o maior número de casos com 39,2% em relação ao total do país. Em seguida aparecem as regiões Sudeste com 33,8%, Nordeste com 13,5%, Centro-Oeste com 10,9% e Sul com 2,6%.

A dengue, chikungunya e zika são arboviroses de grande impacto na saúde pública e são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. As ações de prevenção e controle das doenças são direcionadas no combate ao mosquito. E, segundo o MS, a Coordenação-Geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e Doenças transmitidas pelo Aedes vem orientando as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde a realizarem rotineiramente o Levantamento Rápido de índices para o Aedes aegypti (LIRAa).

A prática favorece o direcionamento das ações para as páreas apontadas como críticas, além de instrumentalizar a avaliação das atividades desenvolvidas. . De acordo com as informações enviadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde em março de 2019, referentes ao primeiro levantamento entomológico de 2019, 93,6% (5.214) dos municípios realizaram o LIRAa, e apenas 6,4% (355) municípios não o fizeram. Entre os que realizaram o levantamento, 1.804 (36,4%) foram considerados satisfatórios, 2.160 (43,6%) estavam em risco e 994 (20,0%) foram considerados em estado de alerta.

 De acordo com o LIRAa de 2019, os criadouros predominantes no Brasil são os depósitos de água, que representam um total de 40.304 (39,0%) e se enquadram no armazenamento de água para o consumo humano, seguido dos depósitos domiciliares (depósitos móveis, depósitos fixos e depósitos naturais), que representam um total de 34.901 (33,7%), e os de lixo, que totalizam 28.206 (27,3%), sendo depósitos passíveis de remoção/proteção. Os criadouros predominantes na região Norte são lixos com um total de 4.505; na região Nordeste, prevalecem os depósitos de água com um total de 24.444; nas regiões Sudeste e Sul, são depósitos domiciliares com 16.852 e 6.449, respectivamente; e na região CentroOeste, com quantitativo de 5.110, com predomínio de lixo.

Uma pesquisa intitulada “Aedes aegypti e sociedade: o impacto econômico das arboviroses no Brasil” realizada em 2016, aponta resultados dos custos relacionados ao combate ao vetor, como repasse de recursos federais e aquisição de pesticidas, custos médicos diretos para tratamento das doenças por meio de condutas de manejo ambulatorial e hospitalar e custos indiretos associados à dengue, chikungunya e zika no país.  O estudo aponta os impactos negativos não só os clínicos das arboviroses, mas também os econômicos. O estudo é de 2016, mas é uma perspectiva para olhar o quão preocupantes são a crescente e aumento da incidência dessas doenças, como mostrou dados recentes do MS.

O cálculo foi baseado em estudos publicados ou de estimativa de anos de vida ajustados por incapacidade (AVAIs) e o resultado foi de R$ 1,5 bilhão de investimento para combate ao vetor e o custo reportado pelo governo federal para aquisição de inseticidas e larvicidas foi de R$ 78,6 milhões. Os custos médicos diretos geraram gasto total de R$ 374milhões. Febre chikungunya apresentou o maior número de AVAIs perdidos por episódio da doença (0,036 AVAI), seguido pela infecção por Zika (0,005 AVAI). O custo indireto total foi estimado em R$ 431 milhões. Custos totais com o manejo das arboviroses atingiram impacto de R$ 2,3 bilhões no Brasil, em 2016. Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro apresentaram os maiores custos.

Os pesquisadores comprovam nesse estudo que os custos de combate ao vetor, custos médicos diretos e custos indiretos das arboviroses representaram 2% do orçamento total previsto para a saúde no país, em 2016.

As arboviroses geram consideráveis impactos econômicos e sociais no Brasil e o aumento da incidência requer novas estratégias e a avaliação das medidas preconizadas seja feita urgente para que o combate e controle dessas doenças tenha êxito e salve vidas!

Veja também:

Para ter acesso ao estudo “Aedes aegypti e sociedade: o impacto econômico das arboviroses no Brasil” na íntegra, clique em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/883013/doi-1021115_jbesv9n3p267-76.pdf

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