Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Setembro Amarelo e as tecnologias como vilãs ou aliadas?

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Já que existem hoje infinitas maneiras de se conectar com outros seres humanos, através do advento da tecnologia, por que os níveis de solidão estão subindo, assim como as taxas de suicídio e depressão? As tecnologias não seriam capazes de aliviar essa sensação de solidão, afinal, nos comunicamos instantaneamente com pessoas de todos os lugares do mundo, fazemos tantos amigos, que todos os finais de semana da vida seriam insuficientes para sair com cada um em um dia; podemos nos reunir por vídeo, ouvir e ver qualquer pessoa que esteja concetada a uma rede: Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp, Skype, Gmail, iMessage, mensagem de texto, telefonema, programas de bate-papo, chatbots, robô assistente e por aí vai.

E as mídias sociais… como usamos essa ferramenta e com que finalidade? Será que se perderam do propósito quando passaram a ser usadas como solução para criar um mundo paralelo e procrastinar as tentativas das pessoas em resolver seus próprios dilemas? Será que precisamos de tecnologia para resolver nossos problemas sociais e nossas inabilidades para viver e entrar em contato com outros seres humanos? Evoluímos tanto assim ou será um retrocesso? Existe ou existirá alguma tecnologia para aliviar a solidão de uma maneira significativa, a ponto de ser utilizada em tratamento médico?

Solidão tem significado algo assim nos dias de hoje; um estado de alienação que poderia ser sentido da mesma maneira no meio de uma multidão ou estando em casa sozinho. Essa é a característica de nossa sociedade moderna individualista concentrada em “guetos” urbanos. Sentir o pesado fardo de nós mesmos, desprendido dos outros enquanto estamos cercados por mais pessoas do que nunca e por mais transmissores de comunicação do que nunca.

Millennials nunca estão sozinhos: nunca desligam o telefone e dificilmente se desconectam de possíveis notificações eletrônicas. Ainda assim, os fenômenos do sentimento de solidão, o estado de frustração que vem com ele, e os esforços desesperados para sair dele, estão em ascensão, de mãos dadas com suas famílias.

No mundo todo, a solidão faz vítimas: na Inglaterra, cerca de 10% de todos os britânicos se sentem isolados, o que motivou em Londres a nomeação de um “ministro da solidão” em meados de janeiro de 2018. Nos EUA, o New York Times classificou a situação como uma epidemia, o que implica um número crescente de indivíduos solitários também nos Estados Unidos. No Japão, mais e mais pessoas estão morrendo sozinhas.

No entanto, viver uma vida separada da companhia dos outros não é apenas um estado de espírito, mas também tem graves consequências comprovadas para o corpo, o que faz com que a solidãoo possa ser tão ruim para a saúde de alguém quanto ter uma doença prolongada, como diabetes ou pressão alta. Além disso, os pesquisadores descobriram que o isolamento social é um melhor preditor de morte precoce do que a obesidade. Estudos mostram que pessoas solitárias são 50% mais propensas a morrer antes do tempo, com pesquisas sugerindo que a solidão é tão perigosa para a saúde quanto fumar 15 cigarros por dia e mais perigosa do que ser obesa.

O que esses estudos mostram é que a miséria da solidão prejudica corpo e mente. Não é de admirar, a solidão é terrível: você se sente separado da sociedade, não entende a si mesmo ou aos outros, anseia pelo entendimento, mas não o recebe da maneira que você gostaria. Como uma solução, você se volta para a tecnologia, tenta entrar em contato com as pessoas, mas acaba onde começou ou diminuiu. Em um círculo vicioso que você não sabe como sair.

Como pode a tecnologia realmente ajudar?

A maneira como se está fazendo, não é a única forma de usar a tecnologia. O diferencial estaria na construção de chatbots, o A.I. algoritmos, companheiros de robô que pudessem realmente apoiar o crescimento pessoal, prestar atenção às necessidades das pessoas, então eles significariam ferramentas mais profundas para continuar com nossas vidas e descobrir quem somos. De acordo com uma reportagem recente da New Scientist, centenas de milhares de pessoas dizem “bom dia” à Alexa todos os dias, meio milhão de pessoas declararam seu amor por ela e mais de 250 mil propuseram casamento a ela. Isso não é coincidência. Estamos ansiando por profunda atenção e aceitação. E se um chatbot pudesse nos ajudar a chegar lá? Além dessa, a necessidade de robôs companheiros sociais pode acontecer aos idosos que vivem sozinhos no futuro, como conseqüência de ter um robô social, eles poderiam esquecer que estão vivendo isolados – já que esses pequenos ajudantes poderiam desviar o assunto – e fazer algo que nunca fizeram antes. O que que se torna fundamental lembrar nessa conversa é que as tecnologias são o que fazemos delas, como as usamos e como as criamos, para o bem ou para o mal.

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