Isis Breves

Saúde Coletiva

Por Isis Breves

Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos

Painel Síntese uso antibiotico

Se 12 a 18 de novembro foi celebrado a Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos. Uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) que acontece sempre no mês de novembro com o objetivo de chamar a atenção para o problema de saúde da resistência aos antibióticos. A Resistência Microbiana (RM), apesar de não ser um fenômeno recente, é um problema crítico de saúde. Durante décadas as bactérias responsáveis pelas infecções comuns desenvolveram resistência aos antibióticos disponíveis e, com isso, tornaram-se uma ameaça à saúde mundial. O ambiente hospitalar favorece o aparecimento e a disseminação de bactérias multirresistentes.

A OMS publicou para a campanha o relatório que revela o consumo de antibióticos para a saúde humana em 65 países e territórios. Os resultados apontaram discrepância nas taxas de consumo entre países, variando aproximadamente quatro doses diárias definidas por cada mil habitantes para mais de 64 doses diárias definidas por cada mil habitantes. A grande diferença no uso de antibióticos em todo o mundo indica que alguns países provavelmente estão usando antibióticos, enquanto outros podem não ter acesso suficiente a esses medicamentos que salvam vidas.

A Região Europeia da OMS, que forneceu os dados mais completos para o relatório, teve um consumo médio de 17,9 doses diárias definidas para cada mil habitantes por dia, com uma diferença de quase quatro vezes entre os países de menor e maior consumo na região.

O relatório conclui que a amoxicilina e a amoxicilina/ácido clavulânico são os antibióticos mais utilizados em todo o mundo. Esses medicamentos são recomendados pela OMS como tratamento de primeira ou segunda linha para infecções comuns e pertencem à categoria “acesso” da Lista de Medicamentos Essenciais da OMS. Em 49 países, essa categoria representa mais de 50% do consumo de antibióticos.

Os antibióticos considerados de mais amplo espectro, como as cefalosporinas de terceira geração, as quinolonas e os carbapenêmicos, são categorizados como antibióticos de “alerta”, que devem ser utilizados com cautela devido ao seu alto potencial de causar resistência antimicrobiana e/ou seus efeitos colaterais. Este relatório mostra uma ampla gama de consumo de antibióticos na categoria “alerta”, de menos de 20% do consumo total de antibióticos em alguns países a mais de 50% em outros.

Os antibióticos do grupo “restrição”, que devem ser usados com indicação adequada para o tratamento de infecções específicas causadas por bactérias multirresistentes, representam menos de 2% do consumo total de antibióticos na maioria dos países de alta renda; os dados não foram relatados pela maioria dos de baixa e média renda. Isso pode indicar que alguns deles podem não ter acesso a esses medicamentos, necessários para o tratamento de infecções complicadas multirresistentes.

Os dados apresentados neste primeiro relatório variam amplamente em termos de qualidade e integralidade. Embora a Região Europeia e alguns países com bons recursos já coletam dados sobre o uso de antibióticos há muitos anos, muitos outros enfrentam grandes desafios, entre eles, a falta de recursos e profissionais capacitados para a coleta de dados confiáveis.

Desde 2016, a OMS tem apoiado 57 países de baixa e média renda a criar sistemas padronizados para monitorar o consumo de antibióticos. Dezesseis países contribuíram para este primeiro relatório e a expectativa é que muitos mais contribuam para os dados globais nos próximos anos.

A partir de 2019, os dados de consumo de antimicrobianos serão integrados à plataforma do sistema global de vigilância da resistência antimicrobiana (GLASS) da OMS para fornecer um local único para dados sobre consumo e resistência a esses medicamentos.

A metodologia da OMS foi desenvolvida para se alinhar ao banco de dados global da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre o uso de antimicrobianos em animais. Esse alinhamento permitirá a comparação do uso de antibióticos entre o setor humano e animal no futuro.

No Brasil, a campanha é liderada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que disponibilizou em seu portal materiais para a campanha de conscientização sobre o uso responsável de antibióticos. Acesse: http://portal.anvisa.gov.br/antibioticos

O tema da campanha esse ano é “A mudança não pode esperar. Nosso tempo com antibióticos está se esgotando”.  Importante ressaltar que a ANVISA, através do Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS 2016-2020), normatiza as diretrizes para diminuir a incidência nacional de IRAS e da resistência microbiana em serviços de saúde.

A primeira versão do Programa abrangeu o triênio 2013-2015 e contemplou quatro objetivos: 1) reduzir infecções primárias da corrente sanguínea; 2) reduzir infecções do sítio cirúrgico; 3) estabelecer mecanismo de controle sobre a Resistência Microbiana em serviços de saúde; 4) aumentar o índice de conformidade do PNPCIRAS, segundo critérios da OMS. 

Já no quinquênio 2016-2020 do PNPCIRAS foram consideradas as avaliações preliminares da versão anterior e discutidos vários temas pertinentes ao Programa, como a situação mundial e nacional das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), que são um grave problema de saúde pública, pois são os eventos adversos associados à assistência à saúde mais frequentes, com alta morbidade e mortalidade que repercutem diretamente na segurança do paciente e, por sua vez, na qualidade dos serviços de saúde. Para ter acesso ao Programa acesse: https://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/pnpciras-2016-2020

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