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SBU afirma que adolescentes masculinos devem ir ao urologista

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

A adolescência é uma fase conturbada e desafiadora, repleta de descobertas, dúvidas e transformações. Durante esse período, muitos jovens acabam tirando dúvidas através da internet ou em conversas com amigos.

Quando separamos por gênero, é perceptível o incentivo às meninas a procurarem um(a) ginecologista. Nessas consultas, são abordados diversos assuntos de saúde relacionados a essa fase da vida, como gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), ciclo menstrual, uso de drogas, tabagismo, álcool e tantos outros assuntos pertinentes, além da possibilidade de detecção de alguma situação inapropriada na vida da adolescente, que possa ser um ponto importante de atenção.

Tal situação, geralmente, não acontece com os meninos. O adolescente do sexo masculino no Brasil encontra-se desamparado na sua avaliação médica, sem ações preventivas de doenças e sem orientação especializada quanto à promoção de saúde. Para se ter uma ideia, metade dos homens acima dos 35 anos nunca foi ao urologista, o que, para o Dr. Daniel Suslik Zylbersztejn, Coordenador da Área de Adolescência da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), é preocupante.

— Atualmente, os cuidados da saúde dos adolescentes do sexo masculino é diferente da encontrada no sexo oposto. A ida ao médico ocorre na vigência de doenças agudas e, muitas vezes, apenas ao pronto-socorro. Uma vez tratado, volta-se à rotina de poucos cuidados com a saúde. Hoje, não temos na nossa sociedade a cultura de levarmos os adolescentes a uma consulta de rotina no início da puberdade, fase de tantas transformações físicas e psicológicas. Chegou o momento de modificarmos esse quadro de pouco caso com o bem-estar dos nossos meninos, sendo necessário uma mudança de hábito cultural frente a essa situação. A mesma atenção que disponibilizamos à saúde das nossas meninas precisa ser também dada à saúde dos adolescentes masculinos, deixando a cultura “machista” definitivamente no passado — explicou.

Ainda de acordo com o especialista, as consultas urológicas devem ser iniciadas no momento em que os pais percebem as modificações típicas da puberdade, como o aparecimento dos caracteres sexuais secundários (pelos pubiano e barba, por exemplo), crescimento físico, mudança de voz etc. Esse processo pode variar muito em relação à idade, mas geralmente inicia a partir dos 13 anos. 

O Ministério da Saúde lançou, em 2017, um Manual de Proteção e Cuidado da Saúde dos Adolescentes de ambos os sexos pela atenção básica. Porém, é de conhecimento geral as dificuldades inerentes da implementação das políticas de saúde pública no Brasil, muitas vezes idealizadas por profissionais competentes, mas sem a devida divulgação ou o comprometimento da população com a estratégia para a saúde dos nossos jovens.

— A Sociedade Brasileira de Urologia realiza anualmente em setembro, a campanha #VemProUro, que visa chamar a atenção da nossa sociedade frente a essa realidade dos adolescentes masculinos. Mais do que levar o filho ao próprio urologista para uma avaliação da saúde, é importante que o adolescente, caso não consiga encontrar um urologista, vá a algum médico (hebiatra, clínico geral) afeito à saúde do jovem, para que se possa proporcionar os devidos cuidados — declarou o médico.

Segundo o Dr. Daniel Suslik, a consulta com um urologista, assim como a ginecológica — para as meninas —, possibilita: identificar atos ou hábitos em adolescentes que estejam sujeitos a comportamentos de riscos, como uso de drogas ilícitas, tabagismo, uso abusivo de álcool; promover o uso de preservativo para prevenção de DSTs e de gravidez indesejada; detectar doenças que possam trazer prejuízos para a saúde futura, como a varicocele para o potencial de fertilidade; e a promoção do uso de vacinas para proteção contra o HPV, preconizadas a garotos de 11 a 14 anos e de disponibilidade gratuita pelo SUS.

A adolescência é a fase da angústia, timidez, insegurança, baixa autoestima e, principalmente, dúvidas. O urologista, dentro de sua formação médica, pode ajudar durante essa fase. Por isso, é importante buscar um médico com quem o adolescente possa desenvolver uma relação de confiança.

— É de suma importância que o urologista consiga promover um bom relacionamento médico-paciente, baseado no sigilo médico e na cumplicidade frente a assuntos que possam ser dispensados de comunicação aos pais ou responsáveis. Dessa forma, a identificação de desajustes emocionais, sociais ou familiares pode ser trabalhada de uma forma isolada ou em conjunto com outros profissionais adequados às necessidades e, quando preciso, também com os responsáveis — revelou o especialista.

 

Estudos apontam dados preocupantes sobre os cuidados com a saúde masculina no Brasil

Uma pesquisa divulgada pela Revista Veja, em 2010, demonstrou que o Brasil estava entre os países com maior incidência de câncer de pênis, uma enfermidade não tão frequente, mas muito grave no aspecto da vida do homem. Na maioria dos casos, a doença leva à perda total ou parcial da genitália. Infelizmente, esse tipo raro da doença ainda é presente no país, estando associado à má higiene íntima e à infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

— Hoje, a estatística mundial coloca o Brasil na terceira posição dessa enfermidade, perdendo apenas para Uganda e México. Acredito que existe muita subnotificação, o que poderia levar o Brasil para a primeira colocação. Homens das Regiões Norte e Nordeste são os mais acometidos, possivelmente decorrente do desconhecimento, medo e falta de acesso a informações sobre a doença, sendo no Estado do Maranhão o de maior incidência — declarou Dr. Ricardo Tuma, membro do Departamento de Uro-Oncologia da SBU.

Outro estudo, de 2017, dessa vez realizado pela Revista Galileu, apontou que cerca de mil brasileiros têm o pênis amputado todos os anos. Conhecimento, educação e consultas regulares com um urologista poderiam evitar essa ocorrência.

— Atualmente, são diagnosticados em torno de 1.800 pacientes por ano no Brasil. Pensando nesse grande problema que afeta a saúde do homem, a SBU fará no mês de agosto um webinar exclusivo para médicos sobre câncer de pênis, focando no diagnóstico precoce, cirurgia minimamente invasiva e vida sexual do paciente amputado de pênis — disse Dr. Ricardo Tuma.

Campanha #VemproUro 2020

Segundo o Presidente da Comissão de Comunicação da SBU, Dr. Roni Fernandes, a entidade realiza diversas campanhas de promoção à saúde.

— Desde julho deste ano, estamos promovendo a campanha on-line Trato Feito com a Saúde, que se estenderá até março de 2021 e que conta com vídeos e podcasts com especialistas debatendo diversos temas. Contamos também com um hotsite com vasto material de apoio dentro do Portal da Urologia (www.portaldaurologia.org.br), com conteúdo para as mídias sociais da SBU (@portaldaurologia). Em setembro, iniciaremos a terceira edição da campanha #VemproUro, que estimula os cuidados com a saúde do adolescente masculino. Também teremos o Novembro Azul que, além de conscientizar sobre o câncer de próstata, também quer incentivar os homens a cuidarem da própria saúde de forma integral — enfatizou.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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