Isis Breves

Saúde Coletiva

Por Isis Breves

Saúde do trabalhador rural: a exposição humana a agrotóxico é um problema de saúde pública

Agosto, 2018 – O Brasil está entre os maiores consumidores de agrotóxico do mundo. Dados do Ministério da Saúde (MS) registram 12.534 casos notificados de intoxicação por agrotóxico em 2013 no país.  O Estado do Rio de Janeiro configura a 9º posição da classificação dos estados do país de comercialização de agrotóxicos com 27.341.441 Kg comercialização (2013). Interessante que a análise do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de População Expostas a Agrotóxicos do MS, publicado em 2016 com dados de 2013, aponta que os maiores quantitativos de agrotóxicos comercializados por hectare, foram Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Minas Gerais, Goiás, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Ou seja, em números absolutos configura a 9º posição, mas por uso na produção agrícola, é o que mais utiliza veneno, pois o Rio de Janeiro entre os dez estados que mais comercializaram em números absolutos, tem a menor produção agrícola.

No período de 2017 a 2014, o RJ notificou 1.567 casos de intoxicação por agrotóxicos. Comparando com os demais estados, apesar de apresentar a maior relação entre comercialização de agrotóxico por área plantada no país, a incidência de intoxicação por agrotóxicos manteve-se abaixo da média da Região Sudeste, sendo 1,15 casos por 100 mil habitantes por ano. 

Importante dizer que o Estado do RJ, segundo dados do Sidra/IBGE (Safra de 2012), a principal cultura é a monocultura de cana-de-açúcar, representando 56% da produção nacional, presente no norte do estado.  A região serrana destaca-se com a produção de hortifrutigranjeiros. Nesse universo, de acordo com Firpo, o consumo intensivo de agrotóxicos está concentrado nas monoculturas de cana-de-açúcar e na oleicultura (tomate, pimentão e tubérculos).

Nesse contexto, o documento da Embrapa “Panorama da Contaminação Ambiental por Agrotóxicos e Nitrato de Origem Agrícola no Brasil” (2014) destacou a contaminação da água por estas substâncias, especialmente em áreas com cultivo de tomates, sendo 70% dos pontos hídricos contaminados no município de Paty do Alferes.

Saúde do Trabalhador Rural

O problema de saúde pública que acomete aos trabalhadores rurais é a exposição aos agrotóxicos quando estes são pulverizados em plantações e se dispersam durante a aplicação ou quando evaporam e seguem para áreas próximas nos dias após a pulverização. Há dois tipos de intoxicação, a aguda, cujos sinais e sintomas são dor de cabeça, tontura, náusea, vômito, desorientação, dificuldade respiratória e em casos graves coma e até a morte. E também a crônica, que acomete geralmente aos trabalhadores que têm contato diário com as substâncias, que diferentemente dos casos agudos, não aparecem de imediato, mas ao longo do tempo podem causar problemas graves de saúde, patologias que atingem vários órgãos e sistemas, geralmente causando problemas imunológicos, hematológicos, hepáticos, neurológicos, malformações congênitas e tumores.

O monitoramento da saúde dos trabalhadores rurais, através de exames periódicos é fundamental para prevenção de doenças graves devido à intoxicação crônica à exposição aos agrotóxicos. O exame laboratorial que detecta a intoxicação por agrotóxico é o teste de colinesterase. A colinesterase é uma enzima que serve como indicador do diagnóstico para o agravo, pois quando há exposição a compostos agrotóxicos, há inibição da enzima acetilcolinesterase circulante no sangue.

O Trabalhador Rural é o grupo de maior risco de exposição aos agrotóxicos, pelo contato direto com esses venenos, assim como os trabalhadores que atuam em firmas desintetizadoras, indústrias de formulação e síntese.

Um comentário em "Saúde do trabalhador rural: a exposição humana a agrotóxico é um problema de saúde pública"

  1. thais disse:

    boa noite. onde está o relatorio fonte desses monitoramentos citados, não estou conseguindo encontrar. obrigada

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