Opinião

SAÚDE DA FAMILIA

WhatsApp Image 2019-05-28 at 16.17.27
Acyr Gonçalo Cunha
Cirurgião Pediatra e Conselheiro do Observatório da Saúde- RJ

Muito oportuno o encontro promovido pelo jornal O Globo para debater a “Saúde da Família”. O encontro chamou atenção para a necessidade de se criar na população a cultura de saúde em vez de tratar apenas a doença. A prevenção é sempre o melhor caminho.  Práticas de atividades físicas, alimentação saudável e vacinação em dia evitar o sedentarismo, contribui para melhorar a qualidade de vida e preservar a saúde física e mental dos indivíduos.

Desde o advento do SUS após a Constituição Federal de 1988, que universalizou o cuidado da saúde do brasileiro, todos passaram a ter direitos, pois, “A SAÚDE É DIREITO DE TODOS E OBRIGAÇAO DO ESTADO” foi extinto o indigente na saúde e o Governo Federal passou a dotar, estados e municípios de recursos para cuidados de saúde, além de instituições de pesquisa e assistência e normatização federais.  A partir dessas iniciativas, cultivou-se o hábito de procurar hospitais quando surgia qualquer problema de saúde, mesmo que simples.

Com a criação do SUS, a municipalização dos cuidados, preventivos foram estimulados e, consequentemente, foram implantados os centros de saúde e clinicas de família com o objetivo de atender às demandas de saúde em todas as área dos municípios, dividindo por áreas para coberturas de MÈDICOS DE FAMILIA.

Com essa nova cultura filosófica de prevenção em vez de remediar, trouxe um novo entendimento e mudou a velha cultura das escolas de medicina de formar especialistas, o que é indispensável, como pesquisadores, mas, a necessidade de formar GENERALISTAS é fundamental para o processo eficiente da saúde.

As residências médicas passaram a investir em generalistas, mas sabemos, que no momento atual, ainda é insuficiente a quantidade desses profissionais e que existe a necessidade de um sistema de saúde que valorize esses profissionais, com condições de trabalho adequado, remuneração compensadora e apoio para atualização profissional.

Centro de Saúde, Clínicas de Família, UPAS, Hospitais regionais, secundários e terciários, uma escala de atenção adequada e ordenada, evitando a sobrecarga de estruturas complexas para atendimento de patologias simples e medicina preventiva.

Com o SUS, tivemos uma das melhores coberturas vacinais do mundo, apoio a tratamento do HIV exemplar, Hemodiálise, Transplante de órgãos cada vez mais aperfeiçoado e queda da mortalidade infantil.

Nós do Observatório da Saúde, somos intransigentes defensores da SAÚDE PÚBLICA DE QUALIDADE. Recentemente promovemos um Fórum sobre a Sustentabilidade do SUS, e uma das melhores sugestões apresentadas, foi a Regionalização do Sistema Único de Saúde em vez da municipalização como originalmente foi concebido. Centros e unidades de Saúde, clínicas da família e UPAS podem e devem ser disseminadas, mas, Hospitais com especialistas em número adequado para o dia a dia, devem ser centralizados em regiões com um mínimo de população.

Os pacientes que demandarem cuidados de especialistas deverão, prontamente, serem encaminhados para esses locais. Para isso, o sistema criou o SUS com ambulâncias UTI MOVEIS, e Instituições como o Corpo de Bombeiros, Polícias, e as Forças Amadas, que dispõem de helicópteros para transporte em locais inacessíveis e grandes distancias. Já foi decretado à disponibilidade de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), para transporte de órgãos.  Isso já ocorre no Rio de Janeiro e em São Paulo. Esperamos que o decreto seja estendido para todos os Estados brasileiros.

Exemplos práticos como acompanhamento de obesidade, hipertensão arterial e diabetes controlados por médicos de família, evitam derrames, infartos e até mesmo amputações de membros. Para não dizer que não falei de flores, até a SAÚDE SUPLEMENTAR está implantando a seus segurados, SAÚDE DE FAMILIA com os pacientes que frequentam com muita frequência consultórios médicos.

Casos complexos que ultrapassem a resolutividade local, poderá ser usado recurso da TELEMEDICINA, principalmente em locais longe dos grandes centros, médicos consultando colegas ou CENTROS DE REFERENCIAS, previamente listados. Queiram ou não, a TELEMEDICINA veio para ficar.

Congratulamos com “encontros de O GLOBO” pela iniciativa dos debates de SAÚDE DA FAMILIA, e estimulamos ao comparecimento dos interessados.

OBSERVATORIO DA FAMILIA DO RIO DE JANEIRO.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *