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Sabedoria popular: tratamentos caseiros e seus riscos

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Suco de maracujá para acalmar, chá de quebra-pedra para os rins, inhame contra os sintomas da dengue… Todo mundo tem uma receita caseira para aliviar algum desconforto. E não é para menos, afinal, o uso de produtos naturais com propriedades terapêuticas que permeiam a sabedoria popular são tão antigos quanto a própria existência humana e, por muito tempo, essa foi a única forma de combater os males que atingiam a população. Ainda assim, é preciso ter cautela.

Mesmo hoje, muita gente opta por utilizar produtos e preparos de origem natural para prevenir e tratar doenças, e alguns fatores contribuem para essa predileção, como o fácil acesso a esses materiais e a concepção de que são mais eficazes, seguros e que causam menos efeitos colaterais. E, realmente, a natureza tem muito a oferecer. Diversos ativos já tiveram sua eficácia comprovada cientificamente e já demonstram resultados notáveis, como é o caso da passiflora, utilizada no tratamento da ansiedade e da espinheira santa, muito útil contra a gastrite.

No entanto, em muitos casos ainda faltam evidências científicas e, por isso, é preciso ter bastante cuidado. Parte das crenças relacionadas a esses tratamentos surgem porque alguém associou a melhora no quadro de saúde à ingestão de um produto e acabou por perpetuar essa informação. Ocorre que, em alguns casos, apostar em um tratamento caseiro pode trazer riscos. Quando não há comprovações científicas, o tratamento pode tanto não surtir qualquer efeito, quanto provocar, exatamente, o contrário, agravando ainda mais a situação.  Além disso, certos tratamentos caseiros podem “mascarar” os sintomas de uma doença mais grave, interferindo no diagnóstico correto e precoce, fator que pode retardar o início do tratamento.

Outra questão potencialmente perigosa diz respeito a pessoas com problemas cardiovasculares, renais e diabéticas. Soluções caseiras apresentadas como “milagrosas” podem surtir o efeito oposto. Além do que, realizar essa substituição em detrimento do tratamento proposto pelo médico é capaz de provocar uma série de complicações graves. Quem busca alívio dos sintomas da dengue no suco de inhame também deve ter cautela. Essa é uma informação muito difundida, especialmente quando há surtos da doença, juntamente com outras soluções caseiras, mas não existem dados científicos que comprovem essa relação, tampouco medicamentos capazes de combater o vírus. Nesses casos, o fígado encontra-se inflamado e o efeito pode ser o contrário, lesionando ainda mais este órgão.

A automedicação é sempre um risco, seja natural ou não. O mais importante é conversar com um médico antes de adotar qualquer tratamento, principalmente se existe a suspeita de um problema mais grave. Afinal, não vale a pena colocar sua saúde em risco!

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