Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Registros Médicos Eletrônicos (EMR) em Clínicas Públicas no Brasil

Giselle Felix
Fisioterapeuta

No ano passado, o governo brasileiro lançou um projeto para modernizar os prontuários de mais de 42 mil clínicas públicas em todo o país até o final de 2018. Estima-se que essa digitalização de dados economize ao governo federal cerca de US $ 6,8 bilhões, segundo o Banco Mundial. No final do ano passado, apenas 30 milhões de brasileiros (de 208 milhões) tinham registros médicos eletrônicos (EMR), e quase dois terços das clínicas da família no Brasil não tinham nenhuma maneira de gravar informações digitais sobre seus pacientes.

Com o slogan: “Com tecnologia, cidadão é melhor atendido”, o capítulo do material do portal do Ministério da Saúde justifica a opção, explicando que através da centralização eletrônica, as trocas entre as informações ficam mais rápidas (Saúde sem papel – SEI). 341.421 operações já foram realizadas, e até o final de 2018, existe a previsão de informatização de todo o sistema de saúde. Entretanto, mais de 23 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS)  ainda não implantaram sequer prontuário eletrônico. Fato este não exclusivo do Sistema Público, nem tão pouco da transformação digital, pois como já dizia Peter Drucker: ” A Cultura come a Estratégia no café da manhã”. A adaptação das pessoas às novas diretrizes precisam ser consideradas nos audaciosos planos de mudar o mundo (mesmo que seja para melhor). Somente dessa forma é possível alcançar uma trilha de sucesso na implantação de projetos disruptivos.

Com essa missão de causar um grande impacto na modernização dos serviços de saúde, existem algumas startups brasileiras bastante atuantes, ajudando os profissionais de saúde a organizar os registros dos pacientes eletronicamente, e armazenar todos esses dados na nuvem e recuperá-los de qualquer dispositivo. O objetivo desse tipo de tecnologia é tornar os serviços de saúde mais eficientes, reduzir custos e melhorar a qualidade do atendimento ao paciente. Com esse intuito, além de usarmos essa tecnologia em muitas partes do Brasil, começamos a espalhar seu uso fora do país. Sob esse aspecto da expansão para outras nações, existem algumas justificativas, dentre as quais, o fato de sermos um país continental com muitos habitantes, o que nos serve de escola para mapear inúmeras adversidades, e outra cracterística importante conhecida mundialmente é o DNA criativo do brasileiro, que nos lança a sermos protagonistas do futuro que desejamos em um ambiente na maioria das vezes, hostil em termos de economia e governo. 

 Outro grande problema causado pela falta de digitalização é que cerca de 70% das prescrições médicas no Brasil têm potencial para erros, segundo a Organização Mundial de Saúde. Como resultado, o Brasil tem milhares de mortes por ano ligadas a erros de medicação. Um bom número deles poderia ser evitado pela digitalização. Nos EUA, mais de 77% das prescrições já são feitas digitalmente. Para abordar essa questão de vida ou morte, existem soluções emergindo com propostas importantes na gestão de e-prescrições no Brasil, ajudando a identificar alergias e interações medicamentosas, facilitando a adesão aos tratamentos econsequente melhora dos resultados de saúde. Isso é possível através de consulta a banco de dados de medicamentos, que precisam ser confiáveis e atualizados.

Certamente, o processo de Transformação Digital na área de saúde no Brasil surgiu em um setor a ser observado, irá ajudar muito nos próximos anos, e estamos apenas na ponta do iceberg em termos de problemas no país a serem resolvidos pela inovação em tecnologia da saúde.

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