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Redução da mortalidade materna é um dos principais desafios na luta pela saúde da mulher

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Por: Equipe da Redação
redacaoobservatorio@gmail.com

Em todo o mundo, a cada 2 minutos, uma mulher morre por complicações relacionadas à gravidez ou parto. No Brasil, pelo mesmo motivo, esses dados chegam a 1.000 mortes por ano. Considerando esse e outros problemas que podem comprometer a saúde feminina, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu 28 de maio, como Dia Internacional da Luta pela Saúde da Mulher. Nessa mesma data, comemora-se no Brasil o Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna, instituído através da Portaria do Ministério da Saúde nº 663/94, com o objetivo de fortalecer ainda mais as ações para melhoria da expectativa e qualidade de vida das mulheres.

De acordo com o médico Renato Augusto Moreira de Sá, vice-presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ), os exames de rotina, são a forma mais efetiva de garantir a prevenção e tratamento precoce das principais doenças que atingem o público feminino.

“O ideal é ir ao ginecologista pelo menos uma vez por ano, e ele vai estabelecer a rotina de exames preventivos necessários. Nós nos habituamos a falar de preventivo considerando apenas o “preventivo” do câncer de colo de útero (Papanicolau). Este deve ser feito anualmente para toda mulher sexualmente ativa. Porém cada faixa etária da mulher tem um padrão de preventivo, por exemplo a realização de mamografia, para o câncer de mama, colonoscopia para o câncer de intestino, entre outros”, explica Dr. Renato.

Mortalidade materna

No Brasil, a morte materna é uma das 10 principais causas de óbitos entre mulheres de 10 a 49 anos. Para Renato, esse problema vai além da responsabilidade individual de cada mulher, ou seja, depende de políticas públicas efetivas para reduzir essa incidência.

“A mortalidade materna é um reflexo do desenvolvimento do país e da qualidade de assistência de saúde. O mais grave é que na maioria das vezes são mortes evitáveis. Dificilmente existe uma causa única quando se analisa a mortalidade materna em uma população. O discurso fácil de apontar uma única causa é um equívoco. As causas passam em linhas gerais pela qualidade de assistência pré-natal e de assistência ao parto. Porém cabe a gestante, buscar a assistência pré-natal de qualidade assim que descobrir que descobrir a gravidez e seguir adequadamente as orientações médicas.

Dentre os principais fatores responsáveis pelas complicações maternas estão: a hipertensão na gestação, hemorragias pós-parto, infecções, aborto e coágulos sanguíneos. Outra razão relevante é o alto número de cesáreas feitas no país, em que mais de 90% dos partos das maternidades privadas são cesáreas e 60% nas maternidades públicas.

Para minimizar a incidência de óbitos maternos no Brasil, o Ministério da Saúde elaborou o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal. Entre as ações que englobam esse planejamento estão: o planejamento reprodutivo, que pode reduzir as complicações em uma gravidez indesejada; o investimento em equipamentos, para melhorar os bancos de sangue e implementação de um rigoroso controle da infecção hospitalar; e a atenção humanizada ao ú e nascimento, incluindo a qualificação de profissionais para atender às urgências e emergências obstétricas. Tais iniciativas têm como objetivo reduzir 5% dos óbitos ao ano e alcançar à meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecida pela OMS, de 20 para cada 100 mil nascidos vivos em 20 anos.

O Ministério da Saúde também criou a Rede Cegonha para proporcionar saúde, qualidade de vida e bem-estar às mulheres durante a gestação, parto e pós-parto. Além disso, o programa acompanha o desenvolvimento da criança até os dois primeiros anos de vida, além de reduzir a mortalidade materna e infantil e garantir os direitos sexuais e reprodutivos de mulheres, homens, jovens e adolescentes.

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