Gestão e economia em saúde

Racionalização do atendimento hospitalar na cidade do Rio de Janeiro

Segundo notícias veiculadas pela imprensa, há uma crise nos serviços de internação hospitalar na cidade do Rio de Janeiro, evidenciada basicamente pelas longas filas de espera e pelas frequentes queixas dos usuários.

Em 2014 (último levantamento), a cidade contava com 12.946 leitos nos hospitais públicos (média de 182 leitos por hospital), e aproximadamente 13.400 leitos na rede privada (média de 79 leitos por hospital ), para atender a 6,32 milhões de habitantes.

Este conjunto assistencial hospitalar é composto por hospitais Federais, Estaduais, Municipais, do Ministério da Saúde, universitários, forças armadas, fundações, Santas Casas, e ONGs. Cada patrocinador opera de forma independente sem nenhuma coordenação que permita otimizar os recursos, tão dispersos. Há, portanto, uma total falta de integração entre as diversas estruturas.

É inconcebível que não se consiga obter a integração das estruturas hospitalares existentes na cidade, com o nobre objetivo de otimizar recursos sempre tão caros e escassos, que trás como consequência enorme prejuízo à população, razão de ser de toda esta engrenagem.

Inadmissível ainda é o fato de existirem duas centrais de regulação na cidade, uma Estadual, e outra Municipal, que além de independentes, não se comunicam corretamente.

Finalmente há também critérios próprios e pouco definidos para a admissão de pacientes nos hospitais federais.

Para que se possa viabilizar um projeto integrador, otimizando-se os recursos hospitalares existentes no Rio de Janeiro, pelo menos quatro ações seriam importantes.

A primeira diz respeito à necessidade de se estabelecer um acordo de relacionamento entre os entes privados e públicos no sentido de interessar a área privada a prestar seus serviços globalmente ao SUS, e assim disponibilizar para a população seus recursos.

Por óbvio entende-se que alguns hospitais privados não aceitem integrar a rede assim constituída.

Por outro lado, seria importante levar em consideração que cada hospital privado tenha sua política própria de admissão. Para fazer frente a esta diversidade de interesses, seria possível firmar um convenio com cada entidade privada, prevendo e respeitando seus critérios de participação na referida rede hospitalar.

A segunda diz respeito à necessidade de se estabelecer critérios que permitam a uniformização de um único sistema de regulação, com critérios e prioridades puramente técnicos, que permitam proceder a correta avaliação das prioridades na hora de contemplar usuários na fila de candidatos a internação.

A terceira seria a criação, em cada hospital componente da rede, de uma central de internação com o compromisso, não só de notificar a central de regulação do movimento diário de internações e altas havidas, como de controlar a média de permanência de cada paciente, dinamizando assim a produção do seu hospital.

E finalmente, a quarta ação seria a criação de um sistema dinâmico de fiscalização da atuação de cada central de regulação intra-hospitalar, para o aperfeiçoamento do sistema, e para correção de desvios eventualmente encontrados, a ser fiscalizada preferencialmente pelo CRM-RJ, preservando-se assim os critérios eminentemente técnicos e éticos nelas adotados.

Objetivo final seria o de dinamizar o sistema de internação e, se possível reduzir, senão, acabar com as terríveis filas de espera para internação de pacientes, muitas vezes em processo de intenso sofrimento.

Fonte: José Carlos Góes – Consultor em Gestão

Um comentário em "Racionalização do atendimento hospitalar na cidade do Rio de Janeiro"

  1. Márcio Meirelles disse:

    Agências de controle e fiscalização costumam apontar a área da Saúde como uma das mais sujeitas a desvios e corrupção. É claro que isso deve ser coibido, na saúde e em todos os setores. Mas, as perdas raramente avaliadas são aquelas devidas à desorganização do sistema de saúde. O artigo do Dr. José Carlos Góis traz propostas objetivas, valiosas e relativamente simples para estancar essa lastimável perda de recursos. Mas, para isso é preciso que haja vontade política e priorização do interesse público.

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