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Queda da taxa de mortalidade infantil no Brasil: um dos principais responsáveis é o Programa Nacional de Imunização

Close up of pre-teen friends in a park smiling to camera
Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

O relatório de 2020 de Mortalidade Infantil do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado em setembro deste ano, mostrou que a taxa de mortalidade de crianças e adolescentes no Brasil atingiu uma redução histórica. A entidade separou os dados em três categorias: neonatal, crianças de até 5 anos e adolescentes. Na primeira delas, o Brasil apresentou uma redução significativa, mas que ainda pode melhorar.

Infelizmente, os recém-nascidos são os que apresentam maior risco de morte. Em 2019, um bebê recém-nascido morria a cada 13 segundos no mundo, segundo dados do Unicef. Já os adolescentes são muito acometidos por causas externas, como morte por violência, acidentes (principalmente de automóvel), afogamento e armas de fogo.

A diminuição dessa taxa se deve a uma série de fatores: melhora das condições sanitárias, aumento de informação em relação aos cuidados na primeira infância, redução do número de desnutridos e um maior número de clínicas da família. Mas, para a Dra. Kátia Telles Nogueira, Presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj), um dos grandes responsáveis por esse cenário positivo, sem dúvida, é o Programa Nacional de Imunização.

A queda da taxa de mortalidade infantil, obviamente, é uma ótima notícia para o Brasil. Porém, conforme declarou a especialista, é importante manter-se atento, pois, se não houver algumas medidas como, por exemplo, a preocupação com a vacinação infantil (que está em queda principalmente por causa da pandemia), esses números podem voltar a subir.

— A vacinação tem um papel essencial para o controle das doenças imunopreveníveis. Os avanços da Medicina ocorridos nos últimos anos, principalmente no que diz respeito à utilização de novos medicamentos com ação imunodepressora, têm determinado um incremento no número de pessoas com doenças crônicas e com maior susceptibilidade a infecções imunopreveníveis. Neste cenário, a imunização desses pacientes e de seus conviventes (domiciliares e hospitalares) constitui-se em importante medida para reduzir a sua morbimortalidade — informou Dra. Kátia Telles.

Além disso, existe uma preocupação com a piora dos serviços de atendimento no mundo devido à pandemia de Covid-19. Sobre o assunto, a médica afirmou que no Brasil houve interrupção em muitos serviços de saúde, porém esse não foi o único fator.

— Devido ao isolamento social, os próprios pais evitavam procurar atendimento médico por medo de infecção, restrições de transporte, suspensão ou encerramento de serviços de atenção primária e de puericultura. Isso também é verdadeiro e preocupante em relação à baixa cobertura vacinal — disse.

Com o objetivo de conscientizar especialistas e o público em geral sobre a importância de não adiar a vacinação por causa do novo coronavírus, a SBIm — em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Unicef — realizou em junho a campanha “Vacinação em dia, mesmo na pandemia”.

A volta de doenças erradicadas é um retrocesso inaceitável e extremamente frustrante que precisa ser combatido. Nesse Dia das Crianças, é importante lembrar que quem ama, cuida, e a melhor forma de cuidar da saúde dos pequenos é mantê-los com a vacinação em dia.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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