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Quarentena: como contornar problemas de coluna durante esse período

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

O Google Trends, ferramenta de análise de tendências do buscador Google, apontou um aumento de 76% nas buscas por “dor nas costas” desde o dia 26 de fevereiro deste ano. Especialistas sugerem que a adoção do trabalho em formato home office e as aulas remotas — realizadas de forma on-line —, que vieram com o distanciamento social, promoveram o surgimento ou agravaram lesões e dores na coluna. Para Dr. Carlos Eduardo Antonelli Franklin, Presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia no Estado do Rio de Janeiro (SBOT-RJ), o aumento dessas queixas já era esperado.

— As dores na coluna, principalmente na região lombar, aumentaram nesse período de distanciamento social. A falta de atividade física ou a realização delas sem orientação de um profissional, além dos os longos períodos sentados em home office, são fatores desencadeantes dessas dores — afirmou.

Em relação à atividade física, com o fechamento de academias e centros esportivos, muitas pessoas ficaram sedentárias. Sobre isso, o especialista ressaltou a importância de criar uma rotina de exercícios regulares, visando manter o entusiasmo para a realização dessas atividades. Para isso, inclusive, foram disponibilizados vários programas pela internet que orientam como se exercitar dentro de casa, em vários níveis.

Sobre as longas horas trabalhando em casa de forma remota, o médico enfatizou que existem inúmeras formas de minimizar esse problema.

— São importantes: o alongamento pela manhã, a utilização de mobiliários adequados e evitar períodos prolongados na mesma posição, observando sempre os vícios posturais. É essencial também levantar-se regulamente para que haja mudanças posturais, prevenindo problemas — orientou.

Para as pessoas que já sofrem com problemas, como hérnia de disco, lordose, escoliose, bursite, tendinite etc, o melhor a fazer, de acordo com o Dr. Carlos Eduardo Antonelli, é entrar em contato com o médico ou o fisioterapeuta que acompanha o paciente e tentar que alguns exercícios, feitos em clínicas, possam ser adequados para serem realizados em casa. Essas práticas, além de minimizarem as dores provocadas por essas patologias, podem servir como medida preventiva para processos de agudização (nome dado quando o quadro de uma doença crônica se torna agudo).

A ida a hospitais durante a pandemia deve ser apenas em casos de extrema necessidade. Se crises de dor não puderem ser evitadas, tenha sempre a medicação que costuma fazer uso à mão.

— Procure não deixar faltar o remédio que está acostumado a tomar em caso de dor. Quadros excepcionais devem ser comunicados ao ortopedista que acompanha o paciente. Além disso, os planos de saúde têm disponibilizado as teleconsultas, que podem ser utilizadas e em alguns casos — informou Dr. Carlos Eduardo Antonelli.

Para o especialista, existe outro fator responsável pelo surgimento ou agravamento de problemas na coluna: o emocional. Segundo ele, noites mal dormidas, preocupação com possíveis problemas profissionais e dificuldades financeiras podem desencadear crises de dor.

O sedentarismo também deve ser combatido, uma vez que oferece riscos para a saúde. Para o especialista, é fundamental evitá-lo.

— Pequenas mudanças de hábito já são suficientes, como optar por subir de escada ao invés do uso do elevador. Converse com seu médico sempre, pois ele é a pessoa mais indicada para te aconselhar. Várias patologias podem ser agravadas com atividades realizadas sem orientação. Lembre-se que você não está competindo. O importante é apenas evitar o sedentarismo e as complicações que ele traz, como as temidas dores nas costas — concluiu.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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