Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Prescrição de Jogos como Tratamento Médico

Giselle Felix
Fisioterapeuta

A ludicidade, gamificação e jogos são algumas partes importantes do valor que pode ser agregado à cadeia de distribuição de saúde. Em 2019, em alguns lugares do mundo, segundo anunciado na Conferência Games for Health Europe que aconteceu na Holanda nos dias 8 e 9 de outubro, as companhias de seguro saúde irão reembolsar os pacientes quando os jogos forem prescritos por médicos. Que inovação!

Provedores de saúde, principalmente de Atenção Primária, estão cada vez mais dispostos a substituir alguns tratamentos existentes, por prescrição de jogos e outras atividades de caráter preventivo, que possam substituir as recomendações tradicionais com o objetivo de ajudar a criar um novo hábito. Por exemplo, se toda vez que um paciente sofrer de enxaqueca ele apenas for medicado para tratamento do sintoma imediato e não receber recomendações que possam ajudá-lo a dormir melhor, ter momentos de lazer, praticar atividade física, cada vez estará mais distante da prevenção, e fatalmente entrará no ciclo vicioso novamente: stress – dor de cabeça – medicamento.

As principais vantagens de se usar jogos como ferramenta da atenção primária à saúde é que eles são divertidos, seguros e não invasivos, e características como essas estão fazendo com que a utilização de jogos com essa finalidade crie um novo episódio nos cuidados de saúde.

Durante a Conferência GFHEU 2018, foram apresentados resultados de jogos de impacto positivo na vida das pessoas, além de alguns lançamentos. Falou-se da oportunidade ampliada de criar jogos que possam ajudar também pessoas que precisam de cuidados em função de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, por exemplo, sendo este um dos desafios apontados. Os desenvolvimentos e inovações que caracterizam essa indústria, tornam os jogos um elemento crítico de mudança nos nossos sistemas de saúde além de desafiar as visões equivocadas e negativas sobre jogos. O evento que acontece há 8 anos já teve participação do Polo de Jogos e Saúde da Fiocruz em seu histórico de edições e este ano contou, apesar da submissão recorde de projetos do mundo inteiro, com a participação de dois projetos brasileiros, um do Rio de Janeiro e outro de São Paulo. A organização informou que o Brasil está no roteiro de expansão do evento nos próximos anos. As mesmas instituições cariocas, neste ano participaram também do Painel de Jogos e Saúde durante o Big Festival, maior evento de jogos independentes da America Latina, durante o primeiro semestre deste ano.

A administração dogmática de procedimentos padrão não é o que os profissionais de saúde são treinados. Os profissionais de saúde são instruídos, treinados e legalmente autorizados a desviar-se de um protocolo, com total autonomia para prescrição segundo a clínica médica apresentada. Essas são as características dos grandes médicos, não das máquinas, não das questões de privacidade e não dos procedimentos. Nós, seres humanos, definimos cuidado, saúde e felicidade. Se o atendimento fosse sempre centrado no paciente, precisaríamos de mais jogos de sucesso na Saúde para nos ajudar a seguir em frente, e menos tratamentos hospitalares e internações.

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