Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Precisamos falar sobre uma Receita Médica Digital

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Hoje em dia, quase tudo que fazemos é digital: serviço de banco, transporte, comunicação, educação… na área de Saúde, caminhamos de forma tímida, e existe uma explicação para isso: estamos lidando com a vida humana. Todas as medidas nessa direção precisam ser controladas em ambiente ético, e busca-se o embasamento científico para a assertividade das ações que desejamos alcançar. Uma direção em que a área de saúde está caminhando é  para que a receita médica seja digital e um bom motivo para isso é que segundo a Organização Mundial da Saúde, até 75% das prescrições médicas realizadas possuem chance de erro.

Estima-se que erros em medicação afetem 50 mil pessoas por ano no Brasil, causando pelo menos 1 morte por dia e 39% desses erros são relacionados a problemas no momento da prescrição. Em estudo realizado em um hospital universitário americano, identificou-se erros na administração de medicamentos em quase 80% dos pacientes do grupo de controle. De 12 tipos de falhas classificadas, estavam presentes receitas erradas ou mal interpretadas (muitas vezes por estarem ilegíveis), falta de prevenção a alergias ou interações medicamentosas, erros de dosagem, etc.

Mundialmente, o custo associado aos erros de medicação foi estimado em US$ 42 bilhões por ano ou quase 1% do total das despesas de saúde globais, segundo a OMS. Não são dados difíceis de acreditar. Quem nunca ficou em duvida sobre qual medicamento comprar ou detalhes do tratamento prescrito em função da letra ou linguagem utilizados?  Além do erro humano, o baixo nível de segurança do modelo em papel permite fraudes que causam prejuízos financeiros e riscos ao sistema de saúde ao colocar no mercado medicamentos controlados cujo uso indiscriminado podem causar dependência química e morte.

Existe farta literatura apontando os riscos ao paciente e custos aos sistemas de saúde relacionados a gestão de documentos médicos em papel. Mas os benefícios da adoção de um sistema digital e integrado de prescrição e dispensação de medicamentos vão além da segurança do paciente, e passam por ganhos de eficiência logística, conforto e melhoria na adesão ao tratamento, controle preciso, detalhado e automatizado do fluxo de prescrição e dispensação de medicamentos.

No processo de prescrição, os sistemas digitais oferecem aos prescritores ferramentas importantes de redução de erros como banco de dados de medicamentos, ferramentas de alertas de interação medicamentosa, alérgica ou erro de dosagem. Acrescentando o uso de assinatura digital no padrão ICP Brasil (MP 2.200-2 de 24/08/2001), que confere a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica, temos a garantia da identidade do prescritor e de que o documento não foi alterado após sua assinatura. Desta forma, reduzimos expressivamente ocorrências de fraude, falsificação ou adulteração destes documentos.

Entregando estes documentos eletrônicos às farmácias e drogarias, damos mais segurança ao farmacêutico da correta interpretação do tratamento, facilitando não apenas a dispensação do medicamento, mas também o controle do fluxo de drogas controladas que deve ser feito junto às Vigilâncias Sanitárias. Ao automatizar diversas etapas do processo, os profissionais especializados (médicos e farmacêuticos) dedicam melhor seu tempo à atenção ao paciente e acompanhamento do tratamento.

Por último e não menos importante, a migração de um sistema offline para um sistema online, permite a gestão mais eficiente de importantes dados de saúde pública (big data) e individual (small data) relacionados aos tratamentos médicos medicamentosos, com a indicação de desvios importantes (outliers) como excesso de indicação de determinados medicamentos pelo prescritor, ou até mesmo o excesso de unidades de medicamento prescritas para um mesmo paciente, indicando possível adição química ou até mesmo desvio de medicamentos para revenda ilegal.

Estes sistemas de receita médica digital devem caminhar associados às boas práticas de segurança e proteção de dados, interoperabilidade (ou seja, devem se comunicar com outros sistemas), para trazer informações integradas de todo o histórico e jornada de saúde do paciente, fornecendo aos profissionais informações que permitirão a indicação mais precisa de tratamentos, aumentando a eficiência, e reduzindo riscos ao paciente.

E se já temos tantas ferramentas e benefícios, o que falta para trazer nossas prescrições médicas ao século atual? Precisamos falar mais sobre isso! Pois ao final do dia, teremos retornado à nossa rotina digital, e continuaremos a lidar de forma ineficiente com a papelada da gestão do nosso maior bem: a nossa saúde.

Colaborou com esse artigo Ihvi Maria Aidukaitis, veja a publicação na íntegra em: https://www.linkedin.com/pulse/prescri%C3%A7%C3%B5es-m%C3%A9dicas-e-o-s%C3%A9culo-21-ihvi-maria-aidukaitis/

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