Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Por que os Dados são a nova Tendência no Setor de Saúde?

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Cada vez mais, os dados de saúde mostram sua relevância ao trazer as informações necessárias que permitem aos pesquisadores desenvolver mais medicina preditiva, e aos médicos prever como os pacientes responderão aos tratamentos.

As diretrizes e experiências clínicas foram transformadas em algoritmos computadorizados para apoiar médicos na busca por tratamentos ideais, pois passam a obter melhores informações sobre o perfil genético dos seus pacientes, o estágio da doença e os tratamentos disponíveis para os respectivos problemas de saúde. Isso é possível acontecer à medida que os conjuntos de dados clínicos e financeiros mais tradicionais são acompanhados por dados gerados pela Internet das Coisas (IoT), os resultados relatados pelos pacientes, e uma ampla gama de novas fontes de dados genômicos, transcrições gênicas, tradução e sínteses de novas proteínas, dados de microbiota e dados epigenéticos, permitem à indústria obter retratos extraordinariamente detalhados de indivíduos e populações. Dessa forma, médicos e autoridades de saúde passam a ser capazes de transformar diagnósticos e tratamentos, além de melhorar os resultados e a produtividade da área de saúde, a partir dos dados sobre assistência médica e social. Com o uso de dados, as empresas farmacêuticas podem colaborar plenamente com pacientes e sistemas de saúde, para desenvolver melhores tratamentos, lançá-los mais rapidamente e precificá-los de acordo com as melhorias nos resultados de saúde.

Segundo as Previsões para o mundo de 2022 no setor de Life Sciences & Health Care,  publicado em novembro de 2017 pelo Deloitte Centre for Health Solutions, os pacientes deterão seus próprios dados de assistência médica e social e consentirão sua utilização, pois ficará compreendido que os dados de saúde proporcionarão sucesso financeiro através da redução das despesas medico-hospitalares pela assertividade das condutas clínicas, permitindo análises preditivas, suporte às decisões clínicas em tempo real, medicina de precisão e gestão proativa da saúde populacional, impulsionados por rápidos avanços no método de aprendizado de máquina.

Se as previsões estiverem corretas, e há evidências de que caminhamos para isso, os sistemas de saúde irão capitalizar o valor das fontes de dados, monetizados em benefício de todos. Além disso, os profissionais de Saúde unirão seus dados para transformar a Assistência, com informações precisas do mundo real. Médicos e outros clínicos aperfeiçoarão o QI digital e as habilidades na prática de análises. Quanto às empresas farmacêuticas, estas se valerão da Ciência de Dados, para desenvolver capacidades atuariais e firmar parcerias para utilizar dados e análises em toda a cadeia de valor.

Evoulindo neste raciocínio, é possível prever movimentos de comunidades de pacientes online crescendo, fornecendo dados de colaboração coletiva (crowdsourcing), com sistemas de classificação de produtos, serviços e profissionais, como já existente no modelo de “uberização”. Em uma etapa seguinte, as práticas de Advanced Analytics serão aplicadas às mídias sociais para entender os resultados de tratamentos, permitir adaptação em tempo real dos serviços e emitir alertas antecipados sobre epidemias. O envolvimento dos consumidores com seus dados resulta em melhor aderência à medicação e gestão de doenças crônicas, e fornece aos profissionais um retorno claro sobre os investimentos.

O uso de tecnologias como blockchain, que já não são novidade, cada vez mais se consagram como formas de proteção da privacidade e da segurança, diminuindo evolutivamente as barreiras das organizações de saúde, Governos e Academias, que impediam o compartilhamento de dados. Recentemente, as implicações fiscais e jurídicas da propriedade e compartilhamento de dados foram esclarecidas com uma revisão na legislação. Por conta disso, o uso de dados nas decisões da Food and Drug Administration (FDA) e European Medicines Agency (EMA) foram esclarecidos e abrangem inclusive tópicos de big data, como dados de mídias sociais e saúde móvel; dados genômicos e genéticos; dados de estudos clínicos e dados de imagens clínicas e radiológicas, além de reações adversas a medicamentos. A Lei Geral de Proteção de Dados, que foi aprovada recentemente no congresso nacional e está aguardando sansão presidencial, foi inspirada na Européia GPDR (Norma Européia de Proteção de Dados Pessoais) e preserva muitos dos seus conceitos.  Outro exemplo foi a introdução do HL7 Fast Healthcare Interoperability Resource (FHIR) em 2017, padrão para troca de informações na internet, que auxiliou as organizações na resolução de problemas de dados e abriu caminho para workflows integrados, suporte às decisões clínicas e engajamento de pacientes. Dessa forma, conexões mais firmes entre os serviços de saúde e serviços sociais melhoraram a colaboração e o acesso a dados sobre os determinantes sociais de saúde, e a tendência é que a colaboração aumente ainda mais.

Um comentário em "Por que os Dados são a nova Tendência no Setor de Saúde?"

  1. Isis Breves disse:

    Dados são o futuro da gestão em saúde! Excelente tema

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