Notícias

Perspectivas da Atenção Primária na saúde do Rio

WhatsApp Image 2017-10-02 at 11.22.51 (1)

Por: Equipe da Redação
redacaoobservatorio@gmail.com

A Atenção Primária – que hoje no Brasil é representada, quase que em sua totalidade, pelas Clínicas da Família – é um dos principais pilares da saúde pública de um país. Quando esse sistema funciona de forma satisfatória, é possível não só prevenir doenças, como também impedir o agravamento de diversos problemas de saúde, além de reduzir os gastos financeiros na área.

Pensando nisso, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) promoveu, na quinta-feira (28), uma conferência sobre as “Perspectivas da Atenção Primária no Município do Rio de Janeiro”.  O evento foi comandado pelo responsável da Câmara Técnica de Medicina da Família e Comunidade do CREMERJ, Pablo Vasques, que dividiu as apresentações com o assessor especial da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), Alexandre Campos Pinto Silva, o superintendente de Atenção Primária da SMS-RJ, Leonardo Graever e o presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade (AMFaC-RJ), Moisés Vieira Nunes.

Moises Vieira destacou que, em muitos aspectos, o Rio de Janeiro está avançando de maneira significativa nessa área, e que prova disso é o número de médicos da família que estão migrando de outros estados para trabalhar no Rio. Mas explicou que os atrasos nos salários e a ausência da verba necessária gera insegurança e, consequentemente, compromete a qualidade do serviço.

“Em algumas unidades percebemos a ausência de insumos básicos como papéis para impressão de documentos. Esse fator somado aos atrasos nos salários tende a deixar os funcionários receosos e pode desmotivá-los. A ideia da AMFaC-RJ não é se opor ao governo, e sim propor soluções com  base naquilo que observamos que pode ser feito”, ressalta.

O presidente da AMFaC-RJ apresentou também uma carta direcionada à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro apontando estratégias para melhorar a manutenção das Clínicas da Família.

O assessor da SMS-RJ, Alexandre Campos, disse que avaliou a carta da Associação e, segundo ele, as ideias são pertinentes e com o direcionamento correto é possível alcançá-las. Entre as proposta contidas no documento está o aprimoramento do Programa de Residência em Medicina da Família e Comunidade, que prepara profissionais para atuarem na área.

“Nós entendemos e concordamos com o argumento da AMFaC-RJ de que médico e enfermeiros mais bem qualificados conseguem chegar a diagnósticos de maneira mais precisa. Esse fator reduz os números de solicitação de exames desnecessários, reduzindo também os gastos financeiros”, explica  o assessor.

 

 

As Organizações Sociais (OSs) na Atenção Primária

No debate aberto ao público, o vereador Paulo Pinheiro, integrante da Comissão de Higiene, Saúde Pública e Bem Estar da SMS-RJ, disse que muitos dos problemas orçamentários ligados a Atenção Primária estão relacionados a terceirização, através das Organizações Sociais (OSs), que entidades sem fins lucrativos que atuam em setores estratégicos da Administração Pública.  

O vereador argumentou que “As OSs custam muito caro por inúmeros motivos. Além disso, não há total transparência sobre os contratos que essa organizações fazem com outras empresas que envolvem valores muito altos”.

O diretor executivo do Observatório da Saúde RJ, Dr. Marcio Meirelles, que acompanhou o debate, contou que diante de tudo que foi exposto ficou claro que é preciso uma estratégia melhor elaborada com relação as OSs. O médico contou também que preparou uma carta destinada ao secretário municipal de Saúde, Marco Antônio de Mattos, propondo um modelo de gestão para as OSs similar ao da Empresa Pública de Saúde RioSaúde, que exerce um papel semelhante ao dessas organizações, porém com gastos menores e maior resolutividade.

“Tendo visitado uma das UPAs gerenciadas pela RioSaúde e constatado, in loco, a excelência da gestão exercida pela RioSaúde, o Observatório tomou a iniciativa de encaminhar ao secretário a sugestão de convidar os dirigentes da RioSaúde a colaborarem nos esforços da SMS-RJ em fazer mais gastando menos. Ou seja, reduzir as despesas com as OSs sem prejudicar a qualidade do atendimento nas unidades de Atenção Primária por elas administradas”, finalizou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *