Dr. Newton Richa

Cultura de Saúde

Por Dr. Newton Miguel Moraes Richa – Médico do Trabalho

Os benefícios econômicos de uma população mais saudável

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Existem fortes argumentos econômicos para que os governos invistam na saúde da população. O relatório, publicado em 2001 pela Comissão de Macroeconomia e Saúde da OMS – Organização Mundial de Saúde, demonstrou que uma população mais saudável pode trazer benefícios econômicos substanciais para países em desenvolvimento como o Brasil. Segundo o documento, cerca de 50% do diferencial de crescimento entre países ricos e pobres se deve à maior prevalência de doenças e menor expectativa de vida da população.

Os benefícios para a economia ocorrem também nos países desenvolvidos. Em 2005, uma revisão das estatísticas dos países de alta renda concluiu que há evidências consideráveis ​​e convincentes de que benefícios econômicos significativos podem ser alcançados melhorando a saúde da população não apenas nos países em desenvolvimento, mas também nos desenvolvidos. Os benefícios econômicos resultam de maior produtividade, maior oferta de mão de obra, melhores qualificações em virtude de maior educação e treinamento e mais recursos disponíveis para investimento em capital físico e intelectual.

As relações entre economia e saúde passaram a ser consideradas no desenvolvimento de uma estratégia de saúde para a União Europeia em 2004. O segundo dos quatro princípios da estratégia Juntos pela Saúde (Together for Health), adotada em 2007, tem a seguinte redação: “A saúde é a maior riqueza. A saúde é importante para o bem-estar dos indivíduos e da sociedade, mas uma população saudável é também um pré-requisito para a produtividade e prosperidade econômica”.

Os pesquisadores assinalam que a esperança de vida saudável e não apenas a esperança de vida é o fator-chave do crescimento econômico e sugerem o indicador Anos de Vida Saudável para sublinhar esta distinção. Programas efetivos de SST (Saúde e Segurança do Trabalho) podem contribuir para o aumento dos anos de vida saudável da população por meio da redução do número de pessoas que se aposentam precocemente ou estão incapacitadas para o trabalho, em virtude de lesões resultantes de acidentes ou doenças do trabalho; redução dos custos de assistência médica e de assistência social, decorrentes de lesões causadas por acidentes e de doenças do trabalho; e maior capacidade das pessoas para o trabalho, resultante de medidas de promoção da saúde e de prevenção de doenças; e aumento na utilização de melhores métodos e tecnologias de produção.

Numerosos estudos mostram que as pessoas e as sociedades saudáveis são mais produtivas. Pesquisas realizadas em empresas indicam que o alto desempenho em SST pode aumentar a produtividade por meio de melhoria da produtividade resultante de menos desperdício, menos paradas no ciclo de produção e maior rendimento dos processos; fabricação de produtos de melhor qualidade; incentivo às empresas para que desenvolvam métodos de trabalho mais produtivos em substituição a práticas antigas; e substituição de tecnologias e equipamentos antigos pouco produtivos.

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