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O tabagismo é uma doença e precisa de tratamento médico

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

O hábito de fumar está presente na sociedade há séculos, sendo, por muito tempo, associado a poder e elegância. No cinema, por exemplo, o cigarro estava sempre entre os dedos dos personagens mais relevantes, bem sucedidos e sedutores. Com o passar dos anos, o hábito se tornou tão popular que uma indústria gigantesca foi formada exclusivamente para a área do tabagismo. Contudo, o tempo também trouxe avanços na área da ciência e da Medicina, o que possibilitou a constatação de que fumar não é saudável e acarreta problemas seríssimos para a saúde.

Estima-se que 20% da população mundial seja fumante, isto é, mais de 1 bilhão de pessoas que possuem dependência, tanto física quanto psicológica, de uma substância presente na constituição do tabaco: a nicotina, tipo de droga que causa um vício severo em seus usuários. Segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2019, no Brasil, o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais é de 9,8% da população geral, sendo 12,3 % entre homens e 7,7 % entre mulheres.

Partindo do princípio de que o tabagismo é uma doença e precisa de tratamento médico, Vera Borges, psicóloga membro da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), declarou que o primeiro passo para abandonar o vício é reconhecer o tabagismo como uma enfermidade que pode levar a uma série de outras doenças. Após tomar essa consciência, é necessário começar a trabalhar na perspectiva de que deixar de fumar é preciso. Inicialmente, é aconselhável reduzir a quantidade de cigarros fumados diariamente, como forma de ganhar confiança e aprender a recondicionar o tabaco de sua rotina diária, até estabelecer uma data para deixar de fumar. A ajuda profissional tornará esse processo mais organizado e menos difícil.

Além dos problemas já conhecidos, como doenças cardiovasculares, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, câncer de pulmão, de laringe, faringe, etc, o tabagismo também pode levar a perda dos dentes, problemas gengivais, impotência sexual e redução das capacidades cognitivas.

Muitos tabagistas alegam que parar de fumar é algo praticamente impossível. Sobre isso, Vera Borges explicou que a vontade de fumar é o que caracteriza a dependência química do tabaco e deu algumas dicas de como iniciar o processo de abandono da prática.

— É esperado que os primeiros dias sem o cigarro sejam marcados por repetidas vontades de fumar. Ajuda realizar exercícios respiratórios de relaxamento, beber água, comer uma fruta, conversar com alguém. Enfim, fazer qualquer movimento capaz de distrair essa vontade — orientou.

A psicóloga também informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento em suas unidades de saúde. Segundo ela, a abordagem tem como base orientações para parar de fumar e desenvolver habilidades para permanecer longe do vício. Além disso, quando necessário, existe o apoio medicamentoso.

Se engana quem acredita que a luta é apenas dos fumantes ou daqueles em fase de manutenção (período quando o indivíduo já está há meses sem fumar). Família e amigos podem — e devem — ajudar nesse processo.

— Pessoas próximas podem ajudar dando apoio, fornecendo o endereço de uma unidade do SUS que oferece tratamento e tendo paciência e empatia quando o fumante estiver irritado. A possível irritação surge devido à retirada da nicotina, que pode provocar síndrome de abstinência — explicou Vera Borges.

Parar de fumar proporciona incontáveis benefícios quase que imediatamente, como: após 20 minutos sem fumar, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal; após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue; depois de 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza; de 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor; e após 2 dias, o olfato e o paladar também melhoram.

Os benefícios se somam produzindo mais saúde e reduzindo o risco de doenças, como câncer e problemas cardiovasculares. Há também um resgate de qualidade de vida, além da eliminação de gasto financeiro com um produto que só traz prejuízos à saúde.

Este ano, segundo a especialista, a campanha de combate ao fumo será voltada para o tema “Tabagismo e Coronavírus (Covid-19)”, pois o tabagismo pode contribuir para o agravamento da doença no organismo do usuário. O ato de fumar provoca constante contato dos dedos com os lábios, aumentando a possibilidade de transmissão do vírus para a boca, além do comprometimento da capacidade pulmonar.

 

Brasil é referência na luta contra o tabaco

Felizmente, o número de brasileiros que mantém o hábito de fumar apresentou uma expressiva queda nas últimas décadas em função das inúmeras ações desenvolvidas pela Política Nacional de Controle do Tabaco. Isso tornou o Brasil um dos primeiros países do mundo a alcançar o mais alto nível das seis medidas MPOWER de controle do tabaco. Ou seja, o país conseguiu implementar as melhores práticas no cumprimento das estratégias preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Desde 1997, o Inca é o Centro Colaborador da OMS para o Controle do Tabaco, integrando o conjunto de 14 centros na área de tabaco no mundo, sendo o único na América Latina.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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