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O que podemos esperar do “novo normal”

First Case of COVID-19 Caused by Coronavirus in Brazil
Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

Ainda não sabemos exatamente quais serão as consequências que a pandemia de Covid-19 trará para a humanidade. Algumas pessoas, inclusive, já chamam o período pós-pandêmico de “novo normal”. Mas o que isso significa?

Coisas simples que nem pensávamos a respeito, agora, ganham uma nova dimensão: idas a mercados, shoppings, restaurantes, academias, parques etc, não serão mais as mesmas. É provável que se crie os hábitos de frequentar esses ambientes em horários mais vazios, de portar sempre álcool em gel, bem como lavar as mãos frequentemente, evitando tocar olhos, nariz e boca. Até mesmo o distanciamento físico, por exemplo, pode ser algo que veio para ficar.

Em casa, é possível que alguns costumes criados durante a pandemia também permaneçam, como a de tirar o calçado na porta, lavar as mãos imediatamente ao chegar e higienizar os itens comprados. É esperado também que se adote o hábito de evitar contatos físicos frequentes, especialmente com pessoas com sintomas de gripe ou resfriadas, e o de cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, usando lenços de papel ou o antebraço e não nas mãos, que são importantes veículos de contaminação.

Durante a pandemia do novo coronavírus, muitas empresas têm sofrido – e muito – com o impacto. Setores inteiros, como o aéreo, o turismo e o entretenimento praticamente pararam. Outros ramos se viram obrigados a reconfigurar seu modo de trabalhar e pensar em novas alternativas. Foi assim que o home office, um formato de trabalho já existente e conhecido, ganhou muita força. Algumas empresas, como o Twitter e o Facebook, já sinalizaram que o trabalho remoto veio para ficar.

Especialistas apontam, inclusive, que o home office pode trazer uma maior produtividade para as empresas. Primeiro, porque a comodidade e a flexibilidade de trabalhar em casa podem unir a vida profissional e a pessoal. O segundo ponto que contribuiu para o aumento da produtividade é o fato de que, em casa, os profissionais começam a trabalhar mais cedo, almoçam rapidamente e continuam trabalhando sem ter hora para terminar o expediente. O terceiro motivo é o medo do desemprego. Com uma economia turbulenta e instável, a falta de horizonte do fim da pandemia e a incerteza do impacto disso tudo levam os colaboradores a se dedicarem mais.

O cenário pandêmico refletirá ainda nos transportes coletivos. Vários modais devem ser revistos para promover deslocamentos com menor acúmulo de pessoas. Além disso, há uma estimativa da ampliação de ciclovias para facilitar a circulação das pessoas sem aglomerações, seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde.

Para o setor de alimentação, as projeções apontam que o delivery estará ainda mais presente na vida dos brasileiros. De acordo com estudos da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), a compra de alimentos e bebidas para consumo imediato cresceu 79%. O uso dos aplicativos de entrega aumentou significativamente nesse período. O Uber, por exemplo, está registrando mais pedidos de delivery do que de transporte de pessoas e a expectativa é de que isso permaneça após a pandemia. Ainda sobre o mercado alimentício, outra aposta é as chamadas dark kitchens (cozinhas fantasmas). Não muito conhecido no Brasil, o conceito de cozinha fantasma surgiu com a popularização dos aplicativos de entrega de comida. Também conhecidos como “restaurantes virtuais”, eles só existem no mundo digital, não existindo loja física para receber clientes.

O setor de saúde deve se preparar para as novas medidas pós-pandemia. É importante que as organizações da área compreendam os impactos dessas prováveis mudanças para rever os modelos de negócio, operação e tecnologia. A telemedicina é um exemplo, pois tanto os prestadores de serviços como as operadoras de planos de saúde vão maximizar sua aplicação, indo além das consultas médicas de rotina, agregando uma gama maior de serviços de assistência, prevenção e diagnóstico.

Além disso, clínicas e consultórios médicos precisarão manter as medidas de biossegurança: práticas de higiene e limpeza redobradas, uso adequado de equipamentos de proteção e melhor administração do agendamento de pacientes – mantendo um intervalo seguro entre as consultas, para evitar aglomeração na sala de espera.

Possivelmente, existirão também novas abordagens na chegada do paciente, como: o uso de propé (sapatilhas descartáveis de TNT), medição de temperatura, orientação para a lavagem das mãos, distanciamento entre os assentos e álcool em gel à disposição na recepção.

A pandemia do novo coronavírus é diferente de todas as crises anteriores. Ela nos assusta pela fraqueza da saúde pública, pela letalidade do vírus e pela “roleta russa” que ele representa, sendo absolutamente democrático. Além disso, a imprevisibilidade do tempo que a pandemia durará, o medo da falta de dinheiro, o temor da falência, as dúvidas sobre o futuro, a convivência maior com a família e o excesso de tempo passado em casa, colocou a vida sob um novo prisma, o que fez muitas pessoas começarem a buscar novos propósitos e estilos de vida.

De acordo com a Folha de São Paulo, uma pesquisa realizada pela FSB/CNI mostra que 30% dos brasileiros farão exatamente como antes da pandemia, 26% pretendem ter uma rotina totalmente diferente, sobrando 44% que preveem futuros alternativos. Nos resta esperar para saber o que o “novo normal” nos reserva.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

Um comentário em "O que podemos esperar do “novo normal”"

  1. Claudio Vieira disse:

    No novo normal a atenção as pessoas menos favorecidas tem que ser ampliada. Foco no emprego para que as pessoas possam trabalhar e sustentar suas famílias.
    No novo normal, o meio ambiente tem que ser protegido, isso trará recursos externos para aquecer nossa economia, quem defende “passar a boiada”, deve ser excluído de cargos públicos.
    No novo normal, o SUS tem que ser fortalecido, pois provou sua força nesse período de pandemia. Os Planos de Saúde (que ao contrário de vários segmentos da sociedade, omitiram qualquer ajuda aos menos favorecidos durante a pandemia) terão que se reinventar e entregar melhores resultados, pois não poderão mais cobrir sua ineficiência somente repassando aumentos anuais.
    No novo normal, a educação terá novas ferramentas para ensino desenvolvidas durante a pandemia.
    No novo normal, presidentes, primeiras damas, deputados, senadores , autoridades e as classes mais altas da sociedade, também se contaminam, mesmo tendo o saneamento básico e água potável em suas casas.
    No novo normal, quem for inteligente vai entender que, embora todos não sejam iguais perante a lei, não sejam iguais em classes sociais, não sejam iguais nas oportunidades, sempre serão iguais perante a Deus.

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