Opinião

O que é “ter saúde”?

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Marcio Meirelles

Cuidado com a saúde é coisa tão antiga quanto a humanidade. Mas, só recentemente começamos a nos dar conta de que podemos, sim, mudar as nossas condições da saúde.

Até há cerca de 200 anos, tentávamos desesperadamente combater doenças. Os sofrimentos eram imensos, os métodos de tratamento, às vezes, cruéis e, ao final, éramos sistematicamente derrotados devido  à precariedade dos conhecimentos científicos na época.

O progresso da ciência, no entanto, nos ajudou a encontrar formas mais eficazes de tratamento. Com isso, diminuiu o sofrer humano e alongou-se o tempo de vida. Hoje, os milagres da ciência são enormes e vivemos muito mais anos. Mesmo assim, o sentimento generalizado da população continua sendo o de que o que interessa no cuidado da saúde é “tratar a doença”.

Mas, a mesma ciência que nos ajudou a curar doenças, nos ensinou também outras coisas. Por exemplo:

  • É muito mais eficiente e lucrativo prevenir doenças do que tentar curá-las.
  • “Ter saúde” é mais complicado do que pensávamos. Para ter saúde, precisamos dispor de boas condições de vida. Boas condições de alimentação, de moradia, de saneamento básico, de educação, de emprego e de muito mais, inclusive – quem diria? – de lazer! E precisamos também cuidar dos nossos hábitos pessoais: exercícios frequentes, alimentação saudável, exames periódicos, evitar o fumo, o álcool, as drogas ilícitas. E utilizar as lícitas (em especial, os medicamentos) somente quando indispensável e sob orientação médica.
  • A saúde, na verdade, é coletiva, comunitária. Muitas doenças são transmissíveis. A minha saúde não depende somente de mim; ela sofre a influência dos outros e os afeta também.
  • A saúde de cada um de nós depende do meio ambiente. Por mais que nos desagrade a insistência dos que se preocupam com a sobrevivência do planeta – a quem alguns chamam, com enfado, de “eco-chatos” – a poluição atmosférica, a exposição a substâncias químicas (agrotóxicos, por exemplo), a água contaminada por bactérias ou metais pesados causam mais doença do que pensamos. E, pior, matam “por atacado”. Quando ouvimos dizer que estão aumentando os casos de câncer ou de outras doenças, é dessas formas de degradação ambiental que se está falando.

Países desenvolvidos – em especial os da União Europeia – incorporaram essa visão ampla de saúde mais rapidamente do que nós e, por isso – e por disporem de um sistema  público de saúde que funciona – vêm formulando políticas públicas cada vez mais abrangentes e eficazes.

Vamos esperar que o recém-assinado acordo de cooperação dos países do Mercosul com a União Europeia nos ajude a avançar nessa direção; e trabalhar para que o SUS funcione e o Brasil tenha, afinal, a saúde que merece.

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