Notícias

O que é hipo e hipertiroidismo?

shutterstock_1545899210-scaled
Por Juliana Temporal

 

A tiroide é uma glândula em forma de borboleta que se localiza na parte anterior do pescoço, abaixo do pomo de Adão e produz os hormônios triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). Esses hormônios são responsáveis pela regulação da função de vários órgãos, como o cérebro e o coração, entre outros. Podemos dizer que a tiroide é responsável por manter todo o organismo funcionando normalmente, de forma equilibrada. Os principais distúrbios da tireoide são o hipotireoidismo e o hipertiroidismo, doenças que incidem mais nas mulheres do que nos homens. Em entrevista ao Observatório da Saúde, a Dra. Rosita Fontes, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, fala sobre essa glândula endócrina importante para o funcionamento harmônico do nosso corpo.

 

Quais são as diferenças entre hipo e hipertiroidismo?

O termo hipotireoidismo se refere à função diminuída da tiroide (do grego do grego “hupo”, que dá ideia de diminuição, de baixo – no caso da tiroide, que está funcionando pouco). Os sintomas principais são relativos ao organismo estar funcionando mais lentamente: desânimo, sono excessivo, cansaço, diminuição da memória, pele seca, queda de cabelos e diminuição dos pelos do corpo, unhas fracas, intestino preso, intolerância ao frio. Nas mulheres, pode haver irregularidade da menstruação.

O termo hipertiroidismo se refere à função aumentada da tiroide (do grego “hupér”, que significa muito, em alto grau – no caso da tiroide, que está funcionando muito). Os principais sintomas são devido a uma aceleração das funções do organismo: nervosismo, labilidade emocional (choro fácil, irritabilidade), insônia, palpitações, intolerância ao calor, sudorese excessiva, tremores, diminuição do peso apesar do aumento do apetite, intestino solto, queda de cabelos e fraqueza muscular. Nas mulheres, pode haver irregularidade da menstruação.

 

Quais são as medidas de prevenção das doenças?

O hipotireoidismo pode ser prevenido com a ingestão diária necessária de iodo. No Brasil, o sal é iodado, de forma que não se espera que haja hipotiroidismo por deficiência de iodo. É importante ressaltar que não se deve ingerir quantidades adicionais de iodo, sob a forma de lugol ou outras formas, pois isso pode levar a risco de alterações na tiroide. Este é um medicamento que só deve ser usado em ocasiões excepcionais, se prescrito pelo médico.

Outra observação importante se refere ao hipotireoidismo congênito, que é diagnosticado através do teste de triagem neonatal (teste do pezinho), que deve ser realizado em todos os recém-nascidos nos primeiros dias após o nascimento, para que possa ser tratado precocemente, de modo a não causar prejuízos ao bebê.

 

É necessário fazer exames de sangue para a dosagem de hormônios regularmente? Quais exames são esses? Com que frequência devem ser realizados? A partir de que idade devem ser feitos?

O exame indicado para diagnosticar uma alteração da função da tiroide é o TSH (sigla do termo em inglês Thyroid Stimulating Hormone, que em português significa Hormônio Estimulador da Tiroide). É um exame que deve ser realizado mediante solicitação médica quando há suspeita de doença da tiroide. Outras situações, em que o médico pode solicitá-lo, são para pacientes idosos, gestantes e em mulheres próximo à idade da menopausa, que é quando mais aparecem as disfunções da tiroide.

 

As doenças têm cura?        

No hipotireoidismo por tireoidite de Hashimoto, que é a causa mais frequente devido a uma doença autoimune, geralmente o quadro é definitivo, mas há tratamento para manter os hormônios tiroidianos normais.

O hipertiroidismo pela doença de Graves, também autoimune e que é a causa mais frequente, costuma durar alguns anos, podendo evoluir mais tarde para o hipotireoidismo. No entanto, também tem tratamento na sua fase ativa, assim como se evolui para hipotireoidismo. Existem outras causas curáveis, que são menos frequentes, como nódulos, por exemplo.

 

São doenças graves? Podem levar à morte?

O hipotireoidismo costuma ter evolução mais arrastada, mas se não diagnosticado e não tratado pode levar a outras alterações como aumento do colesterol, anemia, alterações cardiológicas e depressão. As mulheres podem ter dificuldade para engravidar e, durante a gestação, podem estar sujeitas a outras doenças, como hipertensão e até risco de abortamento e perda fetal. Em casos extremos, principalmente em locais onde as temperaturas são muito baixas, pode ocorrer o coma mixedematoso, com risco de vida.

O hipertiroidismo pode levar a alterações graves, como arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca e crises hipertensivas, entre outros, com risco de vida. Outras alterações são a osteoporose e riscos na gestação, com outras doenças decorrentes do hipertiroidiamo e risco de abortamento, perda fetal e comprometimento da saúde do recém-nascido.

 

Qual é a prevalência das doenças? Incidem apenas em mulheres? A partir de que idade?

Essas doenças podem ocorrer em qualquer idade e gênero. O hipotireoidismo está presente em cerca de 8 a 12%. O hipertiroidismo é menos frequente, de até 2%. Ambas ocorrem mais em mulheres.

 

As doenças têm influência genétca?

Há uma tendência familiar para as doença da tiroide, isto é, não é incomum observarmos outros casos na mesma família.

 

É verdade que quem tem hipotireoidismo engorda e quem tem hipertiroidismo emagrece?

As pessoas com hipertiroidismo geralmente perdem peso. No hipotireoidismo, essa associação não é evidente. Pode haver algum aumento de peso devido à menor atividade física decorrente da pouca disposição e cansaço, assim como pode haver algum grau de edema (inchação), mas é um mito o fato de pensarem que a pessoa que aumentou de peso tenha problema de tiroide. 

 

As doenças têm alguma relação com o câncer de tiroide?

Não. O câncer de tiroide tem relação com nódulos na tiroide. E, mesmo assim, a maioria dos nódulos são benignos. Somente quando há algumas características clínicas é que se suspeita de câncer. O endocrinologista avalia cada caso de nódulo para verificar se pode haver suspeita de câncer.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *