Notícias

O envelhecimento masculino e o declínio da testosterona

shutterstock_732336316-min-scaled
Por Juliana Temporal

 

Com o passar dos anos, todos nós sofremos um processo natural de envelhecimento das células, assim como há o declínio das funções hormonais. Nas mulheres, esta fase é mais conhecida: a menopausa. Quem já não ouviu falar dos incômodos provocados pela menopausa? A “menopausa masculina” chama-se andropausa e é caracterizada pela diminuição nos níveis de testosterona e, assim como acontece nas mulheres, também tem sintomas e provoca mudanças.

A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, produzido pelos testículos e, desde a adolescência, tem papel importante no desenvolvimento das características masculinas, sendo responsável por regular a fertilidade, humor, sono, libido, massa muscular, distribuição de gordura e qualidade de vida. De acordo com o Dr. Fernando Facio, Chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), com o envelhecimento natural dos homens, a partir dos 40 anos, há um declínio de 1,2% na produção de testosterona, com a prevalência de aproximadamente de 38% de homens com baixa de testosterona. A médio prazo, essa redução pode trazer comprometimento nas funções cognitivas, físicas e sexuais nos homens.

– Tal como as mulheres, que são excelentes exemplos de longevidade e cuidados com a saúde e repõem os hormônios femininos quando entram na menopausa para evitarem transtornos de saúde, os homens ficam vulneráveis com a baixa de testosterona, que chamamos de hipogonadismo ou DAEM – Distúrbios Androgênicos do Envelhecimento Masculino, quando podem perder qualidade de vida.  A diminuição da testosterona também pode colaborar com o baixo controle de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial e obesidade, aumentando os riscos de eventos cardiovasculares – afirmou o especialista.

Os sintomas mais comuns, continuou o Dr. Fernando Facio, são diminuição da libido, disfunção erétil, aumento de gordura corporal, redução da força muscular, depressão, osteoporose, distúrbios do sono e dificuldade de concentração.

– Os homens se tornam muito desconfortáveis, principalmente quando a função sexual torna-se um grande problema no convívio do casal. O DAEM e o hipogonadismo podem vir acompanhados de uma diminuição na capacidade reprodutiva, devido à falência das funções dos testículos – comentou.

Segundo o urologista, o Hipogonadismo de Início Tardio, também chamado de Síndrome de Deficiência de Testosterona Associada à Idade, popularmente conhecida como andropausa, ou DAEM, é uma síndrome associada à idade avançada e caracteriza-se por sintomas e por níveis de testosterona insuficientes, ou seja, abaixo dos níveis de referência para um homem adulto saudável.

– O tratamento consiste em recomendações quanto à mudança de estilo de vida mais saudável, como a prática de atividade física. Quando não for o suficiente para melhorar os níveis de testosterona, é necessária a reposição hormonal de forma tópica ou injetável – explicou.

Dr. Fernando Facio também ressaltou que, para a indicação de reposição hormonal, é preciso ter o diagnóstico de DAEM que se baseia na coexistência de níveis baixos de testosterona total no sangue mais sinais e sintomas compatíveis. Os cuidados com a reposição de testosterona estão no seguimento e acompanhamento médico de rotina para avaliação dos níveis de testosterona, hematócrito (medida da proporção de hemácias no sangue), PSA (antígeno prostático específico) e toque retal.

– Assim como existe menopausa precoce, uma parcela pequena dos homens pode ter um hipogonadismo precoce e, quando diagnosticado, requer início de terapia de reposição de testosterona de forma contínua- comentou. 

De acordo com o especialista, para passar bem pela fase da andropausa, inicialmente, o homem deve buscar atendimento médico especializado para diagnóstico e compartilhamento das formas de assistência e a escolha conjunta da melhor via de tratamento, pois a terapia é na grande maioria dos casos de uso contínuo por toda a vida. Dessa forma, uma discussão clara e esclarecedora deve ser feita com os homens portadores de DAEM.

– É importante ter a capacidade de atender os homens diante das dúvidas, a fim de diminuir a interrupção da terapia.  Nesse período de pandemia, foi um grande desafio, quando os pacientes em tratamento com medicações de uso crônico precisaram de atendimento e liberação de receitas, bem como de acolhimento – enfatizou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *