Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

O dia do Trabalhador e a Cultura e Saúde Organizacional

Giselle Felix – Fisioterapeuta

            Em fevereiro deste ano, o Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM, vol.60; n.2 – 2018) publicou um estudo comparativo entre 19 pesquisas realizadas durante os anos de 2005 e 2016, sobre a avaliação dos custos das intervenções em segurança e saúde ocupacional do ponto de vista do empregador. O objetivo era apresentar essas avaliações econômicas como uma oportunidade única para estimular o aporte de recursos nas áreas de SST(Saúde e Segurança do Trabalho) com baixo custo incremental. Apesar de toda dificuldade do estudo em fazer uma correlação dos méritos econômicos alcançados por essas intervenções sob a perspectiva de quem está pagando essa conta, ou seja, do empregador, cinco de onze destes custos efetivos foram considerados promissores.

É fato que as iniciativas preventivas podem ser muito eficazes nos resultados de saúde e segurança das pessoas das organizações, mas nem sempre irão significar um resultado financeiro considerável, pois podem muitas vezes não brilhar nos cálculos do ROI (Return Of Investment). Isso é fácil de compreender e pôde ser percebido, mesmo pela liderança das organizações, através de uma pesquisa recente citada neste mesmo estudo, que foi  realizada com 500 organizações, onde 73% dos empregadores acreditam que os requisitos de saúde e segurança beneficiam seus negócios como um todo, enquanto 64% considera que está economizando dinheiro a longo prazo. 

Com esses dados, podemos chegar a algumas conclusões: uma delas é um ponto importante observado pela alta gestão: investir em prevenção é sim uma economia a longo prazo. Em um mundo cada vez mais globalizado, onde o imediatismo predomina em nossas atitudes, as buscas pelo resultado financeiro do investimento em saúde dos funcionários não é diferente, e se tornam fatores complicadores para uma proposta de longevidade, onde se pensa em políticas públicas e privadas para envelhecimento ativo como sendo o cuidado contínuo ao longo de toda a vida, desde a concepção, infância, adolescência, fase adulta e velhice.

Nas conclusões e sugestões para futuras pesquisas, o estudo sugere que a avaliação econômica sirva para medir a produtividade, a saúde e a segurança, motivando os princípios da empresa a buscar pelo índice mais assertivo que se quer relacionar à saúde dos funcionários, em vez de apenas apresentar uma análise de custo-benefício das intervenções.

Em 1950, a seguinte frase era uma revolução:  “Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia”. A célebre frase de William Edwards Deming (notável estatístico, consultor, conferencista e professor norte-americano) expõe uma verdade aplicável à qualquer situação, inclusive ao enigma corporativo: – Investir em saúde e segurança dos funcionários aumenta o lucro da empresa?

Para refletir, outra frase de William Edwards: “As medidas de produtividade são como as estatísticas de acidentes: informam tudo sobre o número de acidentes em casa, na estrada, no local de trabalho — só não dizem como reduzir sua freqüência”.

Dessa forma, se me perguntar por quanto tempo devemos fomentar atitudes seguras, e nos manter saudáveis, eu responderia, que em todo momento. Feliz dia Internacional do Trabalhador!

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