Gestão e economia em saúde

O custeio da saúde

José Carlos Góes – Consultor em Gestão e membro do Conselho Editorial do Observatório da Saúde

 

A parametrização de custos envolvendo uma ciência não exata como a ciência médica, é um exercício que deve envolver obrigatoriamente, conhecimentos médicos, atuariais, e uma boa dose de experiência profissional dos gestores responsáveis pelo atendimento médico de massa.

 

Antes de mais nada, entender que na relação médico-paciente, autônoma e inviolável, o médico é soberano para conduzir o atendimento ao seu paciente. Na sua atuação são fundamentais o seu conhecimento técnico, sua vivência profissional, e a ética médica na sua relação médico com o paciente, perseguindo a visão de que só o melhor é suficiente para atender o paciente. O diagnóstico decorre de um contato direto do médico com seu paciente, donde deve resultar uma hipótese diagnóstica, a ser confirmada ou não através de exames complementares.  Somente em determinados casos, excepcionais, são necessários exames para se fazer um diagnóstico, situação na qual o exame deixa de ser complementar para ser diagnóstico. É evidente que, de procedimentos tecnicamente corretos resultam resultados melhores para os pacientes, e custos médios menores.

De qualquer forma, não cabe nenhuma interferência externa na conduta do médico, cujo objetivo será sempre o de obter êxito para seu paciente. Fica claro portanto, que a variável envolvendo a atuação do médico não é passível de interferências externas.

 

Por outro lado, há fatores – estes sim externos – que não dependem do ato médico, mas que interferem nos resultados e na evolução do seu caso. São fatores intervenientes ao exercício do profissional, imponderáveis e variáveis, entre os quais se incluem a incerteza (não se sabe se, como os doentes vão evoluir), a individualidade ( cada usuário tem um risco inerente a ele), a imponderabilidade ( não há como medir previamente a dimensão de um determinado evento médico), a imprevisibilidade ( não há como prever ocorrências adversas), e a complexidade (inerente à própria medicina).

 

E finalmente, é preciso não esquecer a inflação médica, variável que interfere diretamente nos custos finais do atendimento médico, e que é universalmente maior que a inflação dos países, por embutirem novos recursos de diagnóstico, e de métodos terapêuticos. Restam portanto, como recurso para controle de custos, duas estratégias prioritárias:

A promoção e a prevenção da saúde como forma de minimizar os fatores externos, e a

utilização de dados estatísticos confiáveis, como base para a obtenção de indicadores, e assim conhecer o comportamento de um determinado grupo de pacientes. Um banco de dados confiável é um dos pilares fundamentais para uma gestão competente. Além disto, treinamento, conhecimento profundo da área médica, identificação das necessidades da população a ser atendida, dimensionamento dos recursos existentes, logística, métodos e procedimentos específicos, são outros recursos utilizados, através de uma das várias metodologias de gestão hoje existentes no mercado.

 

A fixação de orçamentos que não leve em consideração este complexo conjunto de variáveis, corre o risco muito frequente, de não corresponder à realidade. Um fator perverso neste tema é a adoção do sistema de remuneração “fee for service”, enraizado em nosso mercado, que deveria ser substituído pelo “quality for service”, beneficiando médicos, hospitais, pacientes, e operadoras de saúde.

Nota-se pois a importância da qualificação dos responsáveis por quantificar e fixar os custos futuros na área de assistência médica de massa, para garantia da qualidade e da perpetuidade dos sistemas de saúde de massa.

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