Giselle Felix

Programa Saúde do Futuro

Por Giselle Felix

Nobel de Medicina traz descobertas sobre a ‘respiração’ celular

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Esclarecer um primeiro passo fundamental para que as células de um organismo possam transformar oxigênio em energia foi tema das pesquisas dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2019,  anunciados nesta segunda-feira, 7 de outubro. Concretamente, os estudos revelaram como os níveis disponíveis de oxigênio influem no metabolismo das células e na função dos tecidos. Descobertas essas, que abrem o caminho para novas estratégias promissoras para combater muitas doenças, já que constataram que o sensor de oxigênio celular é um mecanismo fundamental no câncer e em doenças cardiovasculares, entre outras.

Os três pesquisadores: William Kaelin e Gregg Semenza, dos EUA, e Sir Peter Ratcliffe, do Reino Unido desenvolveram seus trabalhos individualmente desde os anos 1990. Juntas, suas pesquisas descrevem um importante mecanismo fisiológico – a resposta hipóxica das células – essencial para que indivíduos consigam sobreviver em lugares mais altos, onde há menor concentração de oxigênio.

Além de desvendar como esse mecanismo funciona, os organizadores do Nobel ressaltaram a importância das descobertas para futuras aplicações médicas. Com a exceção de algumas bactérias e fungos, o oxigênio é indispensável para o metabolismo das células (as transformações químicas que liberam energia). Quando se está em um ambiente com escassez de oxigênio (regiões montanhosas, por exemplo), o corpo logo começa a produzir mais hemoglobina – quanto mais células vermelhas trabalhando, maior será o aproveitamento do oxigênio disponível. Quando isso acontece, o corpo também regula a atividade metabólica das células para se adaptar ao novo cenário.

A ciência já sabia desse mecanismo desde o século 20, mas os detalhes do funcionamento desse sistema a nível molecular ainda era um mistério. E é aí que entra o trabalho dos cientistas. Gregg Semenza, professor da Universidade John Hopkins, identificou um complexo de proteínas e deu o nome de HIF – em inglês, é a sigla para “fator induzível por hipóxia” (“hipóxia” significa “baixa concentração de oxigênio”). O HIF é rapidamente destruído pelo corpo em uma situação normal. Quando o nível de oxigênio está baixo, porém, sua concentração aumenta.

Unindo os trabalhos de Peter Ratcliffe, que trabalha na Universidade de Oxford e no Instituto Francis Crick, e de William Kaelin, que dá aulas na Universidade de Harvard, os cientistas descobriram que o HIF faz com esse gene aumente a produção de um hormônio chamado eritropoietina (EPO), que por sua vez, faz aumentar a quantidade de células vermelhas que transportam oxigênio.

Na China, por exemplo, um medicamento contra anemia já está disponível no mercado. Ele se aproveita do HIF para enganar o corpo, fazendo-o pensar que está em altas altitude, estimulando a produção de hemoglobinas. No momento, o remédio passa por regulação para entrar no mercado europeu.

 

REFERÊNCIAS:

SUPER INTERESSANTE – Nobel de Medicina 2019: entenda a descoberta que levou ao prêmio: https://super.abril.com.br/ciencia/nobel-de-medicina-2019-entenda-a-descoberta-que-levou-ao-premio/

EL PAÍS – Nobel de Medicina vai para descobridores de uma chave da ‘respiração’ celular: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/07/ciencia/1570432506_098731.html

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