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Mortes de gestantes por Covid-19 podem estar atreladas à baixa qualidade do pré-natal

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

No dia 10 de abril deste ano, o Ministério da Saúde divulgou uma atualização classificando grávidas e puérperas como parte do grupo de risco para o novo coronavírus. Segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), de julho, cerca de 200 mulheres morreram nos últimos meses durante a gestação ou período pós-parto, após serem diagnosticadas com Covid-19.

Um estudo publicado na revista médica International Journal of Gynecology and Obstetrics revelou que, do início da pandemia até 18 de junho, foram notificadas 160 mortes de grávidas e puérperas em todo o mundo por Covid-19, sendo 124 delas no Brasil, o que corresponde a 77% das mortes mundiais. De acordo com o Dr. Renato Sá, Presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de Rio de Janeiro (SGORJ), a explicação mais provável não é, no entanto, uma maior letalidade no país, mas sim a baixa qualidade da assistência pré-natal no Brasil, que também reflete na mortalidade materna.

O especialista declarou que a melhor maneira de prevenir essas mortes é continuar seguindo as medidas de prevenção relacionadas aos cuidados pessoais (uso correto de máscara e limpeza adequada das mãos) e o isolamento social.

– Essas continuam sendo as medidas mais eficazes até o momento, mas acreditamos que o processo educativo neste aspecto deva partir da assistência pré-natal. É importante ressaltar que não adianta a gestante se cuidar e os familiares que convivem com ela não fazerem o mesmo. Além disso, devemos lembrar a importância da vacinação para outras doenças durante a gravidez, em especial o H1N1, que pode ser tão ou mais grave que o novo coronavírus – reiterou.

Outro ponto que vem sendo amplamente discutido é sobre a possibilidade de transmissão vertical, isto é, de a mãe transmitir a doença para o bebê. Sobre esse assunto, Dr. Renato Sá afirmou que algumas pesquisas científicas começaram a ser publicadas, evidenciando que este tipo de transmissão pode acontecer. Apesar de serem estudos preliminares ainda, vale o alerta à população.

Dados científicos apontavam que o vírus H1N1 apresenta grande letalidade nesse mesmo grupo, associados à história clínica de comorbidades em mulheres grávidas ou puérperas. Sendo assim, para a infecção pela Covid-19, podemos dizer que o risco é parecido? Segundo o médico, ainda não podemos afirmar.

– Por enquanto, não sabemos se o risco é semelhante. Conhecemos bem o H1N1, já sabemos que as gestantes são grupo de risco para complicações quando infectadas por ele, mas em contrapartida já temos a vacina para o H1N1. A letalidade no SARS-CoV-2 na infecção das gestantes ainda não está completamente entendida. Os números no Brasil são preocupantes porque são diferentes de qualquer outro lugar no mundo, o que nos faz pensar que estamos cometendo algum erro, principalmente, na assistência às gestantes em nosso país – concluiu.

 

Sob a supervisão de Juliana Temporal

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