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Medicina familiar na linha de frente da prevenção

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A médica Thaís Yamamoto; a jornalista Ana Paula Blower; o cardiologista Cláudio Domênico, curador do evento; e Cristiane Carvão, endocrinologista do Cepem, discutindo a saúde familiar.
Por: Bernardo Falcão – Ed: Rafael Laet

Medicina Familiar ou Medicina Comunitária são algumas das designações para a especialidade médica que presta assistência à saúde de forma consecutiva, integral e orientada para o indivíduo e a comunidade.

“É mais importante saber o tipo de pessoa que tem uma doença do que o tipo de doença que uma pessoa tem”. A frase do pensador Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, resume de maneira objetiva este método de obtenção de Saúde que a partir de 1994 passou a ser implementado nas redes públicas Brasileiras. Guiada por uma relação mais humanizada entre o médico e o paciente, ganhou em 2006 o nome de Estratégia de Saúde e Família (ESF), mostrando que esta vertente é recente na história da medicina Brasileira.

O assunto foi pauta no evento (Encontros – O GLOBO, Saúde e bem-estar) que ocorreu nesta última quarta-feira, onde a subchefe do departamento de medicina integral de família e comunidade da UERJ, a médica Thaís Sayuri Yamamoto ressaltou que a definição de “Saúde” é algo muito mais complexo do que simplesmente a ausência de doenças.

A  pratica da prevenção é de suma importância, principalmente em áreas como o Norte e o Nordeste do país que possuem uma distribuição muito desigual de médicos, portanto para tal objetivo ser realizado de forma humanizada os profissionais afirmam levar em conta a história e condições de vida de seus pacientes.

“A gente adoece por um monte de coisas, não somente por germes e bactérias”. Thaís Sayuri

Segundo o cardiologista Cláudio Domênico, curador do evento, a “Saúde da Família” para várias regiões do Brasil, estes profissionais tem uma importância muito grande, pois acredita-se que cerca de 80% dos casos atendidos por médicos da família são resolvidos sem a necessidade de qualquer outro especialista.

“Eles têm uma atuação, um escopo muito grande. É um clinico muito bem preparado”. Cláudio Domenico

A importância de atuar de maneira mais profunda também é ressaltada: O médico de família trabalha buscando compreender os sintomas que não estão necessariamente evidentes nos exames e diagnósticos iniciais.

Para Yamamoto, o conceito de saúde é um paradigma que não deve se restringir a elementos individuais. O diagnóstico de uma pessoa saudável depende da integração de fatores biológicos, econômicos, sociais, psicológicos, culturais e ambientais. Além disso, mais do que a existência deles, é preciso compreender a maneira como essas condições se relacionam e interagem umas com as outras. Meditação, exercício físico, espiritualidade, saúde mental e hábitos alimentares foram alguns dos elementos citados pelos palestrantes que devem ser incluídos dentro da equação do diagnóstico.

Ao analisar, em conjunto com o paciente, quais fatores podem estar ocasionando tais enfermidades os indicadores mostraram que o impacto na saúde é significativo.

“Nós diminuímos a mortalidade infantil, a mortalidade materna, melhoramos o controle da pressão e da diabetes. Além de tudo, ainda melhora o custo-efetividade. Não é à toa que os planos de saúde estão atrás de médicos de família, o que antes era visto principalmente no SUS.” – Thaís Sayuri

Para a endocrinologista Cristiane Carvão, médica do Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (Cepem), uma alimentação balanceada, ao lado da prática de exercícios, pode influenciar de maneira direta na prevenção de doenças. De acordo com ela, pequenas mudanças nos hábitos alimentares já podem trazer resultados satisfatórios: A saúde da família depende de uma alimentação saudável.  A gente é o que a gente come.
Cristiane também defendeu que os pacientes não levem tão a sério um possível histórico familiar de doença: Antigamente, a gente achava que o gene determinava tudo, mas hoje a gente sabe que não, que nosso estilo de vida pode mudar a nossa história. Eu não preciso ser obeso só porque a minha família é obesa.

Cláudio Domênico ainda complementou: Pré-disposição é diferente de pré- determinação. A história da sua família é importante e deve ser levada em conta, mas não é para amedrontar ninguém.

4 comentários em "Medicina familiar na linha de frente da prevenção"

  1. Isis Breves disse:

    Excelente pauta!

  2. Marcio Meirelles disse:

    Afinal, nós, brasileiros, começamos a nos dar conta de que algo está errado em um sistema de saúde centrado principalmente naqueles que “podem pagar”. Nesse sistema, perdulário e caríssimo, os grandes beneficiários não são os pacientes; são os intermediários, os “burocratas da saúde” e os investidores, alguns deles, bilionários. Aos poucos, a realidade se impõe: medicina socialmente justa é aquela que atende a todos com igual empenho e qualidade. Algum dia, o atendimento no SUS haverá de alcançar esse patamar!

  3. Acyr Cunha disse:

    Saúde e bem estar deve ser o foco ser alcançado por todos e para todos.
    Nesse encontro, foram enfocados e analisados diversos aspectos, nutricionais, genéticos, higiênicos e em conjunto, as repercussões que eles podem causar ou serem evitados se houver conhecimento, prevenção e apoio para tratamento adequado quando afetando os indivíduos.
    Meio ambiente sem polução, saneamento básico, vacinações, um sistema de saúde de família com prevenção e correção de desvios e tratamento inicial, proporcionam melhor qualidade de vida a custos mais baixos.
    Um SUS de boa qualidade, que todos devemos cobrar dos governos, poderá atingir esses objetivos, proporcionando dignidade aos menos favorecidos economicamente e, economia aos que pagam planos de saúde que só favorecem a grupos que só visam enriquecer.
    SAÚDE PÚBLICA DE QUALIDADE, deveria ser um mantra cobrado por toda população.

  4. Rogério Quintanilha disse:

    A Dra. Thaís nos trouxe uma visão holística de saúde e fora da “moda” de um mercado que nos leva para os laboratórios e farmácias mais próximas. Excelente poder ouvir sobre o retorno do médico de família.

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