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Maus hábitos alimentares dos brasileiros afetam saúde e meio ambiente

Junk-Food-Shutterstock
Por: Maylaine Nierg
redacaoobservatorio@gmail.com

Pesquisas recentes mostram uma relação entre as pandemias de desnutrição, obesidade e mudanças climáticas. A união desses fatores é conhecida como “Sindemia Global”. Esse modelo consiste na tendência mundial para uma alimentação inadequada, que envolve, entre outras coisas, o consumo em excesso de alimentos industrializados. 

De acordo com especialistas, uma das principais causas para esse problema é o papel nocivo de grandes empresas da indústria alimentícia, responsáveis por fabricar e incentivar o consumo de alimentos ultraprocessados. Nesse cenário, o Brasil é apontado como um dos países que apresentam dados preocupantes nesse aspecto, seguindo a tendência dos Estados Unidos.

Em entrevista ao Estadão, o co-presidente da comissão responsável pelo relatório que apontou a existência da “Sindemia Global”, professor Boyd Swinburn,  afirmou que o Brasil está retrocedendo na política alimentar. O especialista aponta ainda que se em dez anos essa tendência alimentar não for modificada, ela poderá entrar em um ciclo vicioso.

O que são alimentos ultraprocessados e como afetam à saúde

Alimentos ultraprocessados são aqueles que geralmente levam cinco ou mais ingredientes em sua fórmula. Eles ainda carregam outros componentes conhecidos como cosméticos, que servem para alterar cor, aroma, entre outros.  Exemplo disso são as bebidas açucaradas, como refrigerantes e alguns sucos de caixinha. 

Também estão no grupo desses alimentos: Enlatados, embutidos, congelados, preparações instantâneas, refrigerantes, salgadinhos, frituras, doces, gelatinas industrializadas, refrescos em pó, temperos prontos, margarinas, iogurtes industrializados, macarrão instantâneo, sorvetes, biscoitos recheados, achocolatados e outras guloseimas.

Tais alimentos quando consumidos em excesso aumentam o risco de pressão alta, obesidade e de outras doenças crônicas, como câncer de intestino.

O papel das políticas públicas

Para os estudiosos, é importante que haja política mais rigorosa em relação à publicidade desses alimentos. 

“Pessoalmente, acredito que as políticas estão indo em direção oposta ao que desejaríamos. Infelizmente, acredito que isso seja reflexo dos interesses das grandes corporações. Acredito que tenhamos de dar voz a outros grupos, ao interesse de pequenos produtores, à sociedade civil, como ocorria no Consea. Há boas experiências internacionais. Na Nova Zelândia, por exemplo, o bem estar passou a ser considerado no momento de se avaliar as despesas realizadas. Não apenas indicadores econômicos serão levados em consideração, mas também os ambientais, os sociais”, afirma professor Boyd Swinburn (Estadão, 19/08/2019). 

Qual o efeito disso no meio ambiente?

No estudo “A alimentação e os impactos ambientais: abordagens dos guias alimentares nacionais e estudo da dieta dos brasileiros”, a pesquisadora Josefa Maria Fellegger Garzillo descreve que a forma como a população se alimenta tem impacto direto no meio ambiente, especialmente em relação à carnes e alimentos ultraprocessados. 

Ela explica que se 200 milhões de brasileiros adotassem uma dieta saudável, seria possível reduzir a emissão de 45 milhões de toneladas de carbono ao ano. O estudo foi baseado nas diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira, documento elaborado pelo Ministério da Saúde. 

O boletim do Governo também descreve que limitar o consumo de alimentos de origem animal é optar por um sistema alimentar socialmente mais igualitário e menos danoso  para o ambiente físico, para os animais e para a biodiversidade. 

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