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Manter os programas de vacinação é fundamental para evitar um maior impacto do novo coronavírus

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

A pandemia de Covid-19 tem preocupado autoridades de saúde não apenas pelos riscos que o novo vírus representa, mas também pela interrupção nos programas de vacinação. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), 24 países suspenderam a imunização contra o sarampo e outros 13 interromperam completamente seus calendários, expondo milhões de crianças a doenças como difteria, rubéola e poliomielite. Tudo isso visando proteger os profissionais de saúde e priorizar a resposta ao novo coronavírus.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), dos 24 países que suspenderam, oficialmente, os programas de vacinação contra o sarampo, vários observaram o aumento preocupante nos casos da doença nos últimos anos, em particular: Brasil, Bangladesh, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Nigéria, Ucrânia e Cazaquistão. O sarampo afeta cerca de 20 milhões de pessoas todos os anos, a maioria com menos de cinco anos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) ressaltaram a importância de manter os programas de vacinação para evitar um maior impacto do novo coronavírus. Em comunicado oficial, as entidades reiteraram que é vital manter os serviços de imunização de rotina durante a pandemia, lembrando que a situação, enfrentada atualmente, é uma prova de que doenças infecciosas não conhecem fronteiras e que todos os países, independente de seus níveis de desenvolvimento, são vulneráveis.

É possível evitar um maior impacto do novo coronavírus nos sistemas de saúde garantindo que indivíduos de todas as idades permaneçam imunizados, de acordo com os cronogramas vacinais. Por isso, ainda de acordo com a OMS e a Unicef, se o combate à pandemia causar interrupções temporárias nos serviços de imunização, os países devem retomá-los assim que a situação estabilizar.

Para a Dra. Isabella Ballalai, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o receio de transmissão da Covid-19 é compreensível. Portanto, além das medidas de prevenção individuais, como uso de máscara e higiene das mãos, com água e sabão ou álcool em gel 70%, a SBIm elaborou e encaminhou às autoridades de saúde um documento com sugestões de estratégias a serem implementadas de acordo com a realidade epidemiológica de cada município.

Segundo dados da ONU, mesmo antes da pandemia, a cada ano, a imunização contra o sarampo, a poliomielite e outras doenças estavam fora do alcance de 20 milhões de crianças com menos de 1 ano. Mais de 13 milhões de crianças menores de 1 ano em todo o mundo não receberam nenhuma vacina em 2018, muitas delas vivendo em países com sistemas de saúde fracos.

A Dra. Isabella Ballalai ressaltou que as interrupções atuais podem criar caminhos para surtos desastrosos em 2020 e nos próximos anos. Caso a população deixe de se vacinar, é possível que a pandemia traga uma herança negativa adicional: o retorno de doenças eliminadas, como a poliomielite e a rubéola, e o fortalecimento de outras, por exemplo, o sarampo. Atualmente, no Brasil, 19 Estados estão com circulação ativa do vírus do sarampo.

– Além do público infantil, existe outro que também precisa ter atenção redobrada, pois configura grupo vulnerável ao novo coronavírus e a outras infecções. São pessoas com doenças crônicas e, principalmente, idosos. Essas pessoas podem diminuir o risco de internação e de piora do quadro respiratório se imunizados contra a pneumonia bacteriana, que causa inflamação nos pulmões – frisou.

Há, no entanto, um impasse, acrescentou a Dra. Isabella Ballalai. O esquema ideal de imunização em adultos inclui duas vacinas diferentes: a pneumocócica conjugada 13 valente e a pneumocócica polissacarídica 23 valente. A primeira, com o custo mais alto, é mais eficaz, e só é oferecida a grupos específicos (soropositivos, transplantados e pacientes oncológicos). Para idosos em geral, ela está disponível apenas na rede particular.

– Já a pneumocócica polissacarídica 23 é oferecida a um leque maior de pacientes, mas, ainda assim, é restrita a pessoas acima de 60 anos que vivem acamadas ou em instituição fechada (asilo, hospitais, casas de repouso) – comentou. 

Dra. Isabella Ballalai ainda declarou que, devido às alterações naturais no sistema imunológico decorrentes do envelhecimento, os idosos são mais suscetíveis a contrair doenças imunopreveníveis e a desenvolver complicações. Além disso, as infecções podem descompensar doenças crônicas, muito comuns nesse grupo etário.

– A pneumonia é uma das principais causas de infecções em idosos (atrás apenas de insuficiência cardíaca e de bronquite/enfisema/doenças pulmonares crônicas). Em razão disso, é altamente recomendada a vacina pneumocócica – junto com a imunização contra a gripe – como prioridades – enfatizou.

 
*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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