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Mais de 50% dos brasileiros acima de 16 anos apresenta excesso de peso

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, isto é, quando uma pessoa apresenta um excesso de massa gorda maior que a massa magra. Isso é traduzido mundialmente pelo cálculo do índice de massa corporal ou IMC. Quando um indivíduo apresenta um número igual ou superior a 30 nessa conta, o  caso é encarado como obesidade. Entre 25 e 30, é considerado um sobrepeso, que funciona como uma espécie de pré-obesidade.

Mais de 50% dos brasileiros acima dos 16 anos, de acordo com o Vigitel-2019, apresenta excesso de peso. Devido a essa alta taxa, a obesidade passou a ser considerada um problema de saúde pública, ganhando, inclusive, um dia nacional de prevenção.

O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade (11 de outubro) foi instituído pela Lei nº 11.721/2008, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção da doença. O foco principal, promovido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), é divulgar a importância do tratamento e do acompanhamento da obesidade por profissionais capacitados.

— A obesidade é causada por vários motivos. Além da capacidade genética de ser transmitida, a doença também pode se desenvolver por influência do meio ambiente, pela facilidade em adquirir alimentos ultraprocessados que possuem excesso de caloria (resultado da falta de disciplina alimentar) e pela ausência de atividade física regular —  apontou Dr. Mario Kedhi Carra, médico endocrinologista e Presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Para prevenir tal condição, é preciso que o acompanhamento médico comece já no primeiro ano de vida, principalmente se a criança for filha de mãe ou pai obeso. Os primeiros hábitos alimentares devem ser bem orientados para evitar que a criança se torne obesa ainda na infância ou na adolescência.

À respeito dos problemas em curto prazo, o especialista sinalizou que é importante estar atento não só às dores osteomusculares, mas também às questões psicológicas.

— Pessoas obesas sofrem muitos preconceitos e agressões, sejam através de palavras, atos ou até mesmo olhares julgadores. Além disso, muitos locais não estão preparados para receber pessoas assim. Isso acaba determinando uma alteração no comportamento do obeso, que acaba deprimindo ou se diminuindo —  alertou o especialista.

A longo prazo, os principais problemas já são conhecidos: as doenças crônicas. Além delas, há o aumento da possibilidade de inflamação, uma vez que o tecido gorduroso guarda dentro dele uma série de elementos que estimulam tal infecção. Quando elas se rompem, aumenta a inflamação, o que pode acarretar em: diabetes, pressão alta, doenças cardíacas e doenças pulmonares (como asma e apneia do sono). Facilita também o aparecimento de doenças cardiovasculares e a ocorrência de um acidente vascular cerebral (AVC).

O boletim do Ministério da Saúde sobre a disseminação da Covid-19 no Brasil apontou uma tendência relacionada às mortes por coronavírus: a obesidade estava mais presente nos óbitos de jovens que os de idosos.

—  Quando uma pessoa tem excesso de peso ou já é obesa, principalmente quando jovem, ela acaba tendo maior facilidade de falecer por Covid-19, principalmente por conta dos processos inflamatórios decorrente da ruptura das células gordurosas. Quando elas se rompem, o vírus entra dentro delas — explicou Dr. Mario Kedhi.

Ainda de acordo com o endocrinologista, isso acontece porque o novo coronavírus possui afinidade com as células gordurosas do corpo humano. Por isso, ao desenvolver a doença, ela acontece de forma mais grave, independente da idade do paciente.

Sob a supervisão de Juliana Temporal

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