Opinião

Luiz Roberto Londres: impunidade “pra lamentar”

Por qual motivo os servidores públicos que ocupam lugares no que deveria ser a condução de nosso país recebem foro privilegiado?

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Por Luiz Roberto Londres
O Dia – 06/12/2017

Rio – Por qual motivo os servidores públicos que ocupam lugares no que deveria ser a condução de nosso país recebem foro privilegiado? As explicações que acompanham as justificativas perdem-se, distorcidas: essas figuras, por terem maiores responsabilidades (estariam fazendo jus a essa definição?), deveriam ser julgadas por tribunais.

Acabamos de presenciar situação inusitada. O Tribunal Federal da 2ª Região mandou prender preventivamente, a pedido do Ministério Público, os deputados estaduais Paulo Melo, Edson Albertassi e o presidente da Alerj, Jorge Picciani, todos do PMDB. Dias depois os membros da Assembleia, colegas dos condenados, convocaram reunião que tinha por fim a revogação da decisão da Justiça e decidiram que esta reunião deveria ser fechada, sem aceitar a presença de outros que não os votantes. O que ficou claro é a noção de que a votação, sem dúvida previamente definida, seria contestada por aqueles que gostariam de ver o pleito.

A atual presença dos abusos e descaminhos daqueles que se intitulam ‘autoridades’ e que nada mais são que servidores públicos em cargos abrangentes é o grande problema do país. Mais do que desgovernados, estamos seguindo um trajeto que não contempla a sociedade, mas apenas aqueles que deveriam estar servindo a ela. E chegamos ao ponto em que os ‘poderes’ se confrontam e desse confronto emanam absurdos, como a posição da Alerj ante a Justiça. E, como vimos, esperado por todos, a decisão da Assembleia acabou anulada pelo TRF-2.

O Estado do Rio está vendo seus três últimos governadores e também presidentes da Alerj serem presos por crimes diversos. E, sem dúvida, a ação destas pessoas tem enorme responsabilidade pela crise que estamos passando. Acredito que isto não teria acontecido, pelo menos na escala desses acontecimentos, se esses servidores públicos não se escondessem por trás de um caminho para a impunidade que é o foro privilegiado.

Vamos procurar disseminar a ideia de que essa conjunção de medidas que protegem essas “autoridades” das mãos da justiça comum que regula as atividades de todos nós, não transmitam noções de impunidade, e também que tenha um sentido menos perigoso para nossa sociedade.

Um comentário em "Luiz Roberto Londres: impunidade “pra lamentar”"

  1. Newton Richa l disse:

    Caro Dr. Londres
    Parabéns pelo artigo. Os brasileiros comprometidos com a qualidade do país que seus filhos herdarão precisam entrar na Política, atualmente dominada por quadrilhas, cujo objetivo principal é o enriquecimento ilícito.

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