Notícias

Humanitarismo, cidadania e informação marcam 5° Fórum do Observatório da Saúde

Por: Equipe da Redação
redacao@observatoriodesauderj.com.br

Em meio ao cenário de crise financeira, moral e ideológica que os brasileiros enfrentam, o Observatório da Saúde, em parceria com a Comissão de Higiene, Saúde Pública e Bem-Estar Social da Câmara de Municipal do Rio, promoveu nesta quinta-feira (24) um debate no auditório Câmara, que envolveu assuntos como humanitarismo, promoção da cidadania, trabalho voluntário e melhoria no acesso à saúde pública no país. Com o tema “Voluntariado social na saúde: a importância da participação cidadã”, o evento reuniu médicos e representantes do poder público e de entidades filantrópicas que atuam no setor.

Representando o Instituto de Medicina e Cidadania (IMC), estiveram presentes no debate a psicóloga Nara Matos e os médicos Félix Zyngier, Júlia Blanco  e Luiz Roberto Londres, diretor executivo do IMC e do Observatório da Saúde.

“Nossa ideia no instituto, além de levar atendimento aqueles que precisam, é mostrar que a medicina é uma atividade humanística e social. A nossa expectativa é que esse fórum, promovido pelo Observatório da Saúde, possa ativar o senso de cidadania, através da informação sobre o voluntariado nessa área. Percebemos que certos valores ligados ao atendimento em saúde foram se perdendo com o tempo, como por exemplo, a anamnese, que consiste em escutar melhor o paciente para se chegar ao diagnóstico. Ou seja, a busca pelo lucro e a pressa no cotidiano fazem com alguns profissionais da saúde percam o desejo de promover cidadania. Iniciativas como esse fórum, trazem a esperança para o renascimento desses valores”, explica Londres.

Também participou do bate-papo o cirurgião plástico Alexandre Charão, integrante da Médicos Sem Fronteiras, entidade humanitária, que leva socorro à pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição e exclusão no acesso à saúde. O médico compartilhou um pouco de sua experiência nos mais de dez países que já atuou como voluntário, entre os quais Burundi, Iraque e Haiti.

Charão falou sobre a desconfiança dos brasileiros com relação às instituições filantrópicas. Para ele, a solução é a transparência e a prestação de contas com a população.

“Mesmo diante do cenário de tantas incertezas vividas pelos brasileiros, ainda temos esperança de conseguir avançar cada vez mais nos trabalhos voluntários. Aos poucos percebemos que as pessoas estão se tornando mais confiantes nas instituições sérias, e se mobilizando para contribuir com esse tipo de trabalho”.
O vereador Inaldo Silva, integrante da Comissão de Higiene, Saúde Pública e Bem-Estar Social da Câmara Municipal do Rio explicou que o debate enriquecedor do ponto de vista social.

“Hoje em dia, as pessoas só pensam em ganhar dinheiro. Vocês estão mostrando o contrário. A nossa comissão se coloca à disposição para atender aqueles que mais precisam”, ressalta.

As discussões foram mediadas pela diretora de Projetos Especiais da Universidade Castelo Branco e coordenadora do Observatório da Saúde, Alice Selles, que apresentou dados sobre voluntariado no Brasil e mundo. Segundo a professora, o primeiro relatório sobre voluntariado foi divulgado somente em 2015 pela Organização Mundial de Saúde. Em 2012, o IBOPE detectou que 18% dos brasileiros disseram que praticavam algum trabalho voluntário. Três anos depois, o Datafolha fez uma pesquisa mais ampla e descobriu que o número caiu para 11%.

A Universidade Castelo Branco (UCB), parceira do Observatório da Saúde, mostrou o ponto de vista do setor privado e das instituições de ensino na promoção das ações sociais.

“A UCB exerce uma gestão com foco em responsabilidade social. E para que a gente consiga permanecer nesse trabalho, com essa vontade e os recursos que são investidos, temos que transformar isso no nosso próprio negócio. O que fazemos é levar nossa marca, nosso valores e a força da educação com pesquisa e ensino” conta o vice-reitor da UCB, Leomar Valença.

Entre os projetos sociais da Castelo estão o laboratório de análises clínicas com exames a preços populares, localizado campus da UCB em Realengo e as ações sociais realizadas diversas regiões da cidade, onde são oferecidos serviços como verificação da pressão arterial, tipagem sanguínea, teste de glicemia, avaliação do pé diabético, orientação nutricional, entre outros.

O 5° Fórum do Observatório da Saúde foi marcado também pela participação popular. Entre os presentes professores, estudantes e lideranças comunitárias, que tiveram a oportunidade de interagir com os debatedores e sanar dúvidas referentes ao sistema público de saúde e ao tema do encontro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *