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Hipertensão e diabetes: uma combinação perigosa

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

No Dia Mundial do Coração, comemorado em 29 de setembro, especialistas fazem um alerta especial a hipertensos diabéticos, duas condições crônicas que demandam muita atenção e cuidados. No último mês, durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, foram apresentados estudos que evidenciaram uma redução no risco de ataques cardíacos em pacientes diabéticos, quando eles faziam o uso de medicamentos preventivos. Os resultados sugerem que quando os pacientes são diagnosticados com diabetes tipo 2, o início imediato de medicamentos preventivos, como as estatinas, tem um impacto substancial na diminuição do risco de ataques cardíacos e morte prematura.

Dados do último levantamento do International Diabetes Federation (IDF) apontam que as condições cardiovasculares representam a maior causa de morbidade e mortalidade para diabéticos. Segundo o IDF, as revisões sistemáticas indicam um risco aumentado de até 20% de eventos cardíacos e derrames nessa população. A associação de hipertensão arterial e diabetes contribui de forma expressiva para o aumento de todas as doenças cardio-cerebrovasculares, como o infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doenças renais.

Dr. Rui Póvoa, cardiologista Chefe do Setor de Cardiopatia Hipertensiva da Universidade Federal de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, declarou no simpósio do 37º Congresso da Socerj, realizado no dia 18 de setembro, que a hipertensão, quando associada ao diabetes, pode elevar a mortalidade, principalmente por se tratar de uma doença silenciosa e de baixa adesão terapêutica.

—O paciente com diabetes tem 80% de chance de ter hipertensão arterial, e estes dois fatores juntos aumentam de forma exponencial todos os eventos cardio-cerebrovasculares danosos. Mas, não é simples, porque a hipertensão é uma doença assintomática e, normalmente, há a necessidade de dois ou três medicamentos e nem sempre a adesão à terapia é eficaz para o paciente. O uso de um único comprimido auxilia muito. Pela primeira vez, esse tipo de fármaco, sem efeitos adversos significantes, está sendo lançado aqui no Brasil e isso potencializa o tratamento — explicou o especialista. 

Em relação ao Atlas de 2017 do IDF, o Brasil teve um aumento de 31% na população com diabetes. De acordo com o documento de 2019, o país tem 16,8 milhões de pessoas com a doença, ocupando o 5º lugar no ranking mundial.

Para Dr. Rui Póvoa, quanto maior for a abordagem terapêutica, envolvendo diversas especialidades, e mais cedo for a orientação e prevenção de comorbidades, melhores resultados e qualidade de vida serão proporcionados aos pacientes. 

— Não basta apenas baixar a pressão, é preciso reduzir a mortalidade cardiovascular. Os estudos mostram que o perindopril (molécula inibidora de enzima conversora de Angiotensina – IECA) tem esse potencial, especialmente por sua capacidade anti-hipertensiva, anti-inflamatória e vasodilatadora. Além disso, o paciente hipertenso diabético retém muito sal, havendo a necessidade de um diurético. Entretanto, alguns desses provocam distúrbios metabólicos, diferentemente da indapamida, que causa apenas um ligeiro aumento na quantidade de urina produzida. Por isso, a associação do perindopril com a indapamida é muito boa. Um fármaco com essa combinação reduz muito os efeitos adversos e aumenta a eficácia no tratamento desses pacientes — ressaltou.

Além do uso de medicamentos preventivos, outros fatores podem evitar ataques cardíacos e morte prematura. Um controle mais rigoroso do diabetes e mudanças no estilo de vida, como parar de fumar, praticar atividade física e adotar uma alimentação mais saudável podem contribuir para um melhor prognóstico.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia
 
Sob a supervisão de Juliana Temporal

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