Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Hackers da Saúde no Hacking Rio 2018

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Hackathon significa maratona de programação. O termo resulta de uma combinação das palavras inglesas “hack” (programar de forma excepcional) e “marathon” (maratona). O Hackathon basicamente é um evento que reúne programadores, designers e outros profissionais especialistas, ligados ao desenvolvimento de tecnologias diversas para uma maratona de programação, cujo objetivo é desenvolver uma solução que atenda a um fim específico ou projetos livres que sejam inovadores e que atendam a demandas reais.

Aqui está o problema que os Hackathons vem resolver na área de saúde: promover a transdisciplinaridade, muitas vezes distante da formação dos profissionais da área, que estão acostumados a trabalhar em multidisciplinaridade, onde profissionais da mesma área, com especialidades diferentes se reúnem para resolver problemas clínicos. Outro problema que se pretende resolver é que do outro lado, profissionais de tecnologia interessados em e-health podem saber como construir tecnologicamente algo, mas nem sempre sabem o que a saúde precisa, enquanto os médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, e demais profissionais da saúde sabem o que precisam, mas muitas vezes não sabem como construí-lo. O que se tornou um movimento global de hackers está lentamente diminuindo essa lacuna: com a junção desses dois grupos, acontece uma espécie de “mágica”, onde o conceito é simples, mas o resultado é de grande impacto.

No final de semana passado, entre os dias 27 e 29 de julho, na região do Porto do Rio de Janeiro, foi realizado o maior Hackathon da América Latina, com mais de 1,2 mil especialistas em tecnologia, dentre os quais ais de 700 hackers de diferentes idades e aptidões. O evento foi nomeado Hacking Rio, idealizado pelo Movimento Juntos pelo Rio. Os competidores foram desafiados a desenvolver soluções capazes de solucionar os problemas da cidade e do mercado local em 15 áreas diferentes da economia, os chamados “clusters”, desde Saúde e Educação a Turismo e Finanças. Os desafios lançados pelos organizadores do evento, para o cluster de Saúde foram cinco:

1)Como resolver a dificuldade de médicos em pensar e administrar seus negócios e clientes?

2)Como agendar uma consulta com um bom médico do meu plano de saúde?

3)Alguns dos motivos de ineficiência e má experiência no processo de marcação e realização de exames de imagem são necessidade de agendamento por telefone e tempo de espera do paciente na unidade, sabendo que existe uma alta taxa de “no show”, então, como gerar mais eficiência nessa jornada?

4)Como reduzir o tempo de espera no atendimento médico no serviço público?

5)Como promover saúde e bem estar para pessoas sedentárias?

E as soluções apresentadas pelos grupos foram as seguintes:

SIGABRT – Problema a resolver: atraso nas filas do SUS para obtenção de medicamentos devido à ineficiência no processo de gestão e controle de medicamentos. Solução: contole dos medicamentos na palma da mão do farmacêutico.

Alô Marcia – Assistente de gerenciamento de filas e compromissos de consultas, exames, fila de espera nos serviços de atendimentos. Pretende universalizar o acesso à saúde, melhorar e humanizar a experiência dos ususários/pacientes, administrar a demanda entre espaços subutilizados e sobre utilizados, elevando a qualidade dos atendimentos e reduzindo custos.

Troca & Empresta – Plataforma para compartilhamento de materiais e medicamentos entre instituições de saúde.

We Stand – App que estimula a competição dentro de uma empresa, por hábitos saudáveis.

MedShare – App que permite ao paciente realizar o agendamento e pagamento de consultas antecipadamente, permitindo agilizar o contato com o médico e possibilitar soluções de crédito de reserva para evitar o “no show” e fidelizar o cliente através de descontos.

Mexa-se – Solução gamificada para promoção de saúde e bem estar para pessoas sedentárias, através de um app para iOS que proporciona uma aventura em família por meio de missões que acontecem no ambiente urbano do Rio de Janeiro.

Consultar – Dar acesso a pessoas que aguardam na fila do SUS a médicos especialistas da rede privada, de forma que os médicos que realizarem o atendimento possam ser remunerados através de restituição do imposto de renda.

IdMed – Resolve a burocracia na marcação de consultas com especialistas nos planos de saúde, permitindo a marcação on line. Ajuda os consultórios a obter a confirmação de presença, enviando mensagens aos pacientes.

ForMe – Plataforma de inserção de dados técnicos e de hábitos do paciente hospitalar, a fim de oferecer uma melhor experiência ao paciente que necessita de internação, e consequentemente irá fidelizá-lo à instituição, além de ajudar na redefinição dos processos internos hospitalares.

2 comentários em "Hackers da Saúde no Hacking Rio 2018"

  1. Acyr Cunha disse:

    É importante que tais propostas de solução cheguem ao publico alvo para poder beneficiar quem tem problemas.

  2. Marcio Meirelles disse:

    Várias das soluções apresentadas pelos grupos têm aplicação direta na Saúde Coletiva. Por outro lado, alguns dos problemas mencionados já encontraram soluções inovadoras. É o caso da regulação de exames e internações (SISREG/SER) brilhantemente resolvida no estado de Santa Catarina.

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