Opinião

Há um ano, OMS declarava pandemia de Covid-19

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*Dr. Acyr Gonçalo Cunha, membro do Conselho Consultivo do Observatório da Saúde do Rio de Janeiro

 

Há um ano – 11 de março de 2020 -, a OMS – Organização Mundial de Saúde declarava a emergência sanitária de saúde causada pelo Covid-19 como pandemia.

Iniciada na China, na província de Wuhan, em janeiro, e rapidamente isolada e contida após o reconhecimento, não impediu que o vírus se espalhasse por todo o mundo, devido à facilidade de viagens atuais.

Enquanto a China conseguiu limitar a disseminação do vírus, o mesmo não aconteceu em outros locais. A Lombardia, no norte da Itália, foi o primeiro local a testemunhar situações dramáticas e sacrifício dos profissionais de saúde, que, com conhecimento escasso da doença, limitação de recursos materiais e drogas, foram à exaustão e sacrifício. Como peças de dominó, depois caíram França, Espanha, Inglaterra e Alemanha.

Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos, desdenhou da Covid-19, foi contra o isolamento social e uso de máscaras, tornando a maior potência mundial recordista de casos e mortes.

Como a nova virose não necessita de um vetor para a transmissão e sim é feita por gotículas lançadas no ar, o uso de máscaras faciais, o distanciamento social e a higiene das mãos são medidas simples e essenciais para controle da disseminação da doença.

No começo, pensou-se ser uma infecção respiratória, mas, na Itália, microautópsias mostraram ser uma doença sistêmica. Surgiram testes diagnósticos, úteis para quarentena de pacientes assintomáticos e oligosintomáticos.

Drogas anti-retrovirais conhecidas e outras testadas em laboratório mostraram ser ineficazes e mesmo prejudiciais aos afetados. Até o momento, não há uma droga eficaz profilática ou terapêutica. O conhecimento científico, secular, mostrou que uma vacina eficaz seria o caminho para lidarmos com a Covid-19.

Todo o mundo científico, cerca de 100 laboratórios se lançaram em busca de uma vacina. Técnicas convencionais e revolucionárias, baseadas em engenharia genética, com RNA mensageiro do vírus, como são os imunizantes da Moderna e da Pfizer, com estímulos financeiros, diuturnamente foram à luta. E, hoje, temos cerca de 10 vacinas em fase 3, testes clínicos em humanos. Um recorde!

A humanidade só estará protegida, quando todos os indivíduos estiverem, pois não sabemos a duração da imunidade pós-vacina ou pós-cura da Covid-19. Por isso, a OMS criou o consórcio Facility COVAX, no intuito de levar as vacinas a países pobres.

A Covid-19, além de provocar problemas de saúde nas populações, desorganizou toda a estrutura social com repercussões inimagináveis. Só conseguiremos superar o normal quando cada um de nós, e todos, seguirmos à risca a orientação dos cientistas e rejeitarmos palpites não cientificamente comprovados, sugeridos por negacionistas.

VACINA JÁ E PARA TODOS!

2 comentários em "Há um ano, OMS declarava pandemia de Covid-19"

  1. Claudio Vieira disse:

    Artigo oportuno, lúcido e responsável.
    Parabéns.

  2. luiz roberto soares londres disse:

    Dr. Acyr Cunha sempre trazendo belos comentários

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