Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

Gamificação para ações de Saúde

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Até 2025, a previsão da OMS é que 7 em cada 10 millenials terão sobrepeso ao chegar à meia idade. Sim, essa mesma geração que passa a maior parte do tempo se relacionando virtualmente nas redes sociais, que passa o final de semana inteiro assistindo séries de TV, que trocou os campos de futebol para participar dos campeonatos on-line com pessoas do mundo inteiro. Criticar sem buscar empatia só irá deixar a aproximação mais difícil. Como, afinal, estimular as pessoas a se engajar no autocuidado, para que criem hábitos saudáveis de vida? Vamos falar do poder da gamificação na saúde, usando teorias de formação de clusters, teoria cognitiva comportamental, comunicação e outras ferramentas.

Seres humanos são complexos originalmente, e jogar é um bom exemplo de como nossos processos cognitivos podem ser estimulados a partir de aspectos lúdicos, obtendo-se, por resultado, alta taxas de retenção do aprendizado. Nesse sentido, uma metodologia eficaz para alcançar objetivos de saúde é a Gamificação, ou seja, a aplicação de mecânicas e design de jogos para envolver e motivar as pessoas a atingirem objetivos pessoais.
Quando pensamos em Gamificação, muitas vezes nos concentramos na mecânica e pouco buscamos entender de fato quais são as motivações que estão por trás das ações das pessoas, isto é, a vontade e outros fatores que as inspiram a realizar suas tarefas. A forma mais assertiva de se fazer isso ocorre através do processo de criação da mecânica do jogo e seu encaixe em determinado contexto, tendo como fundamento, o entendimento a respeito do que traz valor para as pessoas que se quer alcançar. Isso implica na reformulação das atividades, de modo a torná-las mais divertidas e significativas.

Dessa forma, a Gamificação é capaz de incentivar as pessoas a desenvolver comportamentos desejados, mostrando um caminho para o sucesso, levando em conta a predisposição psicológica que todos temos para jogos. Uma boa maneira de fazer isso, por exemplo, é criando uma competição. É preciso definir objetivos se queremos elaborar um sistema de gamificação em saúde, para que depois seja possível avaliar se os mesmos foram alcançados. Teremos que olhar para os resultados alcançados e poder dizer se avançamos, se nos distanciamos ou se permanecemos na mesma posição. Outro item relevante na jornada é pensar em quais habilidades serão trabalhadas nos participantes, que sejam ferramentas adquiridas durante a gamificação mas que permaneçam como aprendizado para a vida dos mesmos.
Somos movidos a desafios, isso comprovadamente aparece de forma concreta em vários momentos da evolução, de geração a geração. Tão importante quanto os desafios, são os feedbacks que tanto buscamos atualmente nas redes sociais, e que gera autoeficácia para levar o público alvo ao alcance de seus maiores desafios.
Construir desafios on line ou off line ou mesclar ambas as condições têm levado as pessoas através do lúdico, ao alcance de metas antes inatingíveis. De forma geral, o envolvimento emocional se torna a chave para a motivação no mundo real, pois muitas pessoas precisam de estímulo e feedback para superar seus desafios pessoais, daí a Gamificação ser uma ferramenta tão assertiva nesses casos.

Auxiliar as pessoas além da obtenção de comportamentos mais saudáveis, e avançar seguindo na manutenção desses comportamentos requer uma metodologia quando se precisa mantê-los por médio e longo prazo, e por que não dizer, por toda uma vida? Outros recursos que podem cooperar para chegarmos onde queremos é fazer o uso de storytelling, já que narrativas são fundamentais para tornar uma relação duradoura e transmitir uma mensagem como as regras de um jogo por exemplo, se a gamificação contemplar um jogo também, pois contribui com o estabelecimento de empatia.

O que diferencia a Gamificação dos jogos, é que a sua finalidade engloba um objetivo completamente distinto, ou seja, enquanto os games são utilizados puramente para diversão, a Gamificação foca em usar técnicas específicas para uma compreensão mais ampla dos processos, possibilitando novos conhecimentos, e um aumento no desempenho individual, e por que não dizer que o impacto individual pode se estender a ponto de influenciar mais pessoas, ajudando assim na construção de um mundo mais saudável?

Um comentário em "Gamificação para ações de Saúde"

  1. Marcio Meirelles disse:

    A autora propõe o uso de jogos eletrônicos na motivação das pessoas a adotarem hábitos saudáveis. É, sem dúvida, uma abordagem inovadora e bem ao gosto dos millenials, a geração da internet. Um campo de investigação promissor. Vamos acompanhar.

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