Isis Breves

Saúde Coletiva

Por Isis Breves

Estado do Rio de Janeiro tem um dos maiores índices de Tuberculose do país e do mundo

Essa semana a Coluna Saúde Coletiva traz como tema a Epidemia de Tuberculose. A tuberculose não é uma doença do passado e apresenta altos índices de incidência e mortalidade no Estado do Rio de Janeiro, principalmente no município do Rio.

Para se ter uma ideia da gravidade, em 2014, durante a Assembleia Mundial de Saúde, na Organização Mundial da Saúde (OMS), foi aprovado a nova estratégia global para enfrentamento da tuberculose, com a visão de um mundo livre da tuberculose até 2035. A meta é atingir até 2035 menos de 10 casos por 100 mil habitantes. O Brasil é um dos países com maior número de casos no mundo e, desde 2003, a doença é considerada como prioritária na agenda política do Ministério da Saúde (MS). Embora seja uma doença com diagnóstico e tratamento realizados de forma universal e gratuita pelo Sistema Único de Saúde, ainda temos barreiras no acesso.

Dados do Boletim Epidemiológico do MS de 2017 mostram que o índice do Brasil foi de 33,5 casos por 100 mil habitantes, com um registro de 69.569 casos novos em 2017 e 4.426 mortes por tuberculose em 2016. Quando a análise é retratada por capitais brasileiras, o Rio de Janeiro configura a segunda maior taxa de incidência da doença, 88,5 casos por 100 mil habitantes. Só perde para Manaus que tem a maior taxa, 104,7 casos por 100 mil habitantes. Também os maiores coeficientes de mortalidade, no ano de 2016, foram observados no Rio de Janeiro (4,4/100 mil hab.).

O mais preocupante é que a principal estratégia ditada pelo Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose do MS, elaborado à luz do modelo proposto pelo OMS para reduzir os casos de incidência da doença, é a expansão da atenção básica nos municípios, como estratégia de fortalecimento ao acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. No caso da cidade do Rio de Janeiro, com a crise da saúde, a Prefeitura anunciou cortes para 2019 de 239 equipes da atenção básica, sendo 184 de saúde da família.

O modelo assistencial apoiado na Atenção Primária à Saúde, especialmente baseado na expansão da Estratégia da Saúde da Família (ESF) é fundamental para o combate à tuberculose. Entenda: em 2016, houve a expansão da atenção básica e ampla oferta de testagem rápida nas Unidades Básicas de Saúde do Rio, o que impulsionou a melhora da testagem para HIV dos casos novos de tuberculose, que saiu de 43% em 2008 para 82% em 2016 da oferta do exame. Além disso, 65% dos casos novos pulmonares foram diagnosticados através de confirmação laboratorial, representando um aumento de 14% comparado com 2008.

Ainda sim, em 2016 a cidade do Rio de Janeiro está com altos índices da doença e precisa fortalecer as estratégias para diminuição da incidência e do número de mortes pela doença. Em 2017, o Rio de Janeiro teve como estratégia 231 unidades de atenção primária, responsáveis pelo diagnóstico de 76% dos casos de tuberculose de residentes do município. Para 1,8% dos casos de tuberculose, em quem foi detectada resistência, o acompanhamento é realizado nas 18 unidades de referência secundária e de referência.

Com tantos desafios no enfrentamento da Tuberculose no Rio de Janeiro, tais como os determinantes sociais da doença, como, por exemplo,  a circulação de ar inadequada, um grave problema encontrado nas favelas cariocas pela ocupação desordenado, o abandono do tratamento, que tem como previsão inicial 6 meses de uso da medicação, dentre outros, há de acompanhar as estratégias prevista para o combate da doença para 2019.

Saiba mais sobre a Tuberculose:

Assista ao vídeo do MS:

https://youtu.be/EQfcAvRrQ4I

Página da Campanha Nacional do MS contra a Tuberculose em: http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/tuberculose/

Folder da campanha do MS: http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/tuberculose/campanha/cartilha.pdf

Acesse o documento do MS – “Brasil Livre da Tuberculose – Plano Nacional pelo fim da tuberculose como problema de saúde pública” em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/brasil_livre_tuberculose_plano_nacional.pdf

Cartilha de Tuberculose para o Agente Comunitário de Saúde em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_agente_comunitario_saude_tuberculose.pdf

Folheto Tuberculose

Um comentário em "Estado do Rio de Janeiro tem um dos maiores índices de Tuberculose do país e do mundo"

  1. Marcio Meirelles disse:

    Paralelamente ao decisivo trabalho das equipes de saúde da família, há que se destacar a importância das intervenções públicas, notadamente aquelas voltadas para o saneamento básico e para melhores condições de moradia. O projeto da Rua 4, na Rocinha, é um caso exemplar pelos excelentes resultados obtidos.

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