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Escolas americanas ensinam empatia e autocontrole para as crianças

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Crianças aprendem como administrar emoções, estabelecer metas e construir relações saudáveis – Shutterstock.com/Nadya Eugene

 

Habilidades impactam positivamente alunos, pais e professores

Por Pam Moore

O Globo – 24/02/2018

 

WASHINGTON — Minha filha estuda em uma escola pública em Boulder, no Colorado, e sua professora é a única em meio a vários educadores a incluir aprendizagem socioemocioanal em suas aulas. No entanto, o conselho da Boulder Valley School District (BVSD) aprovou recentemente uma concessão para financiar pesquisas relacionadas a esse assunto, com o objetivo de criar uma abordagem global sobre o tema. Isso significa que mais crianças aprenderão como administrar suas emoções, estabelecer metas, construir relações saudáveis, tomar boas decisões e ter empatia.

A aprendizagem socioemocional é baseada em cinco competências: autoconhecimento, autogestão, consciência social, habilidades de relacionamento e capacidade de tomada de decisão responsável. Essas ferramentas podem ajudar os alunos na sala de aula, mas, principalmente, podem tornar crianças e seus pais mais felizes.

Samantha Messier, superintendente da Boulder Valley School District, disse que o interesse no assunto veio da percepção crescente de como essas habilidades podem contribuir para o sucesso acadêmico. Uma meta-análise feita em 2011 mostrou que estudantes que participaram de programas pautados na aprendizagem socioemocional melhoraram a performance acadêmica. Um outro estudo, feito em 2017, mostrou que as crianças que foram incluídas nesse modelo também apresentaram taxas mais altas de escolarização e comportamento sexual mais seguro, mesmo 18 anos após a intervenção. Messier espera que esse tipo de aprendizagem dê aos alunos da BVSD uma base para uma vida feliz e bem-sucedida.

— Se pudermos fazer isso, estaremos preparando nossos alunos não só para uma carreira de sucesso, mas também para terem um impacto positivo no mundo ao seu redor — disse.

Ainda que algumas escolas estejam começando a adotar o desenvolvimento dessas habilidades, essa não é a regra. Se a escola do seu filho não inclui aprendizagem socioemocional no currículo, Jennifer Miller, especialista no tema, dá algumas sugestões para os pais que querem ajudar suas crianças a construir esse repertório em casa. Ela recomenda a criação de um “plano familiar de segurança emocional”. Dessa forma, quando alguma crise acontecer, você já estará pronto.

— Pode ser simples, como ensinar que, “quando mamãe está brava, ela dirá que precisa de cinco minutos, e depois irá para o quarto dela e ficará lá enquanto se acalma”. Explicar que isso pode acontecer impede que seu filho se pergunte ansiosamente “por que ela está me deixando?”, contribuindo para deixá-lo com medo — diz ela, acrescentando que o autoconhecimento é importante para pais e para filhos.

Embora discussões familiares sejam naturais, elas nem sempre são saudáveis. De acordo com Jennifer, dados mostram a eficácia de alguns tipos específicos de briga. Ainda que certas palavras e atitudes possam deixar cicatrizes emocionais, outras podem fortalecer relações. A especialista sugere definir algumas posturas a serem evitadas, como criticar e culpar, enquanto recomenda alternativas mais efetivas, como focar em soluções. Ela diz que ainda que esse pacto seja feito somente entre os pais, os filhos se beneficiarão.

Jennifer sugere também que, quando confrontados com desafios, os pais se indaguem que habilidades os filhos precisam ter para modificar aquele comportamento. Ela destaca que os pais devem direcionar as crianças para o tipo de comportamento que desejam.

— Se seu filho pega o brinquedo da irmã mais nova repetidamente, em vez de dizer sempre “não”, questione: “Você realmente quer o brinquedo da sua irmã? Vamos ver se há algum modo de brincar em que todos fiquem felizes. O que podemos fazer?”— exemplifica, sugerindo ainda que os pais peçam que o filho ensine o comportamento adequado a um brinquedo.

Como mãe, eu vejo os benefícios das competências socioemocionais diariamente. Vejo quando minha filha escolhe respirar fundo, em vez de gritar enquanto eu escovo seu cabelo. Ou quando ela diz: “Cometi um erro. Vou respirar fundo e tentar de novo”. Em sua escola, aprendizagem socioemocional não é uma aula separada. Sua professora, Donna Young, traz isso para dentro da cultura da sala de aula. Ao longo do dia, eles fazem exercícios de respiração, e a professora se esforça para promover mecanismos de autogestão. Quando comete erros, fala aos alunos o que fará diferente da próxima vez.

Habilidades socieomocionais, como autorregulação e empatia, não são benéficas somente para as crianças.

— Se eu tivesse a autoconsciência que tenho hoje, teria criado meus filhos de maneira diferente. Acho que teria mais compaixão por mim e por meus erros como mãe de crianças pequenas — conta a professora.

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