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Entidades se reúnem para discutir sobre saúde psicológica no trabalho

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Desdobramentos do Sétimo Fórum do Observatório da Saúde, e o tema do “setembro amarelo” repercutiram na formação deste debate realizado no espaço da Procuradoria Regional do Trabalho.

Por: Rafael laet
redacaoobservatorio@gmail.com

O último dia de setembro (30) foi marcado pela discussão deste contraditório tema, que muitos já consideram transcender a tragédia pessoal, e se tornar uma questão de saúde pública. Estamos falando sobre os assustadores fatos numéricos de adoecimento psíquico no brasil, e da necessidade de discussão sobre o assunto.

O encontro foi promovido pelo Centro da Valorização da Vida (CVV) e pela Procuradoria Regional do Trabalho. Com os temas de “adoecimento psíquico no trabalho”, e “Saúde do trabalhador de segurança pública: vivencias e perspectivas”, o evento reuniu profissionais da segurança pública, da saúde, psicólogos e pesquisadores.

As palestrantes foram Meire Cristine Ferreira de Souza, representante do Observatório da saúde e da polícia civil, e Daisy Miranda, socióloga pela UFRJ e cientista política pela USP.

Por que discutir esse tema

Especialistas afirmam que esta periculosidade psicológica é consequência de um profissional prisioneiro de sua ocupação. Estes profissionais se tornam vítimas de incompreensão social, incompetência administrativa, ou da falta de suporte necessário para exercer sua profissão, e acabam por adoecer ou cometer suicídio.

“Já se encontram nas mentes das pessoas muitos dos números que mostramos aqui hoje: O brasil é o oitavo país do mundo em questão de quantidade de suicídios. São 11.000 casos por ano. Quase 31 pessoas por dia! Discutir é o primeiro passo, mas também devemos propor mudanças para este paradigma em conjunto com os representantes destas instituições cariocas presentes”, explicou Daisy Miranda.

Pessoas precisam de pessoas

As vivencias da polícia civil, e de sua representante, foram tema da primeira palestra. Meire relata os altos níveis de periculosidade enfrentados pela polícia civil, e militar do Rio de Janeiro. Também afirma a necessidade de uma mudança de paradigma em todos os níveis do ambiente de trabalho destas instituições.

Uma destas mudanças foi protagonizada pela própria: A elaboração de um coral da polícia civil, instituído em novembro de 2012. De acordo com a chefe da polícia civil na época, a então deputada Martha Rocha: considerando a atividade policial como um grande fator de desencadeamento de stress, a atividade do canto funciona como terapia anti-stress, e também aumenta a qualidade de vida do indivíduo.

“Quando eu dei a ideia do coral me consideraram uma doida. Achavam que policial não tinha nada a ver com música. Eu não me desanimei. Muitas das pessoas interessadas estavam com problemas no trabalho, ou com sintomas de depressão e me disseram que no coral elas se sentiam mais livres para se expressar. Hoje já temos 7 anos de Coral da PCERJ”, ressaltou Meire Cristina

Multiplicadores

Sendo pelas crescentes exigências relacionadas ao processo organizacional, ou pelo aumento da velocidade do ritmo imposto no desenvolvimento de atividades no trabalho, os multiplicadores negativos também se apresentam em outras atividades trabalhistas como a da medicina e do trabalhador rural. Entendendo multiplicador como ator que exercerá o papel de educador no meio do trabalhador, a elaboração de multiplicadores positivos trará o equilíbrio emocional.

Alguns dos multiplicadores positivos estão no ensino da capacidade de:

  • Identificar sinais de alerta.
  • Abordar a pessoa sob risco.
  • Encaminhar a pessoa para serviços de saúde emocional e psíquico.

“O investimento maciço em saúde mental já deu certo anteriormente. Visto que já temos exemplos bem-sucedidos de diminuição de suicídios ligados ao trabalho nos estados unidos. Já temos leis tanto no Brasil quanto no exterior para lidar com estes problemas, mas o que nós precisamos é construir juntos um método organizacional e receber apoio para possibilitar estas mudanças no Rio de janeiro, e no mundo”, concluiu Daisy Miranda.

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