Notícias

Entidades debatem sobre saúde dos agentes de segurança pública

20190807_153221
Por Maylaine Nierg
redacaoobservatorio@gmail.com 

Muito se ouve falar em mortes causadas por policiais ou por bandidos em confronto com a polícia, onde a população é vítima. Mas ainda são poucas as discussões sobre mortes de policiais, sejam como vítimas de homicídio ou por suicídio. No entanto, de acordo com especialistas, muitos desses profissionais estão morrendo ou adoecendo, vítimas da incompreensão e da ausência de suporte necessário para que exerçam a profissão com segurança. 

Entidades do Rio de Janeiro se uniram para debater esse assunto. Com o tema “Panorama da atuação em Segurança e Saúde do Trabalho no estado do Rio de Janeiro”,  I Encontro de Profissionais de Saúde da Segurança Pública ocorreu no dia 07 de agosto, e reuniu agentes de segurança pública, psicólogos e médicos do trabalho para análise desse tema. O evento foi promovido por meio do Núcleo de Pesquisa e Intervenção em Saúde do Policial Civil (NuPISaúde), fruto da iniciativa do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (SINDPOL-RJ) e da Coligação dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (COLPOL-RJ).

Houve duas mesas de discussão: uma pela manhã, com representantes das oito instituições da segurança pública do estado do Rio de Janeiro: CBMERJ, DEGASE, GM, PCERJ, PF, PMERJ, PRF e SEAP; e outra à tarde, professores/pesquisadores da USP, da UFRJ e da FIOCRUZ.

O Observatório da Saúde participou do debate, tendo como seus representantes o Diretor Executivo, Dr. Marcio Meirelles e o membro do Conselho, Dr. Newton Richa, que compôs uma das mesas do seminário. Richa falou sobre “Doenças Relacionadas ao trabalho”, com foco na atividade policial.

“O que pode ser mais importante do que a saúde? Nada. No entanto, muitos brasileiros ainda são ignorantes em relação ao que, de fato, é ser saudável. Comumente, as pessoas no nosso país tendem a associar à saúde à medicina e tratamento de doenças. Quando, na verdade, saúde envolve o completo bem-estar físico, mental e social. Também é importante que as entidades entendam a abrangência desse conceito de saúde”, explicou Richa.

Missão prevenir e proteger 

A pesquisadora da Fiocruz Patrícia Constantino abordou uma extensa pesquisa que avaliou as condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro. Os detalhes desse estudo foram registrados no livro “Missão prevenir e proteger”. Entre os dados destacados na pesquisa está o apontamento para o alto índice de casos de suicídio e o uso de substâncias químicas por muitos desses agentes. 

“Chegamos à dados preocupantes. Se formos pensar do ponto de vista racional, a decisão de ser policial envolve muita coragem, e chega a ser inexplicável, considerando todos os riscos que envolvem essa decisão. Nenhum outro profissional tem sua vida pessoal tão afetada pelo trabalho quanto o policial”, ressaltou a pesquisadora. 

Aspectos psicológicos

Outro palestrante foi o psicólogo da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Salvador Juliano. Ele falou sobre os desafio de cuidar da saúde mental dos policiais, e explicou que é preciso apoio e compreensão por parte dos superiores. 

“Além do estresse inerente ao dia a dia da profissão, muitos desses policiais enfrentam assédio moral por parte de seus superiores. Tudo isso se soma ao fato de que não temos todo o suporte psicológico e psiquiátrico necessário para cuidar desses policiais”, sinaliza Juliano.

Programas de Atenção à Saúde

Já a policial federal Juliana Diniz falou sobre os programas de atenção à saúde dos Policiais Rodoviários Federais do Rio de Janeiro. De acordo com Juliana, o PROSSERV (Programa de Atenção à Saúde do Servidor) desenvolve ações como Educação Física Institucional, Escuta Solidária (Programa de Acolhimento e Orientação), Programa de Preparação para a aposentadoria, entre outros. 

O médico do trabalho Claude Jacques, mencionou em sua apresentação uma frase que parece resumir o consenso geral do agentes de segurança pública no estado do Rio de Janeiro: “seguir em frente não é fácil, mas necessário. mesmo lutando contra a escassez de uma sociedade que não apoia o agente público, nós continuamos lutando”. 

Ao final de cada palestra, os policiais que participaram como ouvintes puderam esclarecer dúvidas e levantar questionamentos referente ao tema. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *