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Entenda o diabetes gestacional e quais os fatores de risco

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No mês do Novembro Azul, campanha de grande visibilidade para a prevenção e conscientização do diabetes, é importante estarmos atentos às diferentes manifestações da doença.

As variações mais conhecidas do diabetes são o tipo I e II, mas você sabia que existe o risco de mães desenvolverem diabetes durante a gravidez? É o chamado Diabetes Gestacional.

A doença se caracteriza pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez, havendo o risco de complicações para a saúde da mãe e do bebê.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, esse é o problema metabólico mais comum na gestação e tem prevalência entre 3% e 25% das gestações, dependendo do grupo étnico, da população e do critério diagnóstico utilizado.

Como todos sabem, durante a gestação a mãe passa por diversas alterações hormonais. Normalmente, o organismo humano produz a insulina, responsável por levar a glicose até as nossas células, para nos dar energia. Durante a gravidez, a insulina passa a ser produzida em maior quantidade. Isso acontece devido a outros hormônios, produzidos pela placenta durante a gestação, acabarem bloqueando parcialmente a ação da insulina em sua jornada até o interior das células. O pâncreas da mãe, então, aumenta sua produção de insulina, para compensar essa eficácia reduzida.

Porém, algumas mães não passam por esse processo de aumento de produção da insulina, levando a um alto nível de glicose no sangue. A exposição a grandes quantidades de glicose causa crescimento excessivo do feto (chamado de macrossomia fetal), podendo levar a partos traumáticos. Além disso, existe o risco de hipoglicemia neonatal e até mesmo de maiores chances de o bebê desenvolver uma tendência a obesidade e diabetes na vida adulta.

Quais são os sintomas do diabetes gestacional?

O diabetes gestacional não costuma apontar sintomas detectáveis. Os sintomas que poderiam ser mencionados assemelham-se aos sintomas naturais da gravidez, como fadiga, aumento no apetite e na frequência do xixi. Apenas quando o quadro está muito alterado que a mãe pode sentir mal-estar e aumento na sede. Especialistas recomendam exames para verificar o nível de glicoses em mães a partir do 6° mês, ou 24° semana. Nesse exame, a gestante ingere glicose concentrada e tem uma amostra do sangue coletada de hora em hora, com o objetivo de avaliar quanto tempo o açúcar demorará para desaparecer da corrente sanguínea. Uma hora após o líquido ser ingerido, o nível de glicose não deve ultrapassar 180 mg/dl. Duas horas depois, esse valor não deve ultrapassar o limiar de 155 mg/dl. Por fim, após três horas, deve ser menor do que 140 mg/dl. Caso os valores sejam diferentes dos determinados acima, é constatado o diabetes gestacional.

Fatores de risco

Qualquer mulher pode desenvolver o diabetes gestacional, mas é muito importante ficar atento aos fatores de risco para a doença, são eles:

  • Histórico de diabetes gestacional na mãe da gestante.
  • Maternidade tardia. A maternidade tardia leva a uma maior tendência ao diabetes gestacional, assim como para a doença hipertensiva da gravidez.
  • Gestação múltipla, ou seja, gravidez de gêmeos.
  • Ganho de peso excessivo durante a gestação. Segundo o Ministério da Saúde, mulheres que começam a gestação com um peso adequado devem ganhar de 11 a 16 kg durante os nove meses de gravidez. Para as que engravidam com sobrepeso, o ganho de peso ideal é entre 7 e 11 kg. Um aumento maior do que o adequado pode levar a complicações, entre elas, o diabetes gestacional.
  • Síndrome dos ovários policísticos. Essa síndrome foi fortemente associada ao risco de diabetes gestacional em pesquisas recentes.
  • Histórico familiar de diabetes em parentes de 1° grau.
  • Histórico prévio de bebês grandes na família. Bebês que nasceram com mais de 4kg na família levam a uma maior probabilidade de diabetes gestacional anterior que possa ter passado despercebida.

O tratamento recomendado é o controle adequado da dieta, assim como atividade física regular. Porém, quando esse controle não é possível somente desta forma, o uso de insulina injetável é recomendado. Seu uso é seguro durante a gestação, e tem como objetivo a normalização da glicose materna. Existe, também, a possibilidade de medicamentos orais, com maior praticidade e melhores preços.

A maioria das mães que passam pelo episódio do diabetes gestacional têm bebês saudáveis, caso sejam acompanhadas por um médico e recebam o tratamento adequado, dedicando-se ao controle do índice glicêmico.

Após o parto

Importante destacar, também, que mesmo após o parto bem-sucedido, a mãe deverá voltar a realizar exames para verificar a tolerância à glicose, sem o uso de medicamentos antidiabéticos, em aproximadamente seis semanas após o parto. Após o desenvolvimento de diabetes gestacional, arrisca-se o desenvolvimento do diabetes tipo 2, mas isso pode ser prevenido através de uma dieta balanceada e prática regular de exercícios.

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