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Entenda o aumento dos casos de sífilis no Brasil e como prevenir

sífilis
Por Maylaine Nierg

A sífilis é uma infecção grave e altamente contagiosa, que pode ser transmitida através de relações sexuais (adquirida) ou da mãe para o bebê no momento do parto (congênita). O combate a esse problema passa por medidas de prevenção, como uso de preservativos e exames de rotina. Outro fator importante é o diagnóstico precoce. Quanto antes a doença é descoberta e tratada, menores são os riscos de complicações. Por isso, é fundamental procurar um médico ao menor sinal do problema.

De acordo com dados no Ministério da Saúde, os casos de sífilis vêm aumentando significativamente no Brasil, desde 2010.  Ainda segundo o MS, uma das razões para esse aumento é a maior vigilância, que automaticamente gera mais notificações. Porém, especialistas não isolam outras evidência para o aumento da doença nos últimos anos.

A pesquisadora do Departamento de Pesquisa Clínica em DST e AIDS da Fiocruz, Rosa Domingues, apresenta outras razões para esse aumento. Entre elas, redução do uso de preservativo, resistência dos profissionais de saúde à administração da penicilina na Atenção Básica e o desabastecimento mundial de penicilina.

Outro dado importante e que merece destaque, segundo a pesquisadora, são as alterações da sífilis por idade materna. Ele explica que os casos estão se tornando mais comuns em mulheres mais novas, o que é um dado preocupante.

“Até 2011, a proporção de casos em mulheres de 30 a 39 anos era superior ao observado em mulheres de 15 a 19 anos, o que seria esperado, já que pessoas de maior idade teriam maior possibilidade de exposição à doença na vida. Entretanto, a partir de 2011, essa distribuição se inverteu, com a proporção de casos em mulheres de 15 a 19 anos sendo maior do que em mulheres e 30-39 anos, o que pode indicar uma maior transmissão da doença em jovens”. 

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas variam de acordo com a fase da doença. Porém especialmente entre as mulheres, podem não ser evidentes no início. Nas fases iniciais, esses sinais tendem a regredir e muitas vezes são confundidos com de outras doenças.

“No adulto, a sífilis tem várias fases. A primária se manifesta pelo surgimento do cancro duro, que é indolor e regride mesmo sem tratamento. Nas mulheres, esse cancro muitas vezes está localizado na vagina, o que não permite que ela perceba que se infectou. Depois temos uma fase secundária caracterizada por manchas na pele, na palma das mãos e planta dos pés, febre, aumento dos gânglios. Após as duas primeiras fases a doença entra numa período de latência, onde o paciente não apresenta sintomas, mas pode transmitir a infecção para seus parceiros sexuais e para o bebê durante a gestação.”, resalta a pesquisadora. 

A especialista acrescenta que existe ainda a fase terciária, onde a sífilis se evidencia tardiamente – de 3 a 30 anos após infecção – caso a pessoa não seja tratada, e que se manifesta por lesões cutâneas, cardíacas e neurológicas.

Nos bebês, a sífilis congênita é classificada em precoce (até os dois primeiros anos de vida) e tardia (após os dois anos).

Complicações da sífilis na gravidez

Nas mulheres grávidas, o ideal é que todas passem pelo teste para possível diagnóstico da sífilis logo no início da gestação.  Essa medida é importante para evitar desfechos mais graves para o bebê.

“A sífilis na gravidez pode causar problemas como abortamentos, morte fetal intraútero (óbito fetal), morte após o nascimento (óbito neonatal), prematuridade, baixo peso ao nascer e sinais de infecção ao nascimento (alterações no sangue, no fígado, nos ossos, no sistema nervoso). Entretanto, a maioria das crianças infectadas pela sífilis nasce sem sintomas, mas pode desenvolver vários problemas de saúde se não tratada precocemente” assinala Domingues.

Tratamento

Sobre o tratamento, a pesquisadora explica que ele é feito com o uso da penicilina,. A dose do medicamento vai depender da fase da doença em que a pessoa se encontra (no caso da sífilis adquirida) e dos sinais, sintomas e resultados de exames (no caso da sífilis congênita). No caso de adultos o tratamento dura no máximo 3 semanas (uma injeção por semana) e no bebê a duração máxima é de 14 dias. O controle de cura é feito durante alguns meses, por meio de exames de sangue.

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