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Entenda a importância de cuidar da saúde dos olhos em todas as faixas etárias

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta que, no Brasil, atualmente, há mais de 1,2 milhão de cegos. Como a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 60% das cegueiras são evitáveis, isso significa que quase 700 mil brasileiros que são cegos poderiam não ser, se tivessem recebido tratamento precocemente. Com esses números em mente, é notável uma necessidade urgente de nos conscientizarmos de que é preciso reduzir de forma expressiva o número de portadores de cegueira evitável no país.

Ao nascer, o Teste do Olhinho feito já na maternidade, permite diagnosticar alterações oculares através do reflexo vermelho presente na pupila dos bebês. Se a pupila apresentar um aspecto esbranquiçado, pode significar presença de catarata, lesão vitreoretiniana ou tumor intraocular, o que obriga o encaminhamento imediato ao oftalmologista. Se notado um lacrimejamento excessivo, dando a impressão de um dos olhos ser maior que o outro, deve ser afastada a hipótese de um glaucoma congênito.

No primeiro ano de vida, também pode aparecer um quadro de estrabismo, cabendo ao especialista identificar a causa e estabelecer o tratamento adequado, incluindo uma eventual cirurgia para correção. Em muitas ocasiões, o estrabismo pode ter como causa alguma lesão macular, sendo a toxoplasmose congênita a razão principal para provocar a perda parcial da visão e o comprometimento do paralelismo normal dos olhos.

— Se esse desvio ocular, de maneira geral convergente (ou seja, os olhos se desviando para dentro), aparece por volta dos três anos, a presença de uma forte hipermetropia poderá ser o agente causal e um óculos será o suficiente para contornar o problema — explicou o Dr. Miguel Ângelo Padilha, membro titular da Comissão de Ética do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e membro do Observatório da Saúde.

Existem ainda outras alterações oculares que exigem um exame ocular por volta dos três anos de idade para diagnosticar se a criança é portadora de hipermetropia, miopia, astigmatismo e, mais importante, se estes “vícios de refração” não estão afetando apenas um dos olhos. Se isto ocorrer, será importante estabelecer tratamentos ortópticos para que a função visual possa transcorrer de forma normal e para que não se desenvolva o que popularmente chamamos “olho preguiçoso”.

Daí em diante, é possível citar: a retinose pigmentar, que costuma se manifestar durante a adolescência; o ceratocone; o glaucoma, que torna-se mais comum a partir dos 40 anos; a catarata, a partir dos 60; a degeneração macular, a partir dos 70; e, por fim, as endoteliopatias, que se agravam a partir dos 80 anos.

Segundo Dr. Miguel Padilha, a prevenção é feita com exames oculares regulares que devem ser feitos por um médico oftalmologista.

— É recomendável que, se pais ou professores, perceberem qualquer tipo de anomalia visual, levem a criança ao médico para conferir se algo não está errado. Por exemplo, se a criança passar a se sentar mais perto do quadro na sala de aula ou começar a assistir televisão muito de perto. Além disso, se ela apertar os olhos com frequência, se queixar de secura ocular ou, ao contrário, estiver sempre lacrimejando, também deve servir de alerta — orientou o especialista, aproveitando para declarar que um dos principais cuidados com os olhos é não ficar coçando de forma intensa, não apertar, ter cuidado com a exposição excessiva ao sol na praia ou na piscina e não pingar colírios sem recomendação médica.

A frequência ideal para fazer exames oculares deve ser ditada pelo especialista. Se o paciente apresentar uma doença diagnosticada, como ceratocone ou glaucoma, não importa a idade, os intervalos deverão ser curtos. Se não existir absolutamente nenhuma patologia ocular, os intervalos poderão ser de anos entre os exames, pelo menos até os 40 anos de idade, quando se instala a presbiopia (vista cansada).

Para funcionarem perfeitamente, os olhos necessitam de luz suficiente para realizar suas atividades, como ler, por exemplo, sem apresentar fadiga.

— Os olhos humanos não estão aptos para funcionarem em baixa iluminação. Ao assistir televisão, o recomendável é manter uma iluminação normal no ambiente onde ela se encontra. Hoje, graças aos televisores com telas de plasma, as imagens são perfeitamente visíveis mesmo instalados em varandas abertas. O uso de tabletes ou celulares por horas intermináveis é totalmente desaconselhável, não só pela emissão de um espectro de luz azul, que os pesquisadores consideram danosos às células fotorreceptoras da retina, como também pela possibilidade de provocarem o aparecimento de olho seco. Já está comprovado que, nesta situação de exposição excessiva a estes equipamentos, os olhos reduzem a produção de lubrificação considerada ideal. E, por efeito acumulativo, podem levar ao aparecimento de degeneração macular com o avanço da idade — discorreu Dr. Miguel Padilha.

Atualmente, vários trabalhos científicos comprovam que toda criança deve ser exposta ao sol da manhã por certo período, diariamente. Esta ação provoca a produção de uma substância química inibitória para o aparecimento e desenvolvimento de miopia. Em países muito frios, onde tal exposição é muito restrita, estudiosos encontraram um alto índice de miopia, que tende a crescer de forma quase como a de uma epidemia de míopes. Ao contrário, em países tropicais, o índice desse desvio ocular entre jovens é bem menor.

Até a primeira metade do século passado, a Oftalmologia usava apenas recursos quase que milenares para o tratamento de diversas doenças oculares, como a catarata, o glaucoma e doenças de retina e vítreo. A existência de algumas estruturas intraoculares, como o revestimento interno da córnea, denominado endotélio, era desconhecida.

— Não havia noções exatas de como realizar um transplante de córnea. Foi a partir da década de 1960 que a Oftalmologia deu um salto significativo com a incorporação de diversas tecnologias, que mudaram totalmente a maneira de diagnosticar e tratar aquelas doenças. O advento de vários tipos de laser (principalmente o argônio, YAG, excimer) permitiu executar procedimentos cirúrgicos absolutamente impensáveis no início do século XX, como a correção da miopia, hipermetropia, astigmatismo e vista cansada. A implantação de cristalinos artificiais na cirurgia de catarata foi outro ponto revolucionário dentro da Oftalmologia. O uso de ultrassom para remoção de catarata, com a técnica conhecida como facoemulsificação, nos fez abandonar de vez técnicas que prevaleciam há mais de mil anos — expôs Dr. Miguel Padilha.

Para o especialista, durante a pandemia de Covid-19, o Sistema Único de Saúde (SUS) provou que é uma entidade que merece respeito, apreço, incentivo e apoio para se ampliar de forma considerável. Conseguimos enfrentá-la, apesar das grandes dificuldades que esta terrível doença causou, com desassombro e dignidade.

– No âmbito da Oftalmologia, o problema se repete. Há condições de o SUS se transformar em uma referência em atendimento oftalmológico no país. Não acredito que mutirões sejam o melhor caminho para se resolver a demanda que existe para pacientes portadores de catarata, por exemplo. As unidades existentes, bem aparelhadas, com equipes bem treinadas, seriam suficientes para um atendimento sustentável — opinou o oftalmologista.

Outro fato concreto, necessário de se ter em mente, é que o crescimento da população na década de 1970 somava algo em torno de 70 milhões de brasileiros, número este que hoje alcança 210 milhões e que segue crescendo. Os gastos também acompanham tal crescimento com o agravante de que a população está se tornando mais longeva e, portanto, mais dependente de atendimento médico. Para satisfazer toda esta equação, cabe aos governantes, em todas as áreas (municipais, estaduais e federal) encontrarem a fórmula mais adequada.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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