Isis Breves

Saúde Coletiva

Por Isis Breves

Enchentes aumentam o risco de ocorrência de surtos de Leptospirose

temporal no Rio de Janeiro

Na noite de quarta-feira, dia 06/02 teve início um forte temporal que perdurou por toda madrugada desta quinta-feira, dia 07/20 com muitos estragos pela cidade do Rio de Janeiro. Alagamentos, deslizamentos, ventos com 110 km/h, quedas de árvores que interditaram ruas e com 05 mortes confirmadas. A coluna Saúde Coletiva trouxe esse caos para alertar a população que teve contato com a água e a lama dos alagamentos, nos pontos que sofreram enchentes, para o risco de contrair a doença infecciosa Leptospirose.

A Leptospirose é uma doença infecciosa transmitida através do contato com a água e a lama de enchetes contaminadas pela bactéria Leptospira, presente na urina de ratos. A doença é grave e de notificação compulsória, podendo afetar o fígado e rins, causar meningite e problemas respiratórios.  É de alto custo hospitalar e com risco de morte em até 40% de casos mais graves.

As inundações propiciam a disseminação e a persistência da bactéria no ambiente, facilitando a ocorrência de surtos da doença. Por isso, se você teve contato com áreas de enchentes ou lama, causadas pela forte chuva que acometeu o Rio de Janeiro, fique atento aos sinais da Leptospirose. Se apresentar alguns dos sintomas listados abaixo, procure imediatamente atendimento médico e não se esqueça de mencionar que teve contato com a enchente:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas.
  • Podem também ocorrer vômitos, diarreia e tosse. Nas formas graves, geralmente aparece icterícia (pele e olhos amarelados), sangramento e alterações urinárias. Pode haver necessidade de internação hospitalar.

O período de incubação, ou seja, tempo que a pessoa leva para manifestar os sintomas desde a infecção da doença, pode variar de 1 a 30 dias e normalmente ocorre entre 7 a 14 dias após a exposição a situações de risco.

Importante buscar atendimento médico logo que os primeiros sintomas aparecem, pois cerca de 15% dos pacientes com leptospirose, ocorre a evolução para manifestações clínicas graves, que tipicamente iniciam-se após a primeira semana de doença, mas que pode ocorrer mais cedo, especialmente em pacientes com apresentações fulminantes. A manifestação clássica da leptospirose grave é a síndrome de Weil, caracterizada pela tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias, mais comumente pulmonar.

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento adequado e evitar risco de morte. Isso porque, a letalidade geral para os casos de leptospirose notificados no Brasil é de 10%, a letalidade para os pacientes que desenvolvem hemorragia pulmonar é maior que 50%.

A icterícia é considerada um sinal característico e tipicamente apresenta uma tonalidade alaranjada muito intensa (icterícia rubínica) e geralmente aparece entre o 3º e o 7º dia da doença. A presença de icterícia é frequentemente usada para auxiliar no diagnóstico da leptospirose, sendo um preditor de pior prognóstico, devido à sua associação com a síndrome de Weil.

Além disso, a leptospirose é uma causa relativamente frequente de meningite asséptica. Menos frequentemente ocorrem encefalite, paralisias focais, espasticidade, nistagmo, convulsões, distúrbios visuais de origem central, neurite periférica, paralisia de nervos cranianos, radiculite, síndrome de Guillain-BarréGuillain-Barré e mielite.

O diagnóstico da doença, além do exame clínico, pode ser confirmado através de exames laboratoriais específicos para confirmação da presença da bactéria lepstopira.

Algumas medidas podem ser feitas para prevenção da Leptospirose:

  • Obras de saneamento básico (drenagem de águas paradas suspeitas de contaminação, rede de coleta e abastecimento de água, construção e manutenção de galerias de esgoto e águas pluviais, coleta e tratamento de lixo e esgotos, desassoreamento, limpeza e canalização de córregos), melhorias nas habitações humanas e o controle de roedores.
  • É importante evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas. Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés).
  • A água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) mata as leptospiras e deve ser utilizada para desinfetar reservatórios de água: um litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água do reservatório. Para limpeza e desinfecção de locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada, a orientação é diluir 2 xícaras de chá (400ml) de água sanitária para um balde de 20 litros de água, deixando agir por 15 minutos.
  • Controle de roedores – acondicionamento e destino adequado do lixo, armazenamento apropriado de alimentos, desinfecção e vedação de caixas d´água, vedação de frestas e aberturas em portas e paredes, etc. O uso de raticidas (desratização) deve ser feito por técnicos devidamente capacitados.

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